Grande desastre pode derrubar internet e celular; veja como se preparar no Japão

Tóquio – Água, alimentos, lanternas e baterias estão entre os itens mais lembrados quando se fala em preparação para um grande terremoto no Japão. Mas existe outro risco que pode complicar seriamente a vida da população depois de um desastre de grandes proporções: ficar sem internet ou sem conseguir utilizar normalmente as redes de telefonia celular.
Um terremoto de grande magnitude pode danificar antenas, interromper o fornecimento de energia e afetar cabos e outros equipamentos de telecomunicações. Mesmo quando a infraestrutura permanece funcionando, milhões de pessoas tentando telefonar ou acessar a rede simultaneamente podem provocar congestionamentos.
Por isso, parte da preparação para um eventual grande terremoto, como o temido terremoto da Fossa de Nankai, deve ser feita enquanto ainda há energia, internet e tempo para organizar informações.
Isso significa baixar mapas, instalar aplicativos, salvar documentos, combinar pontos de encontro com a família, aprender a usar os serviços de emergência e até manter uma lista de contatos em papel.
O princípio é simples: o telefone pode continuar sendo uma ferramenta extremamente útil depois de um desastre, mas é preciso prepará-lo antes.
Baixe mapas para usar sem internet
Uma das providências mais importantes é deixar mapas da região armazenados no próprio celular.
Tanto o Apple Maps como o Google Maps permitem baixar previamente determinadas áreas para consulta quando não houver conexão.
Nos aparelhos da Apple com sistemas compatíveis, é possível selecionar uma determinada região e armazená-la no iPhone. Os mapas baixados podem fornecer informações sobre estabelecimentos e rotas de carro, a pé, de bicicleta e, dependendo da área, transporte público, mesmo quando o aparelho está sem Wi-Fi ou rede celular.
No Google Maps também é possível baixar uma área antecipadamente. Há, porém, uma diferença importante: sem internet, o Google informa que não oferece instruções de rota a pé, de bicicleta ou por transporte público. A navegação de carro pode funcionar desde que toda a rota esteja dentro da região previamente baixada. Informações de trânsito e rotas alternativas também deixam de estar disponíveis.
Para quem mora no Japão, não basta necessariamente baixar apenas o pequeno entorno da residência. Dependendo do espaço disponível no telefone, pode ser útil armazenar uma área maior, incluindo cidades vizinhas e caminhos até locais importantes.
Também é recomendável salvar ou tirar capturas de tela de informações como:
• endereço da residência em japonês;
• localização dos abrigos mais próximos;
• rotas de evacuação;
• mapas de risco da prefeitura;
• hospitais;
• delegacias;
• escolas dos filhos;
• casa de familiares;
• pontos elevados indicados para evacuação em áreas com risco de tsunami.
O GPS não depende diretamente da internet para receber sinais dos satélites. Assim, um smartphone pode continuar determinando aproximadamente a localização mesmo sem conexão. O problema é que, sem um mapa armazenado no aparelho, essa localização pode ser muito menos útil.
Mapas impressos continuam importantes
Mesmo com todos esses recursos, não é prudente depender exclusivamente do telefone.
Uma bateria descarregada, um aparelho quebrado ou perdido pode eliminar de uma vez todos os recursos digitais.
Por isso, é recomendável manter também um mapa impresso do bairro, com a localização da residência, abrigos, hospitais, escolas e pontos de encontro da família.
Os mapas de risco, chamados de hazard maps no Japão, também devem ser consultados antecipadamente. Eles mostram, dependendo do município, áreas sujeitas a tsunami, inundação, deslizamentos e outros riscos.
A própria orientação japonesa de prevenção recomenda que mapas de emergência contenham contatos, locais de evacuação, pontos de encontro da família, informações sobre o serviço 171 e até frequências de rádio que possam ser utilizadas para obtenção de informações.
