Japão investe em materiais biodegradáveis para reduzir o lixo nos oceanos

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Tóquio – Tornou-se cada vez mais comum encontrar vídeos na internet mostrando pescadores ou mergulhadores libertando animais marinhos presos em redes e anzóis. Atento a esse problema, o Ministério da Indústria do Japão está apoiando o desenvolvimento de novos materiais plásticos que se decomponham naturalmente no mar, sem afetar a fauna e a flora marinha.

O lixo que invade os oceanos — do Ártico à Antártida —, além de rios e praias, já é considerado um problema grave, segundo a Foundation Tara Océan. Em seu site, a organização divulgou que 93% do lixo plástico nos mares tem menos de 5 milímetros, o que facilita sua ingestão por peixes e outros animais marinhos.

A decisão do governo japonês integra os esforços para atingir a meta de zerar a geração de lixo plástico marinho até 2040, segundo a agência Jiji. Isso porque, até lá, a previsão é de que o volume de resíduos plásticos nos mares triplique, de acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), citado pela Reuters.

Para se ter uma ideia da dimensão do problema, em julho passado o Fundo Mundial para a Natureza (WWF) do Japão retirou das águas próximas à Ilha Tatara, na província de Nagasaki, um pedaço de plástico com 3 metros de comprimento e 1 metro de largura. A operação, que durou três meses, custou ¥ 500.000 e envolveu a remoção de redes e cordas de pesca enredadas.

Segundo a WWF, até 2015 eram lançados nos oceanos, anualmente, cerca de 9,1 milhões de toneladas métricas de resíduos plásticos — o equivalente ao material necessário para fabricar aproximadamente 56.000 aviões a jato. Esses resíduos são absorvidos por organismos marinhos e também impactam negativamente setores como a pesca e o turismo. Há ainda estimativas de que, até 2050, o peso total de plásticos nos oceanos possa exceder o de peixes.

Diante disso, o Ministério da Indústria, por meio da Organização para o Desenvolvimento de Novas Energias e Tecnologias Industriais (NEDO), está apoiando a criação de plásticos biodegradáveis que se decomponham em água e dióxido de carbono pela ação de microrganismos no mar.

O governo japonês já lançou um plano quinquenal, iniciado no ano fiscal de 2025, que prevê o desenvolvimento de materiais capazes de permanecer por alguns anos na água antes de se decompor gradualmente.

Novos materiais em teste

A empresa Nisshinbo Chemical, apoiada pela NEDO, já desenvolveu uma tecnologia que promove a decomposição de um material por meio de aditivos. Pesquisas estão em andamento para melhorar sua durabilidade, e a companhia pretende futuramente comercializar diferentes tipos de materiais com taxas variadas de decomposição.

Em junho passado, pesquisadores do Riken Center for Emergent Matter Science e da Universidade de Tóquio anunciaram ter criado um plástico que se dissolve em água do mar em poucas horas, sem deixar resíduos.

No laboratório em Wako, perto de Tóquio, os cientistas do Riken Center testaram um pedaço desse plástico em um recipiente com água salgada. O material desapareceu após cerca de uma hora de agitação.

Segundo o líder do projeto, Takuzo Aida, o produto já despertou o interesse de empresas — inclusive do setor de embalagens —, mas ainda não há planos de comercialização.

Autoridades do Ministério da Indústria afirmam que o desenvolvimento desse tipo de material é caro, mas destacam que a força tecnológica do Japão em plásticos biodegradáveis é elevada, e que a demanda internacional será alta caso o país consiga lançar novos materiais antes do restante do mundo.

Foto: Banco de Imagem/ IA

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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