Negociações salariais no Japão buscam aumento acima de 5%

2026/02/13 09:59
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Tóquio – Tradicionalmente, as negociações salariais entre empresas e sindicatos trabalhistas ocorrem durante a primavera. E neste ano terão muito o que negociar, já que os salários reais do Japão em 2025 caíram 1,3% em relação ao ano anterior. É o quarto ano consecutivo de queda, aumentando o peso dos preços dos produtos sobre o orçamento das famílias. Veja como funcionam as negociações salariais no Japão.

Segundo o Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar, os salários nominais, ou a média dos rendimentos mensais em dinheiro por trabalhador, incluindo o salário base e o pagamento de horas extras, aumentaram 2,3% no ano passado, para 355.919 ienes (US$ 2.260), subindo pelo quinto ano consecutivo, publicou a Kyodo.

O problema é que os preços ao consumidor aumentaram 3,7% no ano passado, pesando sobre os salários que haviam sido ajustados pela inflação.

Nas negociações trabalhistas e patronais de 2025, as grandes empresas aceitaram aumentar os salários de seus trabalhadores na média de 5,39%, segundo a Federação de Negócios do Japão (Keidanren).

Neste ano de 2026, as negociações visarão um aumento acima de 5%. O Banco do Japão deverá monitorar os resultados das negociações, já que salários e preços mais altos são fatores fundamentais em suas decisões de política monetária.

Entenda como funciona

As negociações salariais são chamadas de “shunto”, ou ofensiva salarial de primavera, ocorrendo entre fevereiro e março. No ano passado, foi acordado o aumento médio de 5,25%, o maior em 30 anos.

Apesar de os salários nominais terem aumentado, os salários reais (ajustados pela inflação) sofreram queda. E o principal desafio é encontrar um bom termo para que as pequenas e médias empresas também concedam aumentos aos seus funcionários.

O sistema de negociação do Japão é um pouco diferente do que existe em outros países, pois é baseado em sindicatos de empresas. A Confederação Sindical Japonesa (Rengo) representa 7 milhões de trabalhadores e apresenta sua meta de aumento. Quem responde pelas empresas é a Keidanren.

Os líderes de Rengo e Keidanren se reúnem para apresentar suas propostas. Em seguida, sindicatos individuais apresentam suas demandas às suas empresas. Em março geralmente ocorre o chamado “yamaba”, ou o pico, quando as grandes corporações como Toyota e Hitachi, por exemplo, anunciam suas respostas às reivindicações.

O impacto das negociações “shunto” influencia não apenas o setor privado, mas também os salários do funcionalismo público e o ajuste do salário mínimo nacional.

Foto: Canva

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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