Incêndios causados por baterias de íon-lítio dobram no Japão e acendem alerta

2026/07/10 13:26
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Tóquio – Os acidentes envolvendo baterias de íon-lítio e similares estão aumentando no Japão. No ano passado, foram registrados 1.297 casos, mais do que o dobro dos 601 registrados em 2022, segundo a Agência de Gestão de Incêndios e Desastres do Ministério de Assuntos Internos e Comunicações. Há casos de incêndios provocados pelo uso ou armazenamento desses aparelhos em ambientes de alta temperatura. Por isso, é importante evitar deixá-los dentro de veículos no verão.

De acordo com o Instituto Nacional de Tecnologia e Avaliação (NITE), as baterias de íon-lítio possuem um eletrólito inflamável. Caso a parte interna do dispositivo seja danificada por impacto, como em uma queda, e ocorra um curto-circuito, o aparelho pode aquecer e incendiar-se, noticiou o The Asahi.

Outro ponto é que, quando a bateria é exposta a altas temperaturas, como ocorre dentro de veículos no verão, o eletrólito pode gerar gás e provocar o inchaço do aparelho, danificando o material isolante e causando um curto-circuito, que pode terminar em incêndio.

A imagem divulgada pelo NITE é resultado de uma pressão aplicada sobre a parte onde fica embutida a bateria de íon-lítio de um ventilador portátil. Situação semelhante pode ocorrer em um caminhão de coleta de lixo caso o aparelho seja descartado como lixo comum.

No total de acidentes divulgados pelo governo japonês, as baterias portáteis estão no topo, com 482 casos. Em seguida, estão os celulares, com 93 casos; ferramentas elétricas, com 86; e fontes de energia portáteis, com 51. Os dados incluem ainda bicicletas elétricas, aspiradores sem fio, ventiladores portáteis e vestimentas climatizadas com ventiladores.

Segundo o NITE, a maior parte dos incêndios teve como causa impactos externos nas baterias portáteis, como quedas, ou o uso delas em ambientes quentes.

O órgão orienta que as baterias de íon-lítio devem atender aos padrões técnicos estabelecidos pela Lei de Segurança de Produtos Elétricos e exibir o selo PSE. Ao comprar uma bateria, é essencial verificar se o produto possui o selo PSE, orienta o Ministério da Economia, Comércio e Indústria.

Quais cuidados tomar São necessários alguns cuidados para que esse tipo de produto cumpra sua função sem causar danos, segundo a Agência do Consumidor e outros órgãos. Veja:

• Não aplicar impacto ou pressão forte sobre o produto. Não deixá-lo em ambiente de alta temperatura.

• Sempre que possível, carregar o produto enquanto estiver acordado e em um local visível. Não deixar materiais inflamáveis ao redor.

• Ter cuidado com danos no conector de carregamento e com o contato com água.

• Suspender o uso caso note alguma anormalidade, como inchaço, aquecimento ou cheiro estranho.

• Ter cuidado com baterias não originais. Elas podem ter problemas de projeto, e o dispositivo de proteção de segurança pode não funcionar em caso de anormalidade.

• Verificar no site do fabricante ou em outras fontes se o produto não está sujeito a recall.

• Em caso de incêndio, primeiro garanta sua própria segurança. Depois que as chamas diminuírem, se for possível, use um extintor, jogue uma grande quantidade de água ou coloque o produto em um balde com água para evitar que os danos se espalhem. Se achar que não consegue lidar com a situação, ligue imediatamente para o 119.

• Baterias portáteis usadas devem ser encaminhadas para reciclagem. Incêndios têm ocorrido em caminhões de coleta de lixo e instalações de tratamento de resíduos. Caso seja inevitável descartar o produto, siga as regras do município onde mora.

Transporte em aviões

O Ministério da Terra, Infraestrutura, Transporte e Turismo estabeleceu em abril deste ano regras para o transporte de baterias portáteis em aviões. Cada item deve ter até 160 watts-hora, com limite máximo de duas unidades por passageiro.

É proibido carregar baterias portáteis dentro da aeronave, e os passageiros devem evitar usá-las para carregar outros aparelhos durante o voo.

A operadora de trens JR East não limita o número desses itens por pessoa em suas composições, mas faz alertas aos passageiros. A empresa pede que as pessoas evitem que as baterias sofram quedas ou que sejam deixadas em locais quentes. Quando forem usadas, devem estar em local visível e ser monitoradas pelo portador.

Foto: Reprodução/Instituto Nacional de Tecnologia e Avaliação

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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