Escândalo em Kanagawa envolve falsificação de multas de trânsito por policiais

Yokohama – O Departamento de Polícia da Província de Kanagawa decidiu anular cerca de 2.700 infrações de trânsito pela suspeita de terem sido baseadas em documentos falsificados por agentes. Como consequência, a polícia deverá restituir mais de 30 milhões de ienes em multas já pagas pelos motoristas.
Os casos de fraude emergiram na 2ª Unidade Móvel de Trânsito da Polícia da Província de Kanagawa, envolvendo excesso de velocidade e de não manutenção da distância segura entre veículos. O jornal Yomiuri publicou que os policiais reconheciam a infração sem garantir a distância de acompanhamento exigida e registravam informações falsas nos documentos oficiais.
A polícia então decidiu cancelar as 2.700 multas emitidas por não poderem ser devidamente comprovadas. A medição de velocidade por acompanhamento com viatura ou motocicleta policial segue regras internas rigorosas. Nas vias comuns, a distância entre veículos deve ser de 30 metros por cerca de 100 metros. Já em rodovias expressas, passa a ser de 50 metros por aproximadamente 300 metros, com as viaturas policiais seguindo paralelamente para fazer a medição.
O jornal publicou que os policiais daquela divisão ignoravam os procedimentos, realizando acompanhamentos por distâncias mais curtas, determinando que houve infração. Mas no registro oficial indicavam falsamente que haviam garantido a distância adequada.
Outro ponto foi a falsificação do relatório de verificação no local, documento que importante para a eventualidade de processos criminais. O documento é elaborado após o policial ir até o local e registrar a ocorrência. Mas os envolvidos não procediam assim, produzindo os relatórios com base em mapas da internet, sem verificação real.
A notícia informa que ficou constatado que o pelotão inteiro tolerava e acompanhava a prática, incorporando a falsificação à rotina de trabalho.
O total de 2.700 multas foi anulado em Kanagawa, enquanto ocorreram episódios semelhantes em outras províncias como Hokkaido (47) e Okinawa (269). As consequências para os motoristas vão além do prejuízo financeiro de arcar com o pagamento de multas irregulares. Pode haver casos dos que tenham perdido o status de motorista exemplar, por serem portadores de habilitação dourada, ou então sofrido um aumento no valor do seguro, recebido suspensão ou cassação da habilitação ou até perdido o emprego.
O policial Makoto Sato, da Polícia Metropolitana de Tóquio, estima que as infrações leves possam gerar indenizações de 50 mil ienes a 200 mil ienes. Os casos de suspensão da habilitação podem gerar pedidos de 300 mil ienes a 1,5 milhão de ienes; e os que perderam a habilitação poderão pedir entre 3 milhões e 10 milhões de ienes de indenização. Caso os motoristas profissionais entrem com ações judiciais, o total pode chegar a bilhões de ienes.
A investigação começou após denúncia feita em 2024 por um motorista autuado por não manter distância segura. A polícia de Kanagawa já carrega um histórico negativo de encobrimento de uso de drogas por policiais em 1999, desvio de verbas públicas entre 2003 e 2008, crimes sexuais cometidos por agentes, além de negligência em investigações de assassinatos por perseguição e fabricação de provas em outros casos.
Em 2024 e 2025, o número de policiais punidos disciplinarmente continuou alto, indicando falhas na capacidade de autocorreção da instituição.
Foto: Canva






































