Consumidores vão menos às lojas de conveniência, mas gastam mais

Tóquio – O número de clientes nas lojas de conveniência do Japão caiu 3,8% em setembro, mas esses estabelecimentos aumentaram o faturamento em 0,5% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Os dados são da Associação Japonesa de Franquias (JFA) e mostram que o valor médio gasto em cada visita cresceu, mesmo com a redução do movimento.
O levantamento considera os estabelecimentos em funcionamento há pelo menos um ano, permitindo comparar o desempenho das mesmas lojas ao longo do tempo.
Essas unidades receberam aproximadamente 1,248 bilhão de visitas durante setembro, contra um volume maior registrado no mesmo período de 2025. Apesar da diminuição de clientes, as vendas chegaram a aproximadamente 961,1 bilhões de ienes.
O dado chama a atenção porque mostra que o aumento do faturamento não veio de uma quantidade maior de visitas, mas do crescimento do valor médio gasto em cada compra.
Gasto médio por visita chegou a 770 ienes
Segundo a Associação Japonesa de Franquias, cada visita às lojas de conveniência representou um gasto médio de 770 ienes, um aumento de 4,4% na comparação anual.
Isso significa que o consumidor está gastando mais dinheiro cada vez que entra em uma loja, embora o número total de visitas tenha diminuído. Entretanto, o levantamento não permite afirmar que os clientes estejam comprando uma quantidade maior de produtos.
O gasto médio também pode aumentar quando os preços sobem, mesmo que a quantidade de mercadorias adquiridas permaneça igual ou diminua.
Por exemplo, um consumidor que gastava 500 ienes para comprar uma bebida e um lanche pode passar a gastar 550 ienes pelos mesmos produtos depois de reajustes de preços.
Antecipação de compras de tabaco contribuiu para o resultado
A Associação Japonesa de Franquias explicou que um dos fatores que contribuíram para o aumento das vendas foi a antecipação das compras de produtos de tabaco aquecido.
O comportamento esteve relacionado ao aumento de impostos em outubro, levando consumidores a realizar compras antes da mudança, movimento que ajudou a elevar o faturamento de setembro.
Outras mercadorias também apresentaram desempenho positivo, como alimentos fritos, sobremesas, doces, brinquedos e artigos de proteção contra a chuva.
Os produtos alimentícios preparados para consumo imediato continuam sendo uma parte importante das vendas das lojas de conveniência japonesas.
Japão possui mais de 56 mil lojas de conveniência
Considerando todas as unidades das redes incluídas no levantamento, inclusive os estabelecimentos inaugurados recentemente, o faturamento de setembro chegou a aproximadamente 999,5 bilhões de ienes, um aumento de 0,4% em relação ao mesmo mês do ano passado.
O número total de estabelecimentos alcançou 56.208 lojas, um crescimento de 0,5%.
Quando são consideradas todas as unidades, o número de visitas de consumidores também apresentou queda de 3,6%.
O gasto médio por visita ficou em 763,2 ienes, um aumento de 4,2%.
Esses números mostram que a redução do movimento não ficou restrita às lojas mais antigas.
Entretanto, a queda no número de visitas não significa necessariamente que houve diminuição na quantidade de consumidores únicos, porque uma mesma pessoa pode visitar uma loja várias vezes durante o mês.
Preços elevados podem influenciar hábitos de consumo
As lojas de conveniência ocupam um papel importante no cotidiano japonês. Além de alimentos e bebidas, oferecem diferentes serviços, como pagamentos de contas, retirada de encomendas, caixas eletrônicos e impressão de documentos.
A facilidade de encontrar estabelecimentos próximos de residências, estações ferroviárias e locais de trabalho explica parte de sua popularidade. Mas o preço de determinados produtos pode ser superior ao praticado por supermercados e lojas de descontos.
Com o aumento do custo de vida, alguns consumidores podem procurar alternativas mais econômicas para reduzir suas despesas. Uma possibilidade é substituir parte das compras realizadas em lojas de conveniência por produtos adquiridos em supermercados. Outra é preparar refeições em casa em vez de comprar alimentos prontos.
A pesquisa da JFA não identifica diretamente os motivos da redução das visitas em setembro. Para saber se a queda de 3,8% foi causada pelos preços elevados, seriam necessários levantamentos específicos sobre o comportamento dos consumidores.
Qual é o impacto no orçamento das famílias?
Para quem costuma comprar diariamente em lojas de conveniência, pequenas diferenças de preço podem representar um gasto considerável ao final do mês.
Um trabalhador que compre um lanche e uma bebida por 600 ienes durante 22 dias úteis, por exemplo, gastará 13.200 ienes. Se o valor diário subir para 700 ienes, a despesa mensal passará para 15.400 ienes. A diferença será de 2.200 ienes por mês. Ao longo de um ano, considerando o mesmo número de dias de compra, esse aumento representaria 26.400 ienes adicionais.
O exemplo é apenas ilustrativo, mas mostra como pequenas despesas recorrentes podem influenciar o orçamento doméstico.
Para famílias que procuram economizar, comparar os preços das lojas de conveniência com os de supermercados pode ajudar a identificar oportunidades de reduzir gastos.
Foto: Canva







