Bitchat permite trocar mensagens sem internet
Uma alternativa relativamente nova chama a atenção justamente porque pode funcionar sem internet, Wi-Fi convencional ou rede de telefonia celular.
O bitchat foi desenvolvido inicialmente por Jack Dorsey, cofundador do Twitter e fundador da Block. O aplicativo utiliza Bluetooth Low Energy para estabelecer comunicação direta entre aparelhos próximos.
Em vez de depender de uma antena ou servidor central para levar uma mensagem de um celular a outro, aparelhos próximos podem formar uma rede chamada mesh.
Nela, um telefone pode transmitir uma mensagem para outro aparelho, que por sua vez pode retransmiti-la para outros usuários. A versão atual do projeto utiliza comunicação Bluetooth entre aparelhos próximos e pode retransmitir mensagens por múltiplos dispositivos. Quando há internet disponível, o aplicativo também pode usar o protocolo Nostr como outra forma de comunicação.
Em uma situação de desastre, isso significa que pessoas próximas podem continuar trocando mensagens mesmo que a rede celular tenha parado.
O sistema pode ser útil, por exemplo, dentro de:
• abrigos;
• condomínios;
• bairros;
• empresas;
• fábricas;
• escolas;
• grupos de pessoas que estejam tentando localizar familiares.
Mas é importante entender a limitação.
O bitchat não cria uma nova internet e não permite simplesmente conversar com qualquer pessoa a quilômetros de distância quando não existe infraestrutura de comunicação.
No modo exclusivamente Bluetooth, é necessário haver outros aparelhos utilizando o sistema nas proximidades. Quanto mais usuários houver entre o remetente e o destino, maior a possibilidade de uma mensagem ser retransmitida pela rede mesh.
Por isso, se uma família pretende utilizar esse tipo de recurso como alternativa de comunicação, o aplicativo precisa ser instalado e conhecido antecipadamente por seus integrantes.
Não adianta descobrir a existência dele depois que a internet já caiu.
Bitchat para iOS: bitchat mesh e versão Android na Play Store: bitchat
Defina onde a família vai se encontrar
Existe, porém, uma solução que não depende de aplicativo, satélite, Wi-Fi ou Bluetooth: combinar tudo antecipadamente.
Os integrantes de uma família podem estar em lugares completamente diferentes quando ocorrer um terremoto.
Um estará trabalhando, outro poderá estar na escola, outro fazendo compras ou dirigindo.
Por isso, as autoridades japonesas recomendam que as famílias determinem previamente contatos, locais de evacuação e pontos de encontro caso fiquem separadas.
Uma família pode, por exemplo, definir três possibilidades:
Ponto 1: um local seguro próximo de casa.
Ponto 2: o abrigo municipal designado para o bairro.
Ponto 3: um local alternativo caso seja necessário abandonar a região.
A regra precisa ser conhecida por todos, inclusive pelas crianças de idade suficiente para compreendê-la.
Se a comunicação desaparecer, cada integrante saberá para onde ir ou onde procurar os demais.
Tenha telefones e endereços escritos em papel
Outro problema criado pela dependência dos smartphones é que muitas pessoas já não sabem de memória nem mesmo os números de telefone dos familiares.
Se o aparelho for perdido, quebrado ou ficar sem bateria, os contatos também desaparecem.
Uma pequena ficha dentro da carteira, bolsa ou kit de emergência pode conter:
• telefone do marido ou esposa;
• telefones dos filhos;
• contato da escola;
• telefone da empresa;
• contato de parentes;
• endereço residencial completo;
• endereço do abrigo;
• contato da prefeitura;
• seguradora;
• números importantes relacionados à saúde.
Os pais também podem colocar uma ficha com informações de contato dentro da mochila ou bolsa das crianças.
Escolha um parente distante como ponto de contato
Outra estratégia útil é escolher antecipadamente uma pessoa que more fora da região afetada para funcionar como uma espécie de central de informações da família.
Imagine que uma família more em Aichi e todos tenham dificuldade para conversar entre si depois de um grande terremoto.
