Pesquisa mostra que eleitores acreditam em 80% das notícias falsas no Japão

Tóquio – Uma pesquisa feita pela Universidade de Toyo revelou que 80% das informações falsas ou enganosas difundidas pelos candidatos a uma vaga na Câmara dos Representantes, no Parlamento, na eleição de fevereiro foram consideradas como verdadeiras pelos eleitores.
O professor de sociologia da universidade, Morihiro Ogasahara, que conduziu o levantamento, disse que a campanha na qual os candidatos se lançaram durou apenas 16 dias e não houve tempo suficiente para checagem de fatos. Segundo ele, prevaleceram alegações falsas nos discursos e o que é preocupante, na mente dos eleitores, que as tiveram como corretas, noticiou o The Asahi.
A pesquisa foi feita no dia 8 de fevereiro, dia da votação, e 10 de fevereiro, com cerca de 1.800 pessoas com 18 anos de idade ou mais. Ogasahara disse que em um ambiente onde circulou um grande volume de informação de origem duvidosa, foi difícil para os eleitores determinarem o que era verdade ou mentira.
"É importante contar com fontes de informação confiáveis, como determinados veículos de comunicação, que elas consultem regularmente", recomendou.
Na pesquisa, Ogasahara apresentou cinco informações falsas ou enganosas tiradas do período da campanha e os eleitores entrevistados tiveram que escolher uma.
Alguns exemplos: um vídeo que mostrava uma multidão em um comício de rua da Aliança de Reforma Centrista, que foi gerado por Inteligência Artificial (IA) e "a foto de uma multidão durante um discurso feito pela primeira-ministra Sanae Takaichi, a qual foi retirada de imagens da contagem regressiva de Ano-Novo em Shibuya em dezembro de 2025".
Com base nisso, a pesquisa mostrou que 51,4% de todos os entrevistados, ou 921 pessoas, tiveram contato com pelo menos um caso de informação falsa ou enganosa.
E o mais preocupante: do total de entrevistados, 45,9% acreditaram erroneamente que a informação que haviam visto ou ouvido era factual. Pelo menos um participante teve contato com vários dos cinco conteúdos apresentados pelos entrevistadores e acreditou que todos eram verdadeiros.
Considerando o total de 1.585 casos de informações falsas ou enganosas encontrados pelos entrevistados, a taxa de interpretação equivocada como fato chegou a 79,9%. Outro ponto é que 6,5% dos eleitores tiveram contato com informações falsas e as compartilharam em seus perfis nas redes sociais ou em conversas com outras pessoas.
Levando em conta as fontes pelas quais os entrevistados tiveram contato com informações falsas ou enganosas, a televisão foi a mais citada, com 32,7%; enquanto 22,7% citaram sites e aplicativos de notícias; e 20% mencionaram publicações em redes sociais.
Segundo os pesquisadores, as informações falsas obtidas pela televisão foram as mais frequentemente confundidas com fatos, com uma taxa de 84,9%. A pesquisa mostrou que conteúdos de programas destinados a alertar os espectadores sobre rumores falsos não foram transmitidos de forma adequada ao público.
Foto: Canva






































