Estudo associa consumo de nattō a risco 37% menor de déficit cognitivo em idosos

Tóquio – O aspecto visual, a textura e o sabor do nattō não agradam a todos. Mas um estudo revelou que idosos que mantêm o hábito de consumir o alimento pelo menos duas a três vezes por semana apresentam menor ocorrência de comprometimento cognitivo leve e sintomas depressivos.
O estudo foi realizado pelo Centro de Inovação do Grupo Mizkan, empresa do setor alimentício com sede em Handa, na província de Aichi, em parceria com pesquisadores da Universidade de Kagoshima, informou a mídia local.
Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores analisaram dados de exames de saúde realizados em 2019 no município de Tarumizu, na província de Kagoshima, região onde o consumo de nattō é relativamente elevado. Participaram da análise 616 pessoas com 65 anos ou mais.
Entre os participantes, 133, ou 21,6%, apresentaram comprometimento cognitivo leve, conhecido pela sigla MCI, enquanto 125, ou 20,3%, apresentaram tendência a sintomas depressivos.
Do total analisado, 351 pessoas, ou 57% dos participantes, disseram consumir nattō duas a três vezes por semana ou mais.
Os pesquisadores consideraram diversos fatores que poderiam influenciar os resultados, como idade, sexo, nível de escolaridade, morar sozinho, uso de medicamentos, fragilidade física e diversidade da alimentação, entre outros.
Após esses ajustes, constataram que o grupo que consumia nattō com frequência apresentava uma probabilidade de cerca de 37% menor de ter comprometimento cognitivo leve em comparação com aqueles que consumiam o alimento menos de duas vezes por semana.
Em relação aos sintomas depressivos, também foi observada uma probabilidade de cerca de 37% menor. Em ambos os casos, a razão de chances calculada pelos pesquisadores foi de 0,63.
Os pesquisadores ressaltaram, no entanto, que isso não significa que comer nattō previna diretamente a perda da capacidade cognitiva ou a depressão.
A pesquisa é do tipo transversal, isto é, os pesquisadores analisaram informações coletadas em determinado período e identificaram uma associação entre os hábitos alimentares e as condições de saúde. Por esse motivo, não é possível estabelecer uma relação direta de causa e efeito.
O Grupo Mizkan informou que pesquisas anteriores realizadas por outras instituições já investigaram a relação entre o consumo de nattō e a função cognitiva, mas os resultados até agora não são totalmente consistentes.
Os autores reconhecem que serão necessárias novas pesquisas e estudos de acompanhamento ao longo de vários anos para verificar se o consumo do alimento realmente exerce algum efeito protetor sobre a saúde cognitiva e mental.
O trabalho realizado pelo Centro de Inovação do Grupo Mizkan e pela Universidade de Kagoshima foi publicado na revista científica Nutrition Research, em junho de 2026.
Valor nutricional
Independentemente dessa possível relação com a saúde cognitiva e mental, o nattō é considerado um alimento de elevado valor nutricional. Produzido pela fermentação da soja com a bactéria Bacillus subtilis, ele é tradicionalmente consumido no Japão, principalmente acompanhado de arroz.
Segundo a Tabela Padrão de Composição de Alimentos do Japão, elaborada pelo Ministério da Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia, 100 gramas de nattō tradicional contêm aproximadamente 16,5 gramas de proteínas e 9,5 gramas de fibras alimentares.
Quem costuma consumi-lo talvez deva saber também que o alimento fornece diversos minerais importantes. Em 100 gramas, há cerca de 660 miligramas de potássio, 90 miligramas de cálcio, 100 miligramas de magnésio e 3,3 miligramas de ferro.
Outro componente que chama a atenção é a vitamina K. O nattō contém aproximadamente 600 microgramas desse nutriente por 100 gramas e apresenta, entre suas formas, a menaquinona-7, conhecida como vitamina K2.
A vitamina K desempenha um papel importante no processo normal de coagulação do sangue e também participa do metabolismo ósseo.
Por outro lado, justamente por apresentar uma concentração elevada de vitamina K, o nattō exige atenção de pessoas que utilizam determinados medicamentos anticoagulantes, especialmente a varfarina. Esse tipo de medicamento atua sobre o mecanismo relacionado à vitamina K, e mudanças significativas no consumo do nutriente podem interferir em seu efeito. Nesses casos, a orientação sobre o consumo de nattō deve ser feita pelo médico responsável pelo tratamento.
O nattō também fornece vitaminas do complexo B, incluindo vitamina B2, além de folato e outros micronutrientes.
Essas características fazem do nattō uma fonte relativamente concentrada de proteínas vegetais, fibras, minerais e vitamina K, podendo integrar uma alimentação equilibrada.
Foto: Canva








