Talvez um dos integrantes consiga enviar uma mensagem para um parente em outra região do Japão.
Os demais podem fazer o mesmo.
Essa pessoa passa a receber informações como:
“Estou bem.”
“Estou no abrigo.”
“Não consegui voltar para casa.”
Dessa forma, mesmo que os integrantes não consigam contato direto entre si, existe uma pessoa de referência fora da área atingida que sabe a situação de cada um.
Aprenda agora como funciona o 171
O Japão possui um sistema especificamente criado para ajudar na comunicação depois de grandes desastres.
É o 災害用伝言ダイヤル, Saigai-yō Dengon Dial, ou serviço de mensagens de emergência para desastres.
O número é simples:
171
Quando o sistema é ativado devido a um grande desastre, uma pessoa pode telefonar para o 171 e deixar uma gravação vinculada a um número de telefone. Familiares podem posteriormente acessar o serviço e ouvir a mensagem.
O sistema funciona como uma espécie de caixa postal de emergência.
De acordo com a NTT, as mensagens de voz podem ter até 30 segundos e o serviço permite utilizar números de telefone fixo, celular ou IP para identificação, conforme as condições determinadas quando o sistema é ativado.
Também existe o 災害用伝言板, Saigai-yō Dengonban, conhecido como web171, que oferece um sistema semelhante por meio da internet.
Um detalhe importante é que não é necessário esperar uma tragédia para aprender a utilizá-los.
A NTT disponibiliza períodos regulares de treinamento do 171 e do web171.
Entre eles estão:
• dias 1º e 15 de cada mês;
• os três primeiros dias do ano;
• Semana de Prevenção de Desastres, entre 30 de agosto e 5 de setembro;
• Semana de Prevenção de Desastres e Voluntariado, entre 15 e 21 de janeiro.
A finalidade desses períodos é justamente permitir que a população aprenda a utilizar os sistemas antes de uma emergência real.
Famílias podem aproveitar um desses dias para fazer um teste e explicar aos filhos como o sistema funciona.
Procure o 00000JAPAN
Quando um grande desastre ou uma interrupção grave das telecomunicações afeta uma região, outra possibilidade é o 00000JAPAN, conhecido como Five Zero Japan.
Trata-se de uma rede pública de Wi-Fi que pode ser aberta gratuitamente durante emergências.
Quando o serviço é disponibilizado, basta abrir a lista de redes Wi-Fi do telefone e procurar:
00000JAPAN
Não é necessário ser cliente da operadora responsável pelo ponto de acesso. Também não é necessário informar identificação ou senha para fazer a conexão.
O sistema já foi utilizado em situações reais de desastre no Japão. Em julho de 2026, por exemplo, a KDDI anunciou a abertura do 00000JAPAN em áreas de Kumamoto afetadas por um terremoto.
Há duas limitações importantes. A primeira é que o 00000JAPAN só funciona perto de um ponto público de Wi-Fi participante. A segunda é relacionada à segurança.
Para facilitar o acesso durante uma emergência, a comunicação não é criptografada. A própria KDDI recomenda evitar operações como internet banking, compras on-line e transmissão de informações pessoais importantes enquanto estiver conectado ao sistema.
A prioridade deve ser utilizá-lo para verificar informações oficiais, comunicar-se com familiares e obter orientações de emergência.
iPhone pode enviar mensagens por satélite no Japão
Outra alternativa que passou a estar disponível no Japão são as mensagens por satélite.
Desde dezembro de 2025, proprietários de iPhone 14 ou modelos posteriores compatíveis podem utilizar comunicação via satélite para enviar mensagens quando estiverem fora da cobertura de celular e Wi-Fi.
Com iOS compatível, é possível enviar e receber iMessage e, conforme a operadora, SMS por satélite.
Para estabelecer a comunicação, normalmente é necessário estar ao ar livre, em um local onde seja possível visualizar amplamente o céu e o horizonte.
