‘Óculos de pervertidos’ geram pressão por novas regras na Europa

Reino Unido – Apesar de todos os recursos que oferecem, os óculos equipados com inteligência artificial estão sendo chamados de “óculos de pervertidos” na Europa. Isso porque imagens de meninas e mulheres filmadas secretamente com esses dispositivos foram publicadas na internet. O problema chegou a tal ponto que foi lançada uma petição pedindo a proibição da venda desses óculos no Reino Unido.
Os óculos com IA permitem que seus usuários tirem fotos, gravem vídeos, ouçam música, façam chamadas telefônicas, traduzam textos e interajam com assistentes de inteligência artificial. Já são milhões de unidades vendidas, publicou a France Presse.
Grandes empresas de tecnologia veem nos óculos com IA uma das novas apostas do setor de dispositivos vestíveis. Uma tentativa nesse sentido feita pelo Google, em 2013, não alcançou o sucesso esperado. Já os óculos inteligentes da Meta, dona do Facebook e do Instagram, desenvolvidos em parceria com a EssilorLuxottica, venderam cerca de 7 milhões de unidades em 2025.
Os óculos podem parecer práticos e até divertidos, mas, no Reino Unido, passaram a ser chamados por parte da imprensa de “óculos de pervertidos”, diante da repercussão de casos envolvendo gravações feitas sem o conhecimento das pessoas filmadas.
Uma jovem de 17 anos disse à emissora Channel 4 News que foi abordada por um homem que, segundo ela, a gravou secretamente, inclusive durante a conversa entre os dois.
A Meta informou que adota recursos destinados a reduzir esse tipo de problema, como uma luz de LED que se acende para indicar às pessoas próximas que o aparelho está gravando.
Na Noruega, a cidade de Oslo proibiu o uso desses óculos nas escolas. As autoridades locais também avaliam formas de regulamentar a tecnologia e consideram restringir dispositivos capazes de realizar reconhecimento facial em espaços públicos.
A União Europeia também vem sendo pressionada a tratar do assunto. Na França, a autoridade responsável pela proteção de dados pediu “vigilância” em relação ao uso desses dispositivos.
O designer sueco Mateusz Pozar decidiu agir depois que sua namorada foi abordada por dois homens que usavam óculos inteligentes e, segundo o relato, a estavam gravando, situação que a deixou apavorada. Ele criou o site Ban Ray, no qual disponibiliza placas que estabelecimentos podem utilizar para proibir o uso de óculos inteligentes em suas dependências.
Pozar afirmou que pretende estimular um debate sobre como a sociedade se sente em relação a essa tecnologia antes que seu uso se torne corriqueiro.
A eurodeputada Veronika Cifrova Ostrihonova também começou a se movimentar em busca de regras para a União Europeia. Ela defende a adoção e a aplicação de normas rigorosas para garantir que essa e outras tecnologias não representem ameaça aos direitos humanos.
O Conselho Europeu de Proteção de Dados, órgão independente da União Europeia, já encomendou um relatório, previsto para ser entregue no outono, que analisará a “aceitabilidade social” dos óculos inteligentes.
O eurodeputado Alex Agius Saliba também demonstrou preocupação com a tecnologia e defende, inicialmente, a proibição dos dispositivos até que seja demonstrado que seu uso é seguro.
A petição “Stop Smart Glasses”, algo como “Parem os Óculos Inteligentes”, lançada no Reino Unido e na Irlanda e que pede a suspensão das vendas, já alcançou cerca de 9.100 assinaturas. Caso chegue a 10 mil, o governo britânico terá de apresentar uma resposta oficial.
Foto: Esta é uma imagem gerada por IA criada exclusivamente para fins ilustrativos. Não representa um evento ou pessoa real







































