Mortes de cientistas aeroespaciais geram investigação no Congresso dos EUA

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Estados Unidos - A morte e o desaparecimento de pessoas ligadas a laboratórios, programas espaciais, instalações nucleares e pesquisas consideradas sensíveis nos Estados Unidos passaram a alimentar investigações oficiais, debates políticos e uma onda crescente de teorias envolvendo antigravidade, energia de ponto zero, inteligência não humana, UFOs e projetos classificados.

A lista que circula na imprensa americana e internacional chegou a 12 nomes em abril (2026), após a morte de David Wilcock, autor, youtuber e conhecido divulgador de teorias sobre UFOs e vida extraterrestre. No entanto, há uma diferença importante. A investigação formal mencionada pelo Comitê de Supervisão da Câmara dos EUA se refere a pelo menos dez pessoas com suposta ligação a segredos nucleares ou tecnologia de foguetes. A lista ampliada de 12 inclui também nomes associados ao debate sobre UFOs e pesquisadores fora do núcleo original citado pelo Congresso, segundo o Comitê de Supervisão da Câmara dos EUA.

Até agora, entre os casos mais citados publicamente, há mortes por causas ainda não divulgadas, desaparecimentos, acidentes, suicídios e homicídios. Pelo menos dois assassinatos tiveram suspeitos identificados pelas autoridades: o do físico português Nuno Loureiro, professor do MIT, e o do astrofísico Carl Grillmair, ligado ao Caltech. Em outros casos, familiares, autoridades locais e especialistas afirmam que não há evidência pública de uma conspiração coordenada, noticiou a ABC News.  

O tema ganhou força política em abril (2026), quando o Comitê de Supervisão da Câmara dos EUA enviou pedidos formais de informação ao FBI, à NASA, ao Departamento de Energia e ao Departamento de Defesa. Os parlamentares citaram relatos públicos segundo os quais ao menos dez pessoas com possível ligação a tecnologia nuclear ou de foguetes teriam morrido ou desaparecido em circunstâncias incomuns nos últimos anos. O FBI confirmou que passou a liderar uma revisão para buscar possíveis conexões entre os casos, mas pessoas próximas às investigações disseram à CBS News que, até o momento, não viam ligação concreta entre eles, noticiou a CBC News.  

A maior parte dos episódios permanece sem conexão comprovada entre si. Ainda assim, o volume de casos, somado ao histórico de sigilo em programas militares, espaciais e nucleares, abriu espaço para especulações que ganharam força principalmente após as declarações do ex-oficial de inteligência David Grusch sobre supostos programas secretos de recuperação e engenharia reversa de objetos de origem não humana.

O nome mais antigo frequentemente associado a esse universo é o da americana Amy Eskridge, morta em 2022. Ela atuava em pesquisas sobre propulsão exótica, plasma e conceitos associados à modificação gravitacional. Amy Eskridge também relatou publicamente perseguições, vigilância e pressão psicológica antes de sua morte. O caso passou a circular novamente em fóruns e redes sociais, mas não aparece na lista formal do Comitê de Supervisão da Câmara dos EUA. Segundo reportagem da ABC News Australia, sua morte é considerada por investigadores online como parte da teoria mais ampla, mas não foi incluída na carta do Congresso ao FBI.

O primeiro caso citado pelo Comitê de Supervisão como parte da sequência recente foi o de Michael David Hicks, morto em 30 de julho de 2023. Ele trabalhou como cientista no Jet Propulsion Laboratory (JPL), da NASA, de 1998 a 2022, com estudos sobre cometas, asteroides e missões espaciais, incluindo DART, NEAT, Dawn e Deep Space 1. A causa oficial da morte não foi divulgada publicamente.

Em 2024, Matthew Sullivan, ex-oficial de inteligência da Força Aérea dos EUA e condecorado com a Bronze Star, morreu em 12 de maio, segundo a ABC News Australia, de overdose acidental. Ele passou a ser citado em teorias sobre UFOs porque fontes ouvidas pelo New York Post afirmaram que Sullivan teria ligação com programas de recuperação de objetos não identificados e poderia depor ao Congresso. Essas informações, porém, não equivalem a confirmação oficial de envolvimento em engenharia reversa de tecnologia não humana.

Também em 2024 morreu Frank Maiwald, engenheiro de espectroscopia de imagem ligado ao JPL. Ele era investigador principal em projetos de observação da Terra e instrumentação espacial. Sua morte ocorreu em 7 de julho de 2024, mas a causa oficial não foi divulgada publicamente, o que contribuiu para que seu nome fosse incluído em listas que circulam online.

Em 2025, o desaparecimento de Anthony Chavez ampliou a repercussão do tema. Ele era ex-funcionário do Laboratório Nacional de Los Alamos, onde atuou como encarregado de construção. Chavez desapareceu em 8 de maio de 2025. Um detetive citado pela ABC News Australia afirmou que não havia indícios de crime, mas também não havia sinais de que ele planejasse desaparecer.

Pouco depois, em 22 de junho de 2025, Monica Reza desapareceu durante uma trilha na região do Angeles National Forest, na Califórnia. Ela era metalurgista, engenheira de materiais e diretora do grupo de processamento de materiais do JPL. Reza também foi coinventora de uma superliga à base de níquel usada em motores de foguete. Equipes de busca encontraram apenas um gorro, segundo a ABC News Australia.

Em 26 de junho de 2025, Melissa Casias, assistente administrativa ligada ao Laboratório Nacional de Los Alamos, também desapareceu. Segundo a polícia estadual do Novo México, não havia suspeita de crime no momento das informações divulgadas. Seu marido também trabalhava no laboratório, e ela teria sido vista pela última vez após deixá-lo no trabalho.