O próprio aparelho orienta o usuário sobre a direção em que deve posicioná-lo para conseguir conexão com o satélite.
A Apple também oferece no Japão o SOS de emergência via satélite, destinado a situações de emergência quando não existe rede convencional.
É importante diferenciar os dois recursos. A Apple orienta que, em uma emergência real, o usuário utilize o SOS de emergência via satélite, e não simplesmente o sistema comum de mensagens por satélite.
Existe ainda uma demonstração incorporada ao aparelho que permite aprender antecipadamente como fazer uma conexão via satélite, sem chamar os serviços de emergência.
Esse é justamente o tipo de recurso que deve ser testado antes de um desastre.
Instale aplicativos de emergência antes
Também é recomendável instalar antecipadamente aplicativos capazes de fornecer alertas e orientações.
Um deles é o Safety tips, desenvolvido para fornecer informações de emergência a estrangeiros no Japão.
O aplicativo oferece notificações sobre alertas antecipados de terremoto, tsunami e fenômenos meteorológicos, além de informações sobre o que fazer em uma situação de emergência.
Entre os idiomas disponíveis está o português.
O aplicativo evidentemente precisa de alguma conexão para receber novas informações, mas precisa estar instalado e configurado antes que uma emergência ocorra.
O mesmo princípio vale para aplicativos da prefeitura, sistemas de alerta, aplicativos meteorológicos e outros serviços considerados importantes.
Salve documentos importantes no próprio aparelho
Outra precaução é evitar depender exclusivamente de serviços na nuvem.
Google Drive, iCloud e outros sistemas são extremamente úteis, mas podem se tornar inacessíveis temporariamente sem internet.
Por isso, cópias de documentos ou informações essenciais também podem ser armazenadas localmente no telefone, tomando os devidos cuidados com senha e segurança.
Entre os documentos que podem ser úteis estão:
• passaporte;
• zairyū card;
• informações do seguro de saúde;
• apólices de seguro;
• lista de medicamentos;
• informações médicas importantes;
• telefone e endereço da empresa;
• escola dos filhos;
• contatos de emergência;
• informações relacionadas à residência.
Uma cópia física de determinados documentos e contatos também pode ser mantida no kit de emergência.
Screenshots podem resolver problemas
Uma solução ainda mais simples é utilizar capturas de tela.
Elas ocupam relativamente pouco espaço e continuam disponíveis quando o celular fica completamente offline.
Antes de um desastre, podem ser armazenadas imagens contendo:
• mapas;
• rotas de evacuação;
• endereço de abrigos;
• informações da prefeitura;
• telefone da seguradora;
• endereço da escola;
• pontos de encontro;
• contatos;
• instruções médicas;
• localização de hospitais.
Quanto menos informações importantes dependerem de uma busca on-line, melhor.
Preserve a bateria
Todas essas ferramentas digitais têm um ponto fraco em comum: precisam de energia.
Por isso, celulares e baterias externas devem fazer parte da preparação.
O kit pode conter:
• power banks carregados;
• cabos compatíveis com todos os aparelhos da família;
• carregador para automóvel;
• adaptadores USB;
• pilhas;
• rádio a pilhas;
• eventualmente um carregador solar como recurso adicional.
Quando faltar energia, o telefone deve ser tratado como equipamento de emergência.
Reduzir o brilho da tela, ativar o modo de economia de bateria, limitar vídeos e outras atividades de alto consumo e desligar recursos desnecessários pode prolongar consideravelmente sua utilização.
Bluetooth e Wi-Fi podem ser desligados quando não forem necessários e reativados nos momentos de tentativa de comunicação. Se a família estiver utilizando uma rede mesh como o bitchat, naturalmente o Bluetooth precisará permanecer ativado durante a comunicação.
Não abandone o rádio
Em uma sociedade dominada pelo smartphone, o rádio portátil pode parecer ultrapassado.
Mas continua sendo uma importante ferramenta de emergência.
