Japão aprova revisão de lei imperial e mantém sucessão masculina

2026/07/17 17:31
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Tóquio – O Parlamento japonês aprovou nesta sexta-feira (17) uma revisão da Lei da Casa Imperial para enfrentar o problema da redução do número de integrantes da família imperial. No entanto, manteve o tradicional sistema de sucessão ao trono restrito aos homens da linhagem masculina, apesar do amplo apoio popular à possibilidade de mulheres se tornarem imperatrizes reinantes. A aplicação das novas regras ainda depende da promulgação e da entrada em vigor da lei.

Essa foi a primeira revisão substancial da lei de 1947 e introduziu duas mudanças: permitiu a adoção de homens com 15 anos ou mais pertencentes a antigos ramos da família imperial e descendentes de imperadores pela linhagem masculina; e autorizou que integrantes do sexo feminino mantenham o status imperial mesmo após se casarem com plebeus, segundo a Kyodo.

A possibilidade de adoção já havia sido considerada inviável, mas a mudança aprovada pela Câmara dos Conselheiros abriu caminho para que descendentes homens e solteiros das 11 antigas famílias colaterais, que perderam o status imperial décadas atrás, possam ingressar na atual família imperial, composta por 16 integrantes.

A primeira-ministra Sanae Takaichi apoiou a proposta, alegando que o objetivo é “garantir um número estável de membros da família imperial”. O Partido Democrático Constitucional do Japão e outras siglas menores votaram contra o projeto. Já o Partido Democrático para o Povo, o Komeito e o Sanseito apoiaram a proposta.

A linha de sucessão ao trono, atualmente ocupado pelo imperador Naruhito, conta com apenas três homens. O imperador e a imperatriz Masako, que antes do casamento era plebeia, têm uma filha, a princesa Aiko, de 24 anos, que não pode ascender ao trono por ser mulher.

Pelas novas regras, Aiko poderá se casar com um plebeu e manter o status imperial. Seu marido e seus eventuais filhos, no entanto, não passarão a integrar a família imperial e continuarão sendo considerados cidadãos comuns.

A lei de 1947 entrou em vigor quando o Japão estava sob ocupação dos Estados Unidos, após a Segunda Guerra Mundial. Naquela época, 51 integrantes dos 11 antigos ramos foram excluídos da família imperial.

A legislação estabeleceu que o trono “será sucedido por um descendente homem da linhagem masculina pertencente à linhagem imperial”, princípio que permanece inalterado até hoje e impede que princesas ascendam ao trono como imperatrizes reinantes.

A decisão vai na direção contrária ao apoio majoritário da população a uma mudança nas regras de sucessão. Uma pesquisa da Kyodo mostrou que 83% dos entrevistados apoiavam a possibilidade de imperatrizes reinantes, enquanto 13,1% eram contrários.

O novo sistema estabelecido pela revisão da lei poderá ser reavaliado a cada 30 anos, caso seja necessário, levando em consideração os avanços obtidos para garantir sua sustentabilidade.

A mudança fazia parte do acordo firmado entre o Partido Liberal Democrata, de Takaichi, e o Partido da Inovação do Japão, quando as duas siglas formaram uma coalizão em 20 de outubro de 2025.

A monarquia hereditária do Japão teria mais de 2.600 anos, incluindo os primeiros imperadores, cuja existência é contestada, além de várias imperatrizes reinantes de séculos passados. Ainda assim, a linhagem sucessória sempre foi transmitida pelo lado masculino.

Foto: Canva
Palácio Imperial em Tóquio

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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