Golpistas usam IA para se passar por policiais em videochamadas

Osaka – A polícia do Japão está alertando a população para que fique atenta aos golpes praticados por criminosos que se passam por policiais. As autoridades investigam agora a possibilidade de os golpistas estarem usando inteligência artificial (IA) generativa para criar identidades falsas, os chamados deepfakes, durante videochamadas e tornar as fraudes mais convincentes.
Recentemente, a Polícia da Província de Osaka divulgou parte de uma videochamada real utilizada em agosto em um golpe de falso policial, publicou o News on Japan.
Os investigadores acreditam que o suposto agente que aparece na tela pode ser, na verdade, uma pessoa diferente, cuja aparência teria sido criada ou alterada com o uso de IA generativa.
Uma mulher na faixa dos 30 anos, residente na região de Kansai, foi alvo desse tipo de golpe em junho.
Segundo a polícia, o primeiro contato foi feito por um homem que se apresentou como Sato, da Divisão de Segurança Comunitária da Polícia da Província de Aichi.
O suposto policial disse: “Meu nome é Sato, da Divisão de Segurança Comunitária. Quando digo que isso está relacionado a um caso, alguma coisa lhe vem à mente?”.
A mulher, surpresa, respondeu: “Não, absolutamente nada”.
Então, o homem afirmou que um cartão bancário em nome dela estava relacionado a um caso criminal e que ela era suspeita de envolvimento com um grupo de fraudadores.
A mulher contou à polícia que o homem também afirmou que sua conta bancária poderia ter sido usada em um crime.
“O homem falava sem parar, apresentando as acusações contra mim e outros detalhes. Ele agiu de tal forma que eu sentia que não conseguia contestá-lo”, relatou.
Depois, durante a videochamada, apareceu outro homem, que se identificou como Inoue e afirmou ser o policial responsável pela investigação da fraude. Ele chegou a mostrar à câmera algo semelhante a uma identificação policial e começou a interrogar a mulher de maneira intimidadora.
O suposto policial questionou: “Neste momento, não existe alguma coisa que você esteja escondendo de nós, alguma coisa que precise nos contar honestamente?”.
Antes que a mulher pudesse responder, o homem prosseguiu: “Você não pode revelar informações da investigação a ninguém, seja a familiares, amigos, pessoas do trabalho ou vizinhos. Se uma terceira pessoa tomar conhecimento dessas informações, talvez também tenhamos de interrogá-la”.
O diálogo seguiu por mais de uma hora. Mas a mulher passou a desconfiar de toda aquela situação porque os homens tentavam repetidamente obter suas informações pessoais. Ela decidiu, então, encerrar a chamada antes de sofrer qualquer prejuízo financeiro.
A vítima observou que o homem que se passou por policial era hábil ao falar e nunca se atrapalhava. Ela acredita que os envolvidos provavelmente haviam preparado um roteiro para conduzir a conversa.
De acordo com a polícia, os criminosos usam videochamadas e mostram pessoas com aparência de policiais para convencer as vítimas de que realmente estão falando com agentes da lei. Na realidade, o objetivo é obter dinheiro ou informações pessoais.
A IA generativa permite substituir, inclusive em tempo real, o rosto de um golpista pelo de outra pessoa. O vídeo divulgado pela Polícia da Província de Osaka foi analisado com a supervisão da empresa de segurança cibernética Trend Micro, que demonstrou como esse processo pode funcionar.
Em um teste, o rosto de um homem foi substituído pelo de um apresentador de televisão. A imagem artificial acompanhava os movimentos da cabeça e reproduzia piscadas e movimentos da boca em tempo real.
Takeshi Sato, da Trend Micro, afirmou que a IA vem avançando rapidamente e que muitas pessoas ainda confiam no que veem por meio de uma câmera. Segundo ele, é necessário compreender que atualmente as imagens exibidas em uma tela podem ser alteradas com facilidade.
A polícia alerta ainda que os golpes de falsos policiais não têm como alvo apenas idosos. Pessoas mais jovens, habituadas a usar redes sociais e videochamadas, também estão entre as vítimas.
Somente na Província de Osaka, os prejuízos provocados neste ano por golpes de criminosos que se passam por policiais já chegaram a cerca de ¥8,1 bilhões, respondendo por mais de 40% das perdas registradas com golpes especiais.
A Polícia da Província de Osaka ressalta que agentes verdadeiros não mostram mandados de prisão nem realizam interrogatórios por redes sociais ou videochamadas.
Por isso, as autoridades orientam a população a não presumir que uma pessoa exibida pela câmera seja realmente quem afirma ser.
Foto: Reprodução/News on Japan






































