Japão pode ter 4,48 milhões de idosos sem parentes até 2050

Tóquio – Dentro de 24 anos, o Japão deverá ter 4,48 milhões de idosos sem parentes próximos, o equivalente a um em cada nove idosos. Para enfrentar esse cenário, o governo prepara um sistema de apoio voltado às necessidades do dia a dia, hospitalizações e procedimentos após a morte.
Recentemente, um idoso morreu e, em seu funeral, realizado em Osaka, não havia ninguém para prestar as últimas homenagens. Na mesma instalação funerária, havia outros seis corpos aguardando cerimônias, enquanto os funerais de outros dois idosos haviam acabado de ser realizados. Todos eram idosos sem parentes com quem pudessem contar, noticiou o News on Japan.
A projeção de que o Japão terá 4,48 milhões de idosos sem parentes próximos até 2050 é do Japan Research Institute. Em 2024, a estimativa era de 2,86 milhões de idosos sem parentes até o terceiro grau.
Quando o falecido não tem parentes para custear o funeral e não deixou recursos suficientes, em geral, o governo municipal arca com os custos. Para isso, as funerárias apresentam à prefeitura documentos comprovando a realização da cerimônia, juntamente com a cobrança das despesas.
O responsável por uma funerária afirmou que, mesmo quando as cerimônias não contam com a presença de outras pessoas, os falecidos devem ser tratados com dignidade, com o preparo dos corpos seguindo os procedimentos de praxe.
Para lidar com essa realidade, o Parlamento japonês aprovou, em junho, a revisão da Lei de Assistência Social e de outras legislações relacionadas ao tema, com o objetivo de reforçar o apoio aos idosos sem parentes.
O plano do governo é que os conselhos de assistência social, que já acompanham idosos e pessoas com deficiência, também ofereçam apoio nas atividades do cotidiano e cuidem dos procedimentos necessários após a morte.
A previsão é de que essa assistência seja gratuita ou oferecida a baixo custo para pessoas com poucos recursos financeiros. O Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar pretende colocar o novo sistema em funcionamento até junho de 2028.
Empresas já atuam nessa área
O governo está entrando agora em uma área na qual empresas especializadas já oferecem serviços.
É o caso da Akari Hosho, de Osaka, que presta assistência a idosos sem apoio familiar e conta com profissionais de diferentes áreas, entre eles, advogados e gerentes de cuidados assistenciais.
Recentemente, uma gerente de cuidados foi até a casa de um cliente de 83 anos, que mora sozinho na cidade de Ibaraki, na província de Osaka, e verificou quais eram os desejos dele para o caso de se tornar incapaz de se comunicar ou de tomar decisões por conta própria.
O idoso já havia deixado claro que não queria procedimentos para prolongar a vida, como ressuscitação cardiopulmonar ou uso de respirador artificial. Seu desejo era passar os últimos momentos de vida em casa.
Com base nessas orientações, a empresa pode oferecer o apoio adequado em situações que, normalmente, ficariam sob a responsabilidade de parentes.
A assistência inclui outras frentes, como acompanhar os clientes a instituições financeiras para ajudá-los a administrar o dinheiro, auxiliá-los nas compras em supermercados e até carregar objetos pesados.
Esse tipo de serviço é mais comum nas regiões metropolitanas. Já nas áreas rurais, muitas pessoas ainda dependem da ajuda mútua e informal de vizinhos e outros moradores da comunidade.
Foto: Canva








































