Governo de Tóquio libera bermuda e tênis no trabalho para poupar energia

Tóquio – A governadora de Tóquio, Yuriko Koike, atualizou em abril o código de vestimenta durante o período mais quente do ano, permitindo que funcionários usem bermudas e tênis no escritório. A mudança é uma adaptação da proposta Cool Biz, lançada pelo Ministério do Meio Ambiente em 2005, que incentivava servidores a deixarem de lado gravatas e paletós durante o verão para economizar energia. Na época, alguns passaram a trabalhar usando camisas de colarinho.
A decisão de Koike leva em conta o prolongamento do conflito entre Estados Unidos, Israel e o Irã, prejudicando o fornecimento de petróleo e gás para o país, e que termina por encarecer as contas de eletricidade no Japão, publicaram o Japan Daily e a France Presse.
Outro motivo é a previsão da Agência Meteorológica do Japão de que o verão neste ano deverá ser tão ou mais quente do que o de anos anteriores, tanto é que definiu uma nova expressão para classificar temperaturas acima de 40 graus centígrados.
Jornais locais já registraram imagens de funcionários públicos trabalhando de camisa polo e bermuda para se manterem mais confortáveis nos escritórios da capital japonesa.
Na época do lançamento da campanha Cool Biz, Koike era ministra do Meio Ambiente.
A nova versão do Cool Biz também inclui uma maior adoção de jornadas de trabalho iniciadas mais cedo, acrescentou Koike.
Governo de Koizumi
A campanha Cool Biz foi uma política pública criada durante o mandato do então primeiro-ministro Junichiro Koizumi, para reduzir o consumo de energia elétrica nos meses mais quentes do ano, especialmente com o uso de ar-condicionado em escritórios.
A iniciativa surgiu dentro de um contexto maior de compromissos ambientais do Japão, ligados ao Protocolo de Kyoto, que previa metas de redução das emissões de gases de efeito estufa. Como grande parte da eletricidade no verão era consumida para resfriamento de ambientes, o governo buscou uma solução que não dependesse apenas de tecnologia, mas também de mudança de comportamento.
O governo recomendou que a temperatura dos aparelhos de ar-condicionado nos escritórios fosse ajustada para cerca de 28 graus Celsius. Ao mesmo tempo, incentivou que trabalhadores deixassem de usar terno e gravata no verão, e usassem camisas de manga curta, tecidos mais leves. A campanha iniciou no setor público, depois foi adotada por empresas.
Após o desastre nuclear de Fukushima em 2011, a campanha ganhou ainda mais força. Com a redução da capacidade de geração de energia nuclear, o país precisou economizar eletricidade de forma mais intensa. Nesse contexto, surgiu até uma versão mais rigorosa chamada Super Cool Biz, que permitia roupas ainda mais informais, como polos e até tênis em alguns ambientes de trabalho.
Foto: Reprodução/News on Japan






