O governo japonês inclui o rádio portátil e baterias extras entre os itens recomendados para preparação diante de terremotos. Também recomenda que a população conheça previamente as frequências que podem ser utilizadas para obter informações durante uma emergência.
Em caso de interrupções de internet e telefonia, emissoras podem continuar transmitindo informações sobre:
• tsunami;
• incêndios;
• áreas de evacuação;
• distribuição de água;
• funcionamento de abrigos;
• estradas;
• transportes;
• orientações das autoridades.
Um rádio AM/FM pequeno, alimentado por pilhas ou dotado de sistema de recarga manual, pode permanecer dentro do kit de emergência.
Evite gastar bateria tentando telefonar sem parar
Imediatamente depois de um grande terremoto, muitas pessoas tendem a fazer a mesma coisa: pegar o telefone e ligar para familiares.
O resultado pode ser um enorme congestionamento da rede.
Se uma ligação não completar, repetir dezenas de vezes a mesma tentativa também consumirá bateria.
Quando houver algum tipo de comunicação disponível, mensagens curtas podem ser mais eficientes.
A família pode até combinar previamente uma mensagem padrão, como:
“Estou bem. Estou no abrigo XX. Bateria 40%. Não precisa responder.”
Uma frase curta informa o essencial, reduz o uso da rede e evita uma longa conversa enquanto a bateria precisa ser preservada.
Outros recursos
Outros aplicativos podem ampliar as alternativas de comunicação, localização e consulta de informações quando a internet e as redes celulares não estiverem disponíveis. Mas todos precisam ser instalados, configurados e testados antecipadamente.
Walkie Talkie Offline: celular vira comunicador de curta distância
Existem atualmente diversos aplicativos chamados “Walkie Talkie Offline” ou com nomes muito semelhantes, tanto para Android como para iPhone.
A proposta é transformar dois ou mais smartphones próximos em uma espécie de walkie-talkie, permitindo comunicação de voz sem depender da internet ou da rede de telefonia celular.
Uma das versões disponíveis atualmente para Android, chamada Walkie Talkie offline, utiliza Wi-Fi Direct, Bluetooth ou uma rede Wi-Fi local para permitir conversas por voz, troca de mensagens de texto e até sinalização para transferência de arquivos entre aparelhos próximos. Não exige conta e, segundo o desenvolvedor, a comunicação ocorre diretamente entre os dispositivos.
Há também versões disponíveis para iPhone que utilizam comunicação direta entre aparelhos próximos. Uma delas combina Bluetooth, com alcance anunciado de aproximadamente 50 metros, e comunicação através de uma rede Wi-Fi local.
É importante, porém, não confundir esses aplicativos com rádios verdadeiros. O alcance depende dos aparelhos, obstáculos, interferências e da tecnologia utilizada. Eles são mais adequados para manter contato entre pessoas relativamente próximas, como integrantes de uma família dentro de um abrigo, condomínio, escola ou área de evacuação.
Também é recomendável que todos os integrantes da família instalem e testem previamente o mesmo aplicativo. Durante uma emergência, descobrir que cada pessoa instalou uma versão incompatível pode tornar o recurso inútil.
Android:
Walkie Talkie offline no Google Play
iPhone:
Offline Walkie Talkie na App Store
Organic Maps: mapas e navegação praticamente totalmente offline
Entre os aplicativos de mapas, uma alternativa interessante é o Organic Maps.
Ele utiliza os dados colaborativos do OpenStreetMap e foi desenvolvido especificamente para funcionar offline. Depois que os mapas necessários são baixados, é possível consultar ruas e estabelecimentos, pesquisar locais e utilizar navegação sem conexão ativa com a internet.
O aplicativo oferece navegação passo a passo para trajetos a pé, de bicicleta e de carro, pesquisa offline e armazenamento de mapas completos de cidades e regiões. Segundo o projeto, não possui anúncios, não exige cadastro e não utiliza rastreamento publicitário.
