Casal de brasileiros percorre o mundo de bicicleta e compartilha experiências no Japão

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Aichi – Eles decidiram vender tudo o que tinham para sair pelo mundo pedalando. Larissa Vargas e Jean Carlos Feller Desiderio estiveram no Japão até a quarta-feira (5), viajando de bicicleta por várias províncias, seguindo a direção do vento em busca de novas paisagens e experiências. Em um trecho da viagem, o casal parou para contar sua história ao Portal Japão.

Larissa, de 34 anos, e Jean Carlos, de 37, deixaram Brusque, em Santa Catarina, no dia 18 de junho de 2023, determinados a percorrer o mundo de bicicleta, mas sem um plano rígido. “Vendemos nossos pertences e deixamos nossos empregos”, disseram.

Larissa trabalhava havia 13 anos em um hospital como técnica em radiologia. Jean deixou o emprego de 12 anos em uma confecção de roupas, onde era supervisor de expedição. Eles montaram em suas bicicletas com o plano inicial de que a viagem durasse cerca de três anos.

Início pelo sul do Brasil

O casal em visita ao Camboja

Desde que deixaram Brusque, o casal já passou por 23 países e não tem planos de cumprir uma meta específica. “A viagem vai acontecendