Governo japonês cria órgão para reforçar controle sobre residentes estrangeiros

Tóquio — O governo japonês lançou, na terça-feira (15), um novo escritório ligado ao Secretariado do Gabinete para supervisionar políticas relacionadas aos residentes estrangeiros. O órgão lidará com questões como crimes e outros problemas atribuídos a esse grupo no país.
A medida, considerada eleitoreira por alguns, emerge como ponto-chave antes das eleições nacionais marcadas para domingo (20), segundo noticiou a Reuters. O secretário-chefe do Gabinete, Yoshimasa Hayashi, no entanto, negou que a iniciativa tenha caráter eleitoral.
Historicamente, o Japão procurou manter a homogeneidade de sua população, com leis de imigração bastante rígidas. Porém, devido à escassez de mão de obra para sustentar a economia, o país precisou abrir suas portas aos estrangeiros — grupo que, no ano passado, bateu o recorde de 3,8 milhões de residentes.
Embora os estrangeiros representem apenas 3% da população, crimes e outras infrações cometidas por esses residentes, ganham maior repercussão do que casos semelhantes envolvendo cidadãos japoneses.
A criação do novo órgão ocorre após um grupo de parlamentares do Partido Liberal Democrático (PLD), liderado pelo primeiro-ministro Shigeru Ishiba, propor, em junho, medidas para concretizar o que chamam de uma “sociedade de coexistência ordenada e harmoniosa com estrangeiros”.
Entre as propostas de Ishiba estão a adoção de requisitos mais rigorosos para estrangeiros que desejam obter uma carteira de motorista japonesa e restrições à compra de imóveis.
O governo enfrenta um delicado equilíbrio ao considerar regulamentações mais rigorosas, buscando ao mesmo tempo evitar acusações de discriminação.
Durante a cerimônia de lançamento do órgão, Ishiba declarou: “Crimes e condutas desordeiras de alguns estrangeiros, assim como o uso inadequado de diversos sistemas administrativos, criaram uma situação em que o público se sente desconfortável e enganado.”
O premiê também ressaltou que o Japão enfrenta uma taxa de natalidade em declínio e uma população envelhecida em constante redução. Acrescentou que é importante acolher a vitalidade de outros países, aceitando trabalhadores estrangeiros até certo ponto e incentivando maiores gastos de visitantes estrangeiros.
Pesquisas de opinião indicam um crescimento rápido na popularidade do pequeno partido radical Sanseito, defensor de regras mais rígidas para estrangeiros e de uma política migratória mais restritiva, com o lema “Japão em primeiro lugar”.
O novo escritório será chefiado pelo secretário-chefe adjunto do Gabinete, Wataru Sakata, que comandará uma equipe de 78 funcionários, incluindo membros da Agência de Serviços de Imigração.
Em relação às eleições para a Câmara Alta do Parlamento, marcadas para domingo, pesquisas apontam que o PLD e seu parceiro de coalizão, o partido Komeito, correm o risco de perder a maioria no pleito.
Foto: Banco de Imagem







































