Número de praias para banho cai 30% no Japão em três décadas

2026/07/24 11:29
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Tóquio – A redução do número de banhistas devido ao calor extremo e o recuo da faixa litorânea contribuíram para uma queda de cerca de 30% no número de praias autorizadas para banho durante o verão no Japão nas últimas três décadas. O dado é da Associação Japonesa de Viagens e Turismo.

Em 1993, o país tinha 1.379 praias autorizadas para banho, segundo a associação. O número permaneceu acima de 1.300 até o início dos anos 2000, quando começou a cair. O total ficou abaixo de mil pela primeira vez em 2022, durante a pandemia de Covid-19, e recuou para 969 em 2024, noticiou a Kyodo.

O verão é o período em que muitas pessoas procuram as praias para se refrescar. No entanto, diante das temperaturas extremas registradas nos últimos anos, parte da população tem evitado esses locais para se proteger de queimaduras solares e de insolação.

Pela legislação japonesa, os governos locais e as associações responsáveis pela administração das praias, estas últimas formadas por proprietários de estabelecimentos situados à beira-mar, devem solicitar anualmente aos governos provinciais autorização para abrir as áreas destinadas aos banhistas.

O levantamento da associação não analisou as causas da redução no número de praias abertas. Segundo a Kyodo, autoridades locais citaram como motivos a falta de salva-vidas e a baixa rentabilidade dos comerciantes, provocada pela diminuição do número de frequentadores. Outro fator apontado foi a diversificação das opções de lazer em ambientes fechados.

Entre as praias que não foram abertas em 2024 estão Miura Kaigan, na província de Kanagawa, e Hakotsukuri, na província de Osaka.

No caso da praia de Otake Kaigan Hokota, na província de Ibaraki, um dos motivos foi o forte recuo da faixa litorânea. As autoridades locais explicaram que a areia deixou de ser transportada pelos rios até a costa devido à extração para uso na construção civil, realizada desde o período de forte crescimento econômico do Japão, entre meados da década de 1950 e o início da década de 1970.

As mudanças nas correntes marítimas provocadas pela construção de quebra-mares também contribuíram para o problema.

Diante da situação, os governos locais desaconselham o banho em praias não oficialmente designadas, pois esses locais não contam com salva-vidas nem supervisores de plantão.

Foto: Canva

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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