
Tóquio - O Japão registrou aumento de 60% nos gastos com benefícios por afastamento de trabalhadores nos últimos cinco anos, com total de 610 bilhões de ienes pagos em 2023. Desse conjunto, cerca de 40% dos casos estão relacionados à saúde mental. Veja os motivos dos afastamentos.
O cenário indica pressão crescente sobre os trabalhadores para sustentar o ritmo da economia, segundo o Kantenna.
No país, existe o sistema de benefícios por doença, o shōbyō teatekin (傷病手当金), que garante renda a trabalhadores afastados por doença ou lesão não relacionada ao trabalho por quatro dias consecutivos ou mais. O valor é calculado com base no salário mensal padrão e pode ser recebido por até 18 meses acumulados.
Em 2023, os pagamentos atingiram 610 bilhões de ienes, o dobro do registrado dez anos antes.
Levantamento da Japan Health Insurance Association (JHIA) realizado em 2024 mostra que transtornos mentais e comportamentais responderam por 39% de todos os pedidos, sendo a maior categoria isolada. Entre os homens, 36% dos casos estão ligados à saúde mental, enquanto entre as mulheres o índice chega a 43%.
Em termos históricos, os transtornos mentais representavam apenas 4,45% dos pedidos em 1995. Em 2021, o índice subiu para 33% e, em 2023, chegou a 39%.
Em relação aos acidentes de trabalho, os pedidos ligados à saúde mental somaram 1.055 em 2024, ultrapassando mil pela primeira vez. O total de solicitações chegou a 3.780, marcando seis anos consecutivos de recorde. Desse total, 88 casos envolveram suicídio ou tentativa de suicídio.
Embora a média anual de horas trabalhadas no Japão seja de 1.607, abaixo de países como Estados Unidos e Coreia do Sul, o dado não reflete totalmente a realidade devido às horas extras não remuneradas.
Trabalhar mais de 60 horas por semana é considerado a linha do karōshi, associada a doenças cardiovasculares e transtornos mentais. Uma pesquisa apontou que 31% dos pediatras em hospitais trabalham acima desse limite.
Entre os fatores que mais afetam a saúde mental, o levantamento indica que 224 casos em 2024 estavam relacionados a assédio por superiores, 119 à carga de trabalho e 108 a assédio cometido por clientes.
Foto: Canva








































