Seguro obrigatório dos carros fica mais caro no Japão após 13 anos

Tóquio – O seguro obrigatório para veículos no Japão ficou mais caro a partir de domingo (1º), com reajuste médio de 6,2% nas tarifas do jibaiseki hoken (自賠責保険, seguro obrigatório de responsabilidade civil automotiva).
Foi o primeiro aumento das tarifas desde 2013. A mudança vale para contratos cujo período de cobertura começa em 1º de novembro de 2026 ou depois dessa data.
Para um automóvel de passeio particular, em contrato de 24 meses válido no território principal do Japão, excluindo Okinawa e ilhas com tarifas específicas, o valor passou de ¥ 17.650 para ¥ 18.560.
O aumento é de ¥ 910, equivalente a 5,2%.
Já para um kei jidosha, o veículo leve muito utilizado no Japão, o contrato de 24 meses passou de ¥ 17.540 para ¥ 18.660, alta de ¥ 1.120.
O reajuste médio de 6,2% anunciado pelo governo considera todas as categorias de veículos e períodos de contratação. Por isso, o percentual aplicado a um automóvel comum pode ser diferente da média geral.
No caso dos carros particulares, por exemplo, o contrato de 36 meses custa agora ¥ 24.690 e o de 37 meses, geralmente utilizado em determinadas situações de veículos novos, chega a ¥ 25.180.
Para os kei, os valores são de ¥ 24.830 para 36 meses e ¥ 25.330 para 37 meses.
Por que o seguro ficou mais caro?
Segundo a Agência de Serviços Financeiros, o reajuste foi necessário porque as receitas do sistema já não acompanhavam adequadamente as despesas.
Apesar da queda do número de acidentes ao longo dos anos, o custo médio das indenizações tem aumentado, principalmente devido à elevação das despesas médicas.
Também cresceram os custos operacionais das seguradoras e das agências, pressionados pela alta dos salários e dos preços.
Outro fator é a redução das reservas utilizadas para manter as tarifas mais baixas.
O saldo acumulado do sistema caiu de aproximadamente ¥ 724 bilhões no final do ano fiscal de 2022 para cerca de ¥ 521,5 bilhões no final do ano fiscal de 2025.
Segundo o conselho responsável pela revisão das tarifas, manter os preços anteriores poderia comprometer a capacidade futura do sistema de pagar as indenizações previstas.
O que o jibaiseki cobre?
Todo veículo que circula legalmente no Japão precisa estar coberto pelo jibaiseki.
O seguro tem como finalidade principal indenizar vítimas de acidentes de trânsito por danos pessoais.
No caso de ferimentos, por exemplo, a cobertura pode chegar a ¥ 1,2 milhão por vítima, incluindo despesas médicas, perda de renda decorrente do afastamento do trabalho e indenização por danos pessoais.
Existem limites diferentes para morte e sequelas permanentes.
O seguro obrigatório não substitui, porém, o seguro voluntário, conhecido como nin'i hoken.
O jibaiseki não cobre, por exemplo, os danos materiais causados ao veículo de outra pessoa nem os prejuízos sofridos pelo próprio automóvel do segurado.
Quando o motorista pagará mais?
A nova tarifa não significa que todos os proprietários de veículos terão uma cobrança adicional imediatamente.
O que determina a tarifa é a data de início da nova cobertura.
Assim, quem já possui um contrato válido não precisa pagar a diferença correspondente ao período restante.
O novo valor será aplicado quando houver renovação e a nova cobertura começar em 1º de novembro de 2026 ou depois.
Na maioria dos automóveis, a renovação do jibaiseki ocorre juntamente com o shaken, a inspeção periódica obrigatória.
O motorista que realizar o shaken nos próximos meses deverá, portanto, observar o novo valor na composição das despesas.
Motocicletas também são afetadas
O aumento não se limita aos automóveis.
Para motocicletas com mais de 250 cc, por exemplo, o contrato de 24 meses passou de ¥ 8.760 para ¥ 9.640, aumento de ¥ 880.
Nas motocicletas acima de 125 cc e até 250 cc, o novo valor para 24 meses é de ¥ 9.780.
Para motocicletas de até 125 cc, a cobertura de 24 meses passou para ¥ 9.630.
Impacto para brasileiros
A mudança tem relevância particular para brasileiros que vivem em províncias como Aichi e Shizuoka, onde o automóvel é utilizado diariamente por muitas famílias para ir ao trabalho, levar crianças à escola, fazer compras e acessar serviços.
Embora o aumento de ¥ 910 ou ¥ 1.120 em dois anos não represente uma grande despesa mensal quando diluído ao longo do período, ele se soma a outros custos do veículo, como shaken, imposto anual, manutenção, estacionamento, combustível e seguro voluntário.
O reajuste ocorre ainda em um momento em que o governo pretende reduzir gradualmente os subsídios à gasolina a partir de dezembro, aumentando a possibilidade de novas despesas para quem depende diariamente do automóvel.
O governo ressalta que a revisão das tarifas procura assegurar a sustentabilidade financeira do sistema de indenização às vítimas de acidentes.
As novas tarifas estão em vigor desde 1º de novembro.
Fontes principais: Agência de Serviços Financeiros, Ministério da Terra, Infraestrutura, Transporte e Turismo e General Insurance Rating Organization of Japan.
Foto: Canva







































