Grupo quer cobrar de ex-prefeita de Ito gastos de 82 milhões de ienes

2026/07/14 09:53
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Shizuoka – Moradores do município de Ito, na província de Shizuoka, realizaram uma campanha de financiamento coletivo na plataforma For Good para levantar recursos destinados a uma ação judicial relacionada aos gastos provocados durante a gestão da ex-prefeita Maki Takubo.

A campanha foi organizada por um funcionário de uma administração municipal da província de Chiba, em conjunto com moradores de Ito. Eiko Sekikawa aparece nas reportagens como representante das pessoas que apresentaram o pedido de auditoria.

O grupo argumenta que Takubo deveria ser responsabilizada pessoalmente pelos gastos com as eleições realizadas depois que ela dissolveu a Assembleia Municipal e, posteriormente, perdeu o cargo de prefeita, segundo a TV Shizuoka, a SBS e a Shizuoka Asahi TV.

Encerrada em 12 de julho, a campanha arrecadou 1,505 milhão de ienes, superando a meta de 1,5 milhão de ienes, com o apoio de 151 doadores.

O grupo afirma que as duas eleições provocaram gastos públicos de aproximadamente 82 milhões de ienes. A campanha, no entanto, adotou em seu nome o valor arredondado de 100 milhões de ienes, que havia sido divulgado anteriormente como estimativa orçamentária total dos dois pleitos.

As eleições citadas são a eleição extraordinária para a Assembleia Municipal de Ito, realizada em 19 de outubro de 2025, e a nova eleição para prefeito, ocorrida em 14 de dezembro do mesmo ano. As datas constam nos resultados oficiais divulgados pela Prefeitura de Ito. A administração municipal havia reservado cerca de 63 milhões de ienes para a eleição da Assembleia e aproximadamente 37 milhões de ienes para a eleição para prefeito. Os gastos posteriormente incluídos no pedido de auditoria, porém, somaram cerca de 82 milhões de ienes.

A ação que o grupo pretende mover não cobrará diretamente o dinheiro de Takubo. Trata-se de uma ação popular de controle de despesas públicas, conhecida no Japão como jūmin soshō (住民訴訟).

O objetivo é pedir ao tribunal que determine à Prefeitura de Ito que cobre da ex-prefeita uma indenização pelos gastos eleitorais. Como o resultado da auditoria foi comunicado em 2 de julho, o grupo pretende apresentar a ação dentro do prazo legal.

Especialistas citados pela imprensa japonesa consideram que a ação poderá enfrentar dificuldades, pois a dissolução da Assembleia foi realizada com base em uma prerrogativa prevista na Lei de Autonomia Local. O grupo também precisará demonstrar uma relação direta entre as condutas atribuídas a Takubo e os gastos públicos com as eleições.

Takubo foi eleita prefeita na eleição regular realizada em 25 de maio de 2025. O questionamento dos moradores não se concentra nos gastos dessa eleição, mas nos custos posteriores provocados pela dissolução da Assembleia e pela realização de uma nova eleição para prefeito.

Trajetória política

Maki Takubo foi eleita pela primeira vez vereadora de Ito em 2019 e reeleita para a Assembleia Municipal em 2023. Em 25 de maio de 2025, venceu a eleição para prefeita da cidade e tomou posse no fim daquele mês.

Em 31 de outubro de 2025, ela perdeu automaticamente o cargo após a nova Assembleia Municipal aprovar uma segunda moção de desconfiança. Takubo voltou a disputar a prefeitura em 14 de dezembro de 2025, mas foi derrotada.

A passagem dela pela prefeitura foi marcada pela controvérsia sobre sua formação acadêmica. Takubo havia sido apresentada em uma publicação municipal como formada pela Faculdade de Direito da Universidade Toyo. Posteriormente, admitiu que não havia concluído o curso e que fora excluída da instituição.

Também surgiu a denúncia de que ela teria mostrado aos dirigentes da Assembleia um documento apresentado como diploma. Uma comissão especial de investigação da Assembleia concluiu que a universidade não havia emitido um diploma de graduação para Takubo.

Em 1º de setembro de 2025, a Assembleia de Ito aprovou por unanimidade uma moção de desconfiança contra a prefeita. Entre os motivos citados estavam a controvérsia sobre a formação acadêmica, a recusa em entregar documentos e em prestar esclarecimentos à comissão especial de investigação, as mudanças de posição sobre uma possível renúncia e os prejuízos causados ao funcionamento da administração municipal.

Takubo respondeu dissolvendo a Assembleia em 10 de setembro, medida permitida pela Lei de Autonomia Local. A decisão levou à eleição extraordinária de 19 de outubro.

A nova Assembleia voltou a aprovar uma moção de desconfiança em 31 de outubro. Como se tratava da segunda votação após a dissolução do Legislativo, Takubo perdeu automaticamente o cargo de prefeita.

O grupo que prepara a ação judicial sustenta que ela usou o poder de dissolver a Assembleia para preservar sua permanência no cargo. Segundo os organizadores, a sequência de acontecimentos teria começado com as informações incorretas sobre sua formação acadêmica e com a recusa em prestar esclarecimentos.

Os moradores querem que a Prefeitura de Ito cobre de Takubo, pessoalmente, os custos extraordinários das eleições. O pedido de auditoria foi apresentado em 7 de maio de 2026 por dois moradores e posteriormente aceito para análise pelos fiscais municipais.

O pedido, porém, foi rejeitado em 2 de julho. Os fiscais entenderam que a dissolução da Assembleia havia sido realizada com base em um poder previsto em lei e que, portanto, não era possível considerar ilegal o simples exercício dessa prerrogativa.

A auditoria também concluiu que não estava suficientemente demonstrado que a nova eleição para prefeito não teria ocorrido sem as informações incorretas sobre a formação acadêmica. Os fiscais consideraram ainda que a responsabilidade criminal de Takubo não estava definitivamente estabelecida.

Depois da rejeição, Eiko Sekikawa afirmou que o grupo pretendia pedir uma decisão do Poder Judiciário. Até o momento, não foi localizada uma manifestação pública de Maki Takubo sobre a ação anunciada pelos moradores.

Foto: Reprodução/TV Shizuoka News

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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