5 costumes no trabalho que até os japoneses querem abandonar

Tóquio – A sociedade japonesa é marcada por uma infinidade de regras sobre o que se pode ou não fazer, para que tudo permaneça em certo equilíbrio. Mas uma pesquisa revelou cinco costumes que até os trabalhadores japoneses gostariam que fossem esquecidos e deixados de lado para sempre.
No ambiente empresarial do Japão, existe uma forte valorização da cortesia, e muitos costumes foram criados para manter as interações entre os colegas de forma harmoniosa e evitar conflitos, noticiou o SoraNews24.
Essas regras podem ter sido seguidas sem questionamentos durante muito tempo. Mas, com a modernização dos processos no ambiente de trabalho, existem alguns gestos e formalidades que acabaram cansando até os próprios japoneses.
Para saber quais são eles, a empresa de mídia Mfro, de Tóquio, realizou uma pesquisa por meio de seu serviço de crowdsourcing Craudia com 493 pessoas, sendo 366 mulheres e 127 homens, na faixa dos 20 aos 50 anos de idade. Estas foram as práticas mais citadas:
5. Obrigação de distribuir lembrancinhas (4,7%)
Um dos costumes que têm incomodado os entrevistados é o de levar doces ou outras guloseimas, conhecidos como omiyage, para os colegas ao voltar de uma viagem a trabalho. É uma forma de demonstrar consideração pelos colegas. Mas, quando isso se transforma em pressão e a pessoa precisa gastar tempo e dinheiro procurando essas lembrancinhas, o ato que deveria ser espontâneo passa a ser mais uma obrigação.
4. Cumprimentos excessivos (9,1%)
Cumprimentar os colegas é o mínimo que se espera em um ambiente de trabalho, seja onde for. No Japão, porém, esse momento pode ser cercado de formalidades. Alguns dos entrevistados reclamaram que existem locais onde esse costume atingiu níveis extremos, a ponto de afetar a produtividade.
Eles disseram que, em alguns escritórios, os funcionários podem ser obrigados a percorrer todo o andar ou departamento para cumprimentar individualmente cada colega ao chegar ou sair, ou ainda a se levantar de suas mesas sempre que um executivo entra na sala.
3. Excesso de formalidade em mensagens de chat (11%)
Nem aplicativos como Slack, Line e Teams, criados para agilizar a comunicação no ambiente de trabalho, escaparam da montanha de formalidades.
Há locais onde os trabalhadores se sentem obrigados a escrever todas as mensagens com longos cumprimentos formais, quando uma simples reação com emoji ou uma saudação curta seriam suficientes para encerrar a conversa.
2. Pedidos de desculpas e distribuição de doces após as férias (15,4%)
Quando um trabalhador consegue tirar férias remuneradas, que são um direito, ele se afasta do local de trabalho durante o período de descanso.
Mas, como no Japão existe uma forte valorização do grupo e da empresa, tirar a folga merecida pode acabar se transformando em motivo de preocupação. De alguma forma, o trabalhador pode se sentir culpado por deixar parte de suas tarefas para os colegas.
Além disso, em alguns locais, o funcionário precisa anunciar para todos durante as reuniões matinais que sairá de férias. Quando retorna, pode se sentir na obrigação de passar em cada mesa pedindo desculpas pela ausência e deixando um doce como lembrança, ainda que não tenha feito nada de errado.
1. Etiqueta rígida nos e-mails (21,5%)
Para um país que preza pela precisão e pelo trabalho bem feito, os próprios japoneses acabam criando alguns obstáculos na comunicação por e-mail, com empresas exigindo que as mensagens contenham frases padronizadas e até saudações relacionadas às estações do ano.
Há empresas que exigem ainda que todos os destinatários internos sejam listados de acordo com a hierarquia da companhia, algo que os próprios japoneses consideram um desperdício de minutos preciosos que poderiam ser utilizados em atividades realmente produtivas.
Cansaço mental
Na pesquisa, 35,3% dos entrevistados disseram que esse conjunto de regras inexplicáveis gera um “cansaço mental”, enquanto 27% consideram tudo isso uma perda de tempo e 26,6% afirmaram que essas práticas apenas acrescentam esforços desnecessários.
Apesar de considerarem as regras desgastantes, os entrevistados disseram que não conseguem abandoná-las por medo do que os outros irão pensar, motivo citado por 36,1%. Outros 32,9% responderam que essas práticas já se tornaram uma norma.
Na cultura de trabalho do Japão, fugir do padrão pode fazer com que uma pessoa ganhe a fama de rude ou pouco colaborativa. Quem decide enfrentar essas tradições pode acabar sendo visto como estranho.
A pesquisa conclui que esses costumes, seguidos por muitas pessoas, são mais resultado da pressão social e do ambiente de trabalho do que de alguma lógica prática.
Pode haver algum alívio com a expansão do trabalho remoto e a renovação das gerações no mercado de trabalho, tornando tais regras cada vez mais uma coisa do passado.
Mas, para que isso aconteça, pode ser necessária a participação das lideranças das empresas, permitindo que os funcionários se manifestem sem medo e, quem sabe, eliminando costumes que não contribuem para a produtividade.
Foto: Canva






































