Cerca de 70% dos japoneses já pensaram em ficar solteiros para sempre

2026/07/24 13:01
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Tóquio – Cerca de 70% dos homens e mulheres japoneses já pensaram que poderiam permanecer solteiros pelo resto da vida, revelou uma pesquisa do Instituto Naresome sobre casamento e relacionamentos.

O Instituto, ligado à Naresome Co. Ltd., empresa responsável pela agência matrimonial Naresome Yobiko, entrevistou 377 homens e mulheres com 20 anos ou mais, entre 23 de abril e 4 de maio. Participaram do levantamento pessoas solteiras e casadas.

A pesquisa questionou se os entrevistados já haviam pensado em não se casar ou em não conseguir se casar, além das razões por trás desse sentimento. Independentemente do histórico conjugal, cerca de sete em cada dez pessoas disseram já ter considerado, pelo menos uma vez na vida, a possibilidade de permanecer solteiras para sempre.

Os resultados também mostraram que homens e mulheres apresentam tendências psicológicas distintas ao considerar a solteirice como uma opção de vida.

Entre os homens solteiros e casados, 66,5% disseram já ter pensado que não se casariam ou que não conseguiriam se casar. Entre as mulheres, o índice ficou em 65,2%.

Segundo o Instituto, diante das dificuldades para encontrar um parceiro, muitas pessoas pensam que o casamento talvez não seja para elas ou decidem viver sozinhas, preservando a liberdade e sem assumir as responsabilidades de uma vida a dois.

Alguns homens se consideram inexperientes demais para iniciar um relacionamento, enquanto muitas mulheres demonstram preocupação com a vida que terão depois do casamento.

Ao analisar as razões que levaram os entrevistados a pensar em não se casar, o levantamento mostrou que entre 30% e 40% de ambos os sexos citaram a falta de confiança na própria aparência, na personalidade ou na posição social.

A baixa autoestima, portanto, é uma barreira comum entre homens e mulheres. No entanto, foram observadas diferenças entre os gêneros em relação aos demais motivos.

Como é entre os homens

Entre os homens, destacaram-se a falta de experiência amorosa e o acúmulo de tentativas malsucedidas.

A resposta mais frequente foi a de que não tinham ou tinham pouca experiência de relacionamento com o sexo oposto, citada por 54,7% dos entrevistados.

Outros motivos foram ter procurado uma parceira para casamento sem obter sucesso, com 30,8%, e ter sido rejeitado por várias mulheres, resposta citada por 29,9%.

A sequência de experiências negativas parece levar alguns homens à resignação e à ideia de que o casamento nunca será possível para eles.

Como é entre as mulheres

Entre as mulheres, além da falta de confiança na aparência e na personalidade, destacou-se a preocupação com as desvantagens e as mudanças provocadas pelo casamento.

A resposta “passei a considerar o casamento trabalhoso” foi citada por 30,5% das mulheres, proporção quase duas vezes maior do que a registrada entre os homens, com diferença de 14,3 pontos percentuais.

Outras 32,8% disseram que preferiam dedicar seu tempo a atividades como trabalho e hobbies. O índice foi cerca de 1,4 vez maior do que o registrado entre os homens, com diferença de 8,9 pontos percentuais.

Segundo o Instituto, por acompanharem de perto a realidade de outras mulheres casadas, as entrevistadas podem adotar uma postura mais cautelosa diante das responsabilidades e limitações envolvidas no matrimônio.

O que diz o psicólogo

A pesquisa foi analisada pelo psicólogo especializado em relacionamentos Keita Yamazaki, que já participou de mais de 1.000 atendimentos de aconselhamento e prestou apoio a mais de 1.200 pessoas que se casaram por meio da Naresome Yobiko.

Yamazaki destacou que os percentuais de homens e mulheres que já pensaram em não se casar foram semelhantes.

“Isso significa que esse sentimento não se limita às pessoas solteiras. Independentemente do histórico conjugal, parece ser uma experiência psicológica pela qual muitas pessoas passam pelo menos uma vez”, afirmou.

Sobre as diferenças observadas, o psicólogo explicou que os homens muitas vezes não conseguem avançar por causa da falta de experiência e de confiança. Entre as mulheres, além da insegurança, existe o receio de que a vida depois do casamento se torne menos livre.

Para Yamazaki, conhecer essas diferenças e compreender as inseguranças de cada pessoa pode contribuir para a construção de uma relação de confiança e de um casamento satisfatório.

Fonte: Pesquisa de 2026 sobre percepções relacionadas ao casamento, realizada pelo Instituto Naresome https://naresome.co.jp/note/why-expect-to-stay-single/

Foto: Canva

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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