Golpistas usam IA para se passar por policiais em videochamadas

2026/09/25 09:39
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Osaka – A polícia do Japão está alertando a população para que fique atenta aos golpes praticados por criminosos que se passam por policiais. As autoridades investigam agora a possibilidade de os golpistas estarem usando inteligência artificial (IA) generativa para criar identidades falsas, os chamados deepfakes, durante videochamadas e tornar as fraudes mais convincentes.

Recentemente, a Polícia da Província de Osaka divulgou parte de uma videochamada real utilizada em agosto em um golpe de falso policial, publicou o News on Japan.

Os investigadores acreditam que o suposto agente que aparece na tela pode ser, na verdade, uma pessoa diferente, cuja aparência teria sido criada ou alterada com o uso de IA generativa.

Uma mulher na faixa dos 30 anos, residente na região de Kansai, foi alvo desse tipo de golpe em junho.

Segundo a polícia, o primeiro contato foi feito por um homem que se apresentou como Sato, da Divisão de Segurança Comunitária da Polícia da Província de Aichi.

O suposto policial disse: “Meu nome é Sato, da Divisão de Segurança Comunitária. Quando digo que isso está relacionado a um caso, alguma coisa lhe vem à mente?”.

A mulher, surpresa, respondeu: “Não, absolutamente nada”.

Então, o homem afirmou que um cartão bancário em nome dela estava relacionado a um caso criminal e que ela era suspeita de envolvimento com um grupo de fraudadores.

A mulher contou à polícia que o homem também afirmou que sua conta bancária poderia ter sido usada em um crime.

“O homem falava sem parar, apresentando as acusações contra mim e outros detalhes. Ele agiu de tal forma que eu sentia que não conseguia contestá-lo”, relatou.

Depois, durante a videochamada, apareceu outro homem, que se identificou como Inoue e afirmou ser o policial responsável pela investigação da fraude. Ele chegou a mostrar à câmera algo semelhante a uma identificação policial e começou a interrogar a mulher de maneira intimidadora.

O suposto policial questionou: “Neste momento, não existe alguma coisa que você esteja escondendo de nós, alguma coisa que precise nos contar honestamente?”.

Antes que a mulher pudesse responder, o homem prosseguiu: “Você não pode revelar informações da investigação a ninguém, seja a familiares, amigos, pessoas do trabalho ou vizinhos. Se uma terceira pessoa tomar conhecimento dessas informações, talvez também tenhamos de interrogá-la”.

O diálogo seguiu por mais de uma hora. Mas a mulher passou a desconfiar de toda aquela situação porque os homens tentavam repetidamente obter suas informações pessoais. Ela decidiu, então, encerrar a chamada antes de sofrer qualquer prejuízo financeiro.

A vítima observou que o homem que se passou por policial era hábil ao falar e nunca se atrapalhava. Ela acredita que os envolvidos provavelmente haviam preparado um roteiro para conduzir a conversa.

De acordo com a polícia, os criminosos usam videochamadas e mostram pessoas com aparência de policiais para convencer as vítimas de que realmente estão falando com agentes da lei. Na realidade, o objetivo é obter dinheiro ou informações pessoais.

A IA generativa permite substituir, inclusive em tempo real, o rosto de um golpista pelo de outra pessoa. O vídeo divulgado pela Polícia da Província de Osaka foi analisado com a supervisão da empresa de segurança cibernética Trend Micro, que demonstrou como esse processo pode funcionar.

Em um teste, o rosto de um homem foi substituído pelo de um apresentador de televisão. A imagem artificial acompanhava os movimentos da cabeça e reproduzia piscadas e movimentos da boca em tempo real.

Takeshi Sato, da Trend Micro, afirmou que a IA vem avançando rapidamente e que muitas pessoas ainda confiam no que veem por meio de uma câmera. Segundo ele, é necessário compreender que atualmente as imagens exibidas em uma tela podem ser alteradas com facilidade.

A polícia alerta ainda que os golpes de falsos policiais não têm como alvo apenas idosos. Pessoas mais jovens, habituadas a usar redes sociais e videochamadas, também estão entre as vítimas.

Somente na Província de Osaka, os prejuízos provocados neste ano por golpes de criminosos que se passam por policiais já chegaram a cerca de ¥8,1 bilhões, respondendo por mais de 40% das perdas registradas com golpes especiais.

A Polícia da Província de Osaka ressalta que agentes verdadeiros não mostram mandados de prisão nem realizam interrogatórios por redes sociais ou videochamadas.

Por isso, as autoridades orientam a população a não presumir que uma pessoa exibida pela câmera seja realmente quem afirma ser.

Foto: Reprodução/News on Japan

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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