Cinco festivais japoneses que surpreendem turistas e ocidentais

2026/01/09 12:52
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Tóquio - Os festivais no Japão são um capítulo à parte da cultura do país. Muitos são realizados na primavera ou no verão e costumam ser bastante ruidosos, com desfiles de carros alegóricos e clima de celebração. No entanto, alguns soam bastante estranhos para os ocidentais. Há muitos exemplos desse tipo, e o Portal Japão selecionou cinco.

Festival Abare - Ishikawa
Conhecido como o Festival da Devastação, é realizado em Ushitsu, na Península de Noto, em Ishikawa, durante o verão, na primeira sexta-feira e no primeiro sábado de julho. Trata-se de uma celebração ruidosa que remete à erradicação de uma doença contagiosa que atingiu a população da região nos anos 1600.
O evento é marcado pelo desfile de carros alegóricos com lanternas gigantes chamados kiriko, uma marca registrada dos festivais de verão em Noto.

Na noite de sexta-feira, fogos de artifício sinalizam o início do transporte de mais de 40 kiriko do Cais de Ushitsu até a praça principal da cidade. No local, eles desfilam em meio a cinco pilares em chamas e sob uma intensa chuva de faíscas.
Na noite de sábado, dois santuários portáteis mikoshi são lançados no oceano e no rio, antes de serem destruídos e atirados em uma grande fogueira.

O objetivo do festival é apaziguar a divindade Gozu Tenno, conhecida por apreciar atividades barulhentas e animadas. Reza a lenda que Gozu Tenno salvou a cidade ao enviar uma abelha gigante cuja picada curou a doença. Atualmente, o Festival Abare segue como uma celebração da cultura local e da saúde contínua de Ushitsu.
Mais informações aqui.

Foto: Reprodução/Ishikawa Travel

Festival Kanamara - Kanagawa
Conhecido como o Festival do Pênis de Kawasaki, é realizado no primeiro domingo de abril, durante a primavera, e está entre os mais concorridos do Japão, atraindo muitos curiosos e turistas estrangeiros. Durante o evento, são carregados três mikoshis que trazem falos gigantes em seu interior.

O termo “mara” significava originalmente “obstáculo à prática budista”, mas passou a ser usado como um eufemismo para a genitália masculina. O santuário Nakayama, onde ocorre o festival, é dedicado a Kanayamahiko e Kanayamahime, divindades masculina e feminina ligadas à proteção da forja, o que atrai profissionais da metalurgia.

Apesar do caráter curioso, muitas pessoas participam do festival para orar por fertilidade, uma gravidez tranquila e um casamento bem-sucedido.
O santuário Kanayama fica na área do santuário Wakamiya Hachimangu, a cerca de dois minutos de caminhada da estação Kawasaki Daishi, da Keihin Express Daishi Line.

Foto: Reprodução/Stealth3327

Onbashira - Nagano
Conhecido como o Festival dos Troncos Gigantes, é realizado na cidade de Suwa, em Nagano, a cada sete anos, sempre nos anos do Tigre e do Macaco, segundo o calendário do zodíaco chinês. Durante o evento, o santuário de Suwa passa por um processo de renovação, e os Onbashira, pilares sagrados de madeira, são substituídos por novos troncos retirados da montanha.

Os fiéis escolhem árvores com mais de 150 anos e cerca de 17 metros de altura. Um dos momentos mais emblemáticos do festival ocorre quando os participantes transportam os troncos descendo uma encosta montados sobre eles, com muitos caindo ao longo do trajeto.

O Festival Onbashira acontece nos seis municípios da região de Suwa e sua tradição é transmitida de geração em geração há mais de 1.200 anos.

Foto: Reprodução

Festival Hadaka - Aichi
Conhecido como o Festival dos Homens Nus, o evento reúne milhares de homens vestindo apenas uma tanga no santuário Owari Okunitama, de Konomia, na cidade de Inazawa, em Aichi. Sua origem remonta a mais de 1.250 anos.

Na cultura japonesa, acredita-se que as idades de 25 e 42 anos trazem má sorte. Por isso, homens nessa faixa etária se organizam em grupos, carregando santuários portáteis coloridos montados em longas varas de bambu, que são depositados no santuário no dia do festival com o objetivo de afastar o azar.

Antes do evento, um homem da comunidade é escolhido para ser o “homem de Deus” ou “Shin-Otoko”. Ele permanece isolado por dias em oração no santuário e, no dia do festival, faz sua aparição pública. Nesse momento, os grupos de homens seminus tentam tocá-lo, acreditando que isso ajuda a afastar a má sorte.

Como o festival ocorre em um período de temperaturas baixas, neste ano marcado para 1 de março, muitos participantes consomem bebidas alcoólicas para se aquecer.
Mais informações aqui.

Foto: Reprodução/Aichi Now

Nakizumo Festival - Tóquio
Conhecido como o festival em que lutadores de sumô tentam fazer bebês chorar, o Nakizumo é realizado em várias partes do Japão. No entanto, o evento no santuário Sensoji, em Asakusa, Tóquio, é considerado o mais popular.

Embora possa parecer estranho para os ocidentais, o festival possui cerca de 400 anos de história. Nele, o desafio dos lutadores é fazer com que bebês de aproximadamente 1 ano de idade chorem. O primeiro bebê a chorar é declarado vencedor. Caso dois chorem ao mesmo tempo, vence aquele que chorar mais alto.

Curiosamente, se algum bebê começa a rir, um sacerdote surge usando uma máscara assustadora de ogro para incentivar o choro. Na cultura japonesa, acredita-se que as lágrimas promovem boa saúde e afastam os maus espíritos. Alguns pais chegam a pagar cerca de 15.000 ienes para que seus bebês participem do evento, que ocorre no final de abril.

Foto: Reprodução/Brinacor

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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