Começa temporada de redemoinhos gigantes no Estreito de Naruto

Tokushima – A melhor época para ver os redemoinhos do Estreito de Naruto, em Tokushima, é na primavera e no outono, especialmente do fim de março ao final de abril e nos meses de outono, quando atingem impressionantes 20 metros de diâmetro. Mas os maiores podem chegar a 30 metros de diâmetro e ocorrem durante as marés de primavera, todos os anos durante a lua cheia e a lua nova.
Os primeiros redemoinhos da temporada já apareceram, tanto que foi realizada uma cerimônia no dia 15 de fevereiro no local para marcar o início dos passeios por ali, como publicou o jornal The Asahi.
O estreito fica entre a cidade de Naruto (Tokushima) e a ilha Awaji, na província de Hyogo. Os redemoinhos, chamados em japonês de “uzushio”, aparecem sob a ponte Onaruto, que atravessa o estreito.
Durante a cerimônia, organizada pelo município de Naruto e pela Associação Turística de Uzushio de Naruto, os participantes lançaram ao mar uma chave dourada de cerca de 1,8 metro de comprimento de um barco turístico, simbolizando a abertura da porta para os redemoinhos.
O fenômeno ocorre devido às marés alta e baixa, que se formam duas vezes por dia. O melhor período para observá-los é entre uma hora e meia antes e uma hora e meia depois de cada maré.
Movimento complexo das águas
O surgimento dos redemoinhos é resultado de uma série de fatores, envolvendo a topografia do lugar, o encontro de águas e o movimento da Lua.
O site da província de Tokushima explica que o fenômeno tem relação com as elevações na superfície do mar, causadas pela gravitação da Lua. As águas movem-se de leste para oeste, acompanhando o movimento lunar. As ondas de maré alta, geradas por essas elevações, escoam em direção ao Canal de Kii e ao Canal de Bungo, seguindo para norte.
Então as ondas da maré alta que entram no Canal de Bungo deslocam-se do oeste do Mar Interior de Seto até o Mar de Harima, elevando o nível da água. As ondas que entram pelo Canal de Kii dividem-se em duas direções e seguem para o Estreito de Naruto e para a Baía de Osaka. Então passam pelo Estreito de Akashi, pelo Mar de Harima e se unem às ondas vindas pelo Canal de Bungo.
Leva cerca de seis horas para que as ondas de maré vindas do Canal de Kii entrem no mar de Harima. Nesse intervalo, ocorre a maré baixa no Canal de Kii, gerando uma diferença de até 1,5 metro no nível da água do Estreito de Naruto entre o mar de Harima e o Canal de Kii.
Assim, a água do mar flui rapidamente do lado de maré alta, onde o nível está mais elevado, para o lado de maré baixa. A diferença de velocidade entre a corrente no centro, mais rápida, e a corrente nas bordas, mais lenta, gera os redemoinhos.
Consta também que sob a ponte Onaruto o fundo desce acentuadamente em forma de V, atingindo cerca de 90 metros de profundidade. No local há depressões chamadas kaifu, com 140 metros de profundidade no lado sul, voltado para o Pacífico, e com 200 metros no lado norte, voltado para o Mar Interior de Seto.
A topografia singular associada às correntes geradas pelas marés forma os redemoinhos de Naruto, nome que tem origem no som estrondoso produzido pelas correntes rápidas, sendo que “Naru” se refere ao rugido, e “To” a Seto.
Os barcos de observação levam os turistas para bem perto do fenômeno, onde é possível receber alguns respingos.
Mais informações podem ser obtidas no site oficial do turismo de Tokushima.
Os estreitos de Naruto, no Japão, o de Messina, na Itália, e o Seymour Narrow, na América do Norte e costa leste da ilha de Vancouver, são os três maiores fluxos de corrente do mundo.
Foto: Canva






