No mês seguinte, em 22 de julho de 2025, o engenheiro Joshua LeBlanc morreu em um acidente de carro no Alabama. Ele trabalhava no NASA Marshall Space Flight Center e atuava em projetos de propulsão nuclear para missões espaciais a Marte. O veículo pegou fogo após sair da estrada, e as autoridades levaram três dias para identificar os restos mortais.

Em 8 de agosto de 2025, Steven Garcia desapareceu. Ele trabalhava como contratado do governo no Kansas City National Security Campus, instalação que produz componentes não nucleares usados em armas nucleares. Segundo relatos da imprensa local citados pela ABC News Australia, Garcia foi visto pela última vez saindo de casa a pé, levando uma arma.

Em dezembro (2025), outro nome passou a integrar a lista: Jason Thomas, diretor assistente de biologia química da farmacêutica Novartis. Ele havia desaparecido meses antes, e seu corpo foi retirado do Lake Quannapowitt, em Massachusetts. O médico legista de Middlesex County declarou que não houve envolvimento de terceiros, e familiares relataram que ele enfrentava dificuldades emocionais após a morte recente dos pais.

No mesmo mês, a morte do físico português Nuno Loureiro teve repercussão internacional. Loureiro era professor de física e engenharia nuclear do MIT e diretor do Plasma Science and Fusion Center, uma das áreas mais importantes de pesquisa em fusão nuclear nos Estados Unidos. Ele morreu em 16 de dezembro de 2025 após ser baleado em Brookline, Massachusetts. A polícia identificou o autor dos disparos como Claudio Manuel Neves Valente, também ligado ao ataque a tiros na Brown University ocorrido dias antes. O motivo do assassinato não foi estabelecido publicamente.

Em 16 de fevereiro de 2026, o astrofísico Carl Grillmair, pesquisador do Caltech, foi morto a tiros em sua propriedade em Llano, na Califórnia. Grillmair estudava exoplanetas, estrutura galáctica e matéria escura, e tinha ligação com o Infrared Processing and Analysis Center, centro associado a missões da NASA e da National Science Foundation. Um homem identificado como Freddy Snyder foi acusado de assassinato, roubo de carro e invasão. A viúva de Grillmair rejeitou a teoria de conspiração e disse à imprensa que acreditava em uma motivação local ligada a conflitos anteriores envolvendo o suspeito.

Ainda em 2026, o desaparecimento do major-general aposentado William Neil McCasland elevou o interesse público sobre o tema. Ele desapareceu em 27 de fevereiro, em Albuquerque, Novo México. McCasland foi comandante do Air Force Research Laboratory e teve ligação com a base de Wright-Patterson, frequentemente citada em teorias sobre UFOs. A esposa dele afirmou publicamente que considerava improvável que o desaparecimento tivesse relação com segredos militares antigos, já que ele havia se aposentado havia mais de uma década. Autoridades locais disseram à CBS News que, até aquele momento, não havia evidência de crime.

O caso que elevou a lista divulgada por parte da imprensa para 12 nomes foi o de David Wilcock, morto em 20 de abril de 2026, no Colorado. Wilcock era autor, youtuber e figura conhecida do movimento de divulgação sobre UFOs, mas não era cientista de laboratório nuclear, aeroespacial ou acadêmico nos moldes dos demais nomes. O Boulder County Coroner’s Office identificou oficialmente Wilcock e divulgou declaração da família afirmando que ele morreu por suicídio após um longo período de depressão e dificuldades financeiras.

Por isso, a formulação mais precisa é dizer que há pelo menos dez casos sob atenção formal de parlamentares americanos, enquanto a lista ampliada que circula na imprensa e nas redes chegou a 12 nomes, incluindo pessoas que não eram cientistas ou que não tinham vínculo direto conhecido com programas nucleares e aeroespaciais classificados.

No meio acadêmico e científico tradicional, especialistas alertam que teorias conspiratórias podem conectar episódios reais sem evidências concretas. A própria ABC News Australia citou análise do investigador e escritor científico Mick West, segundo a qual a força de trabalho americana com autorização de segurança em áreas aeroespaciais e nucleares é enorme, o que torna estatisticamente esperadas milhares de mortes naturais ao longo de meses. A frase que resume essa posição é que as mortes são reais, a dor das famílias é real, mas o padrão não está demonstrado.

Mesmo assim, o assunto passou a ser tratado com mais seriedade em Washington porque envolve profissionais, ex-profissionais e contratados ligados a estruturas estratégicas dos Estados Unidos. O Comitê de Supervisão afirmou que, se os relatos forem corretos, as mortes e desaparecimentos poderiam representar ameaça à segurança nacional e à proteção de pessoas com acesso a informações científicas sensíveis.

Até o momento, nenhuma investigação oficial confirmou a existência de um programa clandestino relacionado à antigravidade, energia de ponto zero ou engenharia reversa de tecnologia não humana conectado diretamente a essas mortes e desaparecimentos. Também não há prova pública de uma operação estrangeira, embora parlamentares tenham citado essa possibilidade como uma linha de investigação.

O que permanece é uma combinação de fatos reais, lacunas de informação, sigilo governamental, casos criminais isolados, desaparecimentos sem solução, mortes por causas pessoais ou acidentais e um ambiente global marcado pela disputa tecnológica e militar entre grandes potências. É justamente nesse espaço entre o confirmado, o não explicado e o especulativo que as teorias continuam crescendo.

Foto: Canva

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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