Para uma família que esteja se preparando para um grande terremoto no Japão, pode ser uma ferramenta particularmente útil.
Uma pessoa que mora em Aichi, por exemplo, pode baixar antecipadamente os mapas da província e de regiões vizinhas. Se as redes celulares ficarem indisponíveis, o GPS do telefone poderá continuar fornecendo a posição, enquanto o mapa já armazenado permite identificar ruas e caminhos.
O Organic Maps informa que suas principais funções podem operar sem conexão depois que os mapas foram baixados.
Isso o torna uma alternativa interessante ao Google Maps, principalmente porque a navegação offline do Google possui limitações para trajetos a pé e por transporte público.
Antes de um desastre, é recomendável baixar:
• a região onde fica a residência;
• a região do local de trabalho;
• áreas onde ficam as escolas dos filhos;
• cidades vizinhas;
• possíveis rotas até familiares;
• áreas para onde poderá ser necessário evacuar.
Os mapas também devem ser atualizados periodicamente.
Site oficial e downloads:
Organic Maps
App Store:
Organic Maps para iPhone e iPad
Bridgefy: mensagens por Bluetooth sem internet
Outro aplicativo que pode ser útil é o Bridgefy.
O nome às vezes aparece incorretamente nas redes sociais como “Bridgfly”, mas o aplicativo se chama Bridgefy.
Sua proposta é bastante semelhante à do bitchat: permitir a troca de mensagens quando não existe conexão com a internet.
O Bridgefy utiliza Bluetooth para estabelecer comunicação entre aparelhos próximos. Segundo a empresa, usuários podem conversar diretamente a distâncias de até aproximadamente 100 metros em condições adequadas.
O sistema também utiliza aparelhos intermediários para retransmitir mensagens. Assim, se duas pessoas estiverem além do alcance direto uma da outra, outros usuários do Bridgefy localizados entre elas podem funcionar como pontos de retransmissão da mensagem.
Essa característica pode ser particularmente interessante em:
• grandes abrigos;
• escolas;
• fábricas;
• condomínios;
• áreas densamente povoadas;
• grandes filas de evacuação;
• locais de distribuição de água e alimentos.
Existe, entretanto, um detalhe extremamente importante para preparação contra desastres.
O Bridgefy precisa ser aberto pela primeira vez quando ainda existe internet para que a ativação e o login sejam realizados. Depois dessa primeira configuração, o aplicativo pode operar sem conexão para a comunicação local por Bluetooth.
Portanto, baixar o Bridgefy depois que a internet caiu pode não resolver o problema.
No Japão, a versão para iPhone está atualmente disponível inclusive em japonês e português. A App Store informa que o aplicativo exige iOS 16.6 ou posterior.
Site oficial:
Bridgefy
App Store do Japão:
Bridgefy para iPhone
Kiwix: uma biblioteca inteira dentro do celular
O Kiwix tem uma função diferente dos aplicativos de comunicação.
Ele não serve para mandar mensagens nem para acessar a internet quando a conexão cai.
Sua proposta é permitir que grandes quantidades de informação sejam baixadas previamente e armazenadas no celular ou computador para consulta posterior sem internet.
O aplicativo permite armazenar conteúdos como Wikipedia, livros do Project Gutenberg, materiais educacionais, informações de referência e outras coleções. Depois de baixados, esses conteúdos podem ser pesquisados e consultados completamente offline.
Por isso, chamar o Kiwix de “Google offline” é uma simplificação.
Ele não pesquisa toda a internet. Na realidade, funciona como uma biblioteca digital instalada no próprio aparelho.
O usuário escolhe antecipadamente quais coleções deseja baixar.
É possível, por exemplo, armazenar uma versão da Wikipedia inteira ou selecionar conjuntos menores. Isso exige atenção ao espaço disponível no telefone, porque algumas coleções podem ocupar muitos gigabytes.
