Crise no Estreito de Ormuz: Japão tem reservas para 254 dias

2026/03/03 06:22
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Tóquio – O Irã declarou fechado o Estreito de Ormuz, contendo o fluxo de petróleo do Golfo Pérsico para a Europa, Estados Unidos e Ásia. O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que os ataques ao Irã podem durar mais tempo do que o previsto. O Consulado do Brasil em Tóquio emitiu uma nota com recomendações aos brasileiros residentes no Japão sobre o cancelamento de voos devido ao fechamento do espaço aéreo no Oriente Médio.

Na nota do Consulado, o órgão alerta que quem tiver planos de viajar entre Brasil e Japão, ou vice-versa, com conexão em aeroportos como Doha e Dubai, deve ficar atento a cancelamentos e outras questões. “Se seu voo tiver sido cancelado, procure diretamente a companhia aérea, o seguro de viagem ou a agência de turismo para remarcação dos bilhetes”, recomenda.

A nota lembra que os voos com conexão no Canadá, Estados Unidos ou México, além da Austrália, não foram afetados, mas os portadores de passaporte brasileiro necessitam de visto, mesmo que apenas em trânsito. “Se esta for sua situação, recomendamos que busque obter sua autorização de viagem diretamente com o respectivo país em que fará escala”, sugere o órgão.

Outro ponto da nota é sobre os brasileiros que ficarem mais de 90 dias no Japão, inclusive em função das tensões no Oriente Médio, que precisam renovar a estada junto à Agência de Serviços de Imigração antes do vencimento do seu prazo de permanência no país. E indica que quem tiver dúvidas pode enviar mensagem para [email protected].

Estreito fechado

O ministro das Relações Exteriores do Japão, Toshimitsu Motegi, pediu na segunda-feira (2) ao Irã que garanta a segurança no Estreito de Ormuz, em reunião com o embaixador iraniano no Japão, Peyman Saadat.

Para se ter uma ideia da importância daquela passagem, mais de 20 milhões de barris de petróleo bruto, condensado e combustíveis passaram pelo estreito diariamente no ano passado, em média, segundo dados da empresa de análise Vortexa, publicou a Reuters.

Além dos petroleiros, os navios porta-contêineres representam 100 dos 750 retidos no Estreito de Ormuz após os ataques dos EUA e de Israel ao Irã, disse Jeremy Nixon, CEO da transportadora de contêineres Ocean Network Express.

As seguradoras marítimas suspenderam as viagens pelo estreito entre o Irã e Omã, que transporta cerca de um quinto do petróleo consumido globalmente, bem como grandes quantidades de gás, como retaliação do Irã contra os ataques dos EUA e de Israel.

Devido ao conflito, os contratos futuros do petróleo Brent subiram até 13%, atingindo US$ 82,37 o barril, o maior valor desde janeiro de 2025, antes de fecharem em alta de US$ 4,87, ou 6,7%, a US$ 77,74 o barril.

Grandes empresas japonesas de navegação também suspenderam a passagem de seus navios pelo Estreito de Ormuz. O Japão importa mais de 90% do petróleo bruto do Oriente Médio, e grande parte desse volume passa por lá.

Uma das companhias é a Mitsui O.S.K. Lines Ltd., a qual informou no domingo (1) que seus navios aguardam em águas seguras, fora do Estreito, desde o sábado (28), dia em que foram realizados os ataques a pontos chaves no Irã, publicaram o Nippon e o The Asahi.

Outra gigante japonesa do setor, a NYK Line, interrompeu a travessia de suas embarcações pelo estreito e orientou que aguardem em águas seguras. O jornal Yomiuri citou outras empresas, como a Nippon Yusen Kaisha e Kawasaki Kisen Kaisha.

Um representante da JERA Co., importante produtora de energia térmica, informou que a situação no momento é tensa, mas que continua monitorando os desdobramentos do conflito. A empresa é financiada conjuntamente pela Tokyo Electric Power Company Holdings Inc. e pela Chubu Electric Power Co.

O representante acrescentou: “Garantimos estoques suficientes por enquanto, portanto não deve haver problema”, referindo-se ao gás natural liquefeito que é importado dos Emirados Árabes Unidos e do Catar.

Estoque para 254 dias

O Japão mantém reservas de petróleo em estoques governamentais e também no setor privado. A Agência de Recursos Naturais e Energia informou que em dezembro de 2025 as reservas eram equivalentes a 254 dias de consumo.

Mesmo que as importações de petróleo bruto sejam interrompidas, não se espera que o abastecimento interno se esgote no curto prazo, publicou o Yomiuri.

Takaichi pede diplomacia ao Irã

A primeira-ministra Sanae Takaichi pediu que o Irã busque uma solução diplomática para o conflito no Oriente Médio.

Em reunião de um comitê parlamentar, a líder japonesa exigiu que o Irã interrompa quaisquer ações que desestabilizem a região, como é o caso de desenvolvimento de armas nucleares, que ela classificou como "absolutamente inaceitável", além de ataques a países vizinhos, segundo a Kyodo.

Recessão à vista

Kiuchi Takahide, economista executivo do Instituto de Pesquisa Nomura, disse que o cenário mais provável é que o conflito se prolongue, interrompendo o fluxo de petróleo e de gás natural pelo Estreito de Ormuz.

A consequência imediata, segundo ele, é que a economia do Japão correrá o risco de recessão, afetando duramente a vida das pessoas.

Takahide afirmou que se os preços do petróleo bruto subirem cerca de 30% como resultado disso, o Produto Interno Bruto (PIB) real do Japão poderá cair 0,18% em termos anualizados e aumentar a inflação.

O economista explicou que se os preços continuarem subindo, o nível de consumo pessoal não poderá ser sustentado e a economia japonesa poderá entrar em recessão.

“Portanto, a magnitude da alta dos preços do petróleo bruto terá um grande impacto na economia." A situação, segundo ele, forçará o governo a discutir medidas para conter a alta dos preços, forçando o Banco do Japão a adiar o aumento das taxas de juros.

Foto: Canva

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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