Falta de estrangeiros pode prejudicar operações de quase 66% das empresas

Tóquio – Quase dois terços das empresas que já empregam estrangeiros no Japão afirmam que suas operações poderão ser prejudicadas caso tenham dificuldades para realizar novas contratações. É o que mostrou uma pesquisa realizada pela Câmara de Comércio e Indústria do Japão e pela Câmara de Comércio e Indústria de Tóquio.
O levantamento foi realizado entre os dias 21 de julho e 21 de agosto, envolvendo empresas associadas às duas entidades nas 47 províncias do país, publicou o Japan Times.
A pesquisa mostrou que 60% das empresas enfrentam falta de trabalhadores, com os índices mais elevados registrados nos setores de construção, com 77,4%, transporte, com 72,2%, e assistência a idosos e saúde, com 70,5%.
Outro dado revelado pelo levantamento é que 25,1% das 2.654 empresas pesquisadas disseram empregar atualmente trabalhadores estrangeiros, enquanto outras 19,5% afirmaram considerar a possibilidade de contratá-los.
Do total de empresas entrevistadas, 9,8% responderam que já empregam estrangeiros e pretendem aumentar essas contratações, enquanto 13,9% querem manter o atual número de trabalhadores estrangeiros. Apenas 1,4% afirmou pretender reduzir esse contingente.
A proporção de empresas que já empregam estrangeiros foi maior no setor de hospedagem e alimentação, com 42,9%, seguido pela indústria, com 40,1%, e pelos setores de assistência a idosos e saúde, com 36,4%.
A pesquisa mostrou ainda que 65,9% das empresas que empregam estrangeiros acreditam que suas operações poderão ser prejudicadas caso tenham dificuldades para contratar novos trabalhadores de outros países.
Entre essas empresas, 15,6% afirmaram que o impacto poderá ser tão grave a ponto de ameaçar a continuidade dos negócios ou até obrigá-las a encerrar suas atividades.
O impacto poderá ser especialmente forte nas áreas de assistência a idosos e saúde, nas quais 93,8% dos empregadores disseram que a impossibilidade de contratar novos trabalhadores estrangeiros provocaria problemas em suas operações.
O percentual foi de 73,7% no setor de transporte e de 73,1% na indústria.
Entre as empresas localizadas fora dos grandes centros urbanos, 68,9% das que empregam estrangeiros disseram que dificuldades para contratar mais trabalhadores do exterior prejudicariam suas operações. Nas áreas urbanas, o percentual foi de 53,1%.
Em relação à política do governo, 55,6% das empresas entrevistadas afirmaram que o Japão deveria ampliar a aceitação de trabalhadores estrangeiros, seja de maneira geral, seja especificamente nos setores e regiões que enfrentam escassez de mão de obra.
Desse total, 18% defenderam uma ampliação geral da entrada de trabalhadores estrangeiros, enquanto 37,6% afirmaram que a expansão deveria ser limitada aos setores e regiões que enfrentam falta de trabalhadores.
Entre as empresas abrangidas pela pesquisa, 51,7% disseram apoiar a ampliação das oportunidades para estrangeiros que possuam habilidades, conhecimentos e capacidade de adaptação à vida no Japão.
Para essas empresas, esses estrangeiros deveriam ter permissão para permanecer no país sem um limite máximo previamente definido para o período de residência, além de poder trazer seus familiares para viver no Japão.
As empresas entrevistadas também pediram apoio dos governos nacional e locais para promover a integração dos estrangeiros à sociedade japonesa.
Entre outras medidas, 51,5% desejam mais assistência aos estrangeiros em questões relacionadas à vida cotidiana, enquanto 51,4% pediram maior apoio ao ensino da língua japonesa.
O representante de uma empresa do setor de serviços, que emprega até 50 funcionários, afirmou: “Precisamos deixar de enxergar essas pessoas simplesmente como ‘mão de obra’ e oferecer ensino e avaliações sobre a língua japonesa, o modo de vida e as normas sociais, para que os trabalhadores estrangeiros possam desempenhar um papel ativo como integrantes da sociedade.”
Ao mesmo tempo, a medida mais solicitada pelas empresas aos governos foi o reforço da fiscalização e das punições contra irregularidades relacionadas ao status de residência, mencionada por 60,6% dos entrevistados.
Foto: Canva








