A versão completa da Wikipedia em inglês com imagens, por exemplo, já ultrapassa 100 GB. Existem, entretanto, versões menores e conteúdos sem todas as imagens.
Para preparação contra desastres, o Kiwix pode ser interessante principalmente para armazenar previamente materiais relacionados a:
• primeiros socorros;
• saúde;
• informações médicas;
• sobrevivência;
• manutenção;
• alimentação;
• informações gerais de referência;
• enciclopédias;
• manuais educacionais.
A grande vantagem é que, uma vez armazenado, o conteúdo não depende de antena, Wi-Fi, servidor externo ou conexão celular.
O aplicativo está disponível para Android, iPhone, iPad, Windows, macOS e Linux.
Site oficial e todas as opções de download:
Kiwix Downloads
App Store:
Kiwix para iPhone e iPad
Google Play:
Kiwix para Android
Não basta instalar: é preciso testar antes
Esses aplicativos têm uma característica em comum: praticamente todos dependem de alguma preparação prévia.
No caso do Organic Maps, os mapas precisam estar baixados.
No Kiwix, o conteúdo precisa ser armazenado no aparelho.
No Bridgefy, a ativação inicial exige internet.
Nos aplicativos de walkie-talkie, os aparelhos precisam ter versões compatíveis, permissões concedidas e configurações conhecidas pelos integrantes do grupo.
Por isso, uma boa preparação familiar não consiste apenas em instalar vários aplicativos.
O ideal é escolher dois ou três recursos, instalar nos celulares da família e fazer um teste real enquanto tudo está funcionando normalmente.
Uma família pode, por exemplo, desligar temporariamente os dados móveis e o Wi-Fi de internet e verificar se consegue:
• localizar a própria casa no Organic Maps;
• encontrar a rota até o abrigo;
• trocar mensagens entre dois celulares pelo Bridgefy;
• utilizar um aplicativo de walkie-talkie;
• consultar uma informação previamente armazenada no Kiwix.
Em uma emergência, ferramentas conhecidas e previamente testadas tendem a ser muito mais úteis do que uma longa lista de aplicativos que ninguém sabe utilizar.
Faça tudo enquanto a internet ainda funciona
A principal lição é que praticamente todas essas medidas dependem de preparação antecipada.
Depois que a rede caiu, já é tarde para descobrir que o mapa não foi baixado.
Também será tarde para procurar o aplicativo que deveria ter sido instalado, descobrir como funciona o 171, procurar o mapa do abrigo ou perceber que ninguém na família sabe onde se encontrar.
Por isso, algumas providências podem ser feitas agora:
• baixar mapas offline;
• salvar os mapas de risco da cidade;
• fotografar ou baixar documentos importantes;
• instalar aplicativos de emergência;
• testar o 171 em um dos dias disponíveis;
• conhecer o funcionamento do 00000JAPAN;
• verificar se o celular possui comunicação por satélite;
• instalar e conhecer alternativas de comunicação offline, como o bitchat;
• definir pontos de encontro da família;
• escolher um parente fora da região como contato de referência;
• escrever números de telefone em papel;
• imprimir um mapa da região;
• manter power banks carregados;
• preparar um rádio e pilhas.
As autoridades japonesas lembram que um desastre de grandes proporções pode interromper simultaneamente eletricidade, gás, água, telecomunicações e a distribuição de produtos. Para um terremoto da Fossa de Nankai, que poderá afetar uma enorme extensão do país, a recomendação é que as famílias estejam preparadas para um período prolongado de dificuldades.
Estocar água e alimentos é, portanto, apenas uma parte da preparação.
Num país onde praticamente toda a rotina depende do smartphone e da internet, saber continuar se orientando, recebendo informações e tentando localizar familiares quando as redes deixam de funcionar também pode ser decisivo nas primeiras horas e nos primeiros dias depois de um grande desastre.
Foto: Canva







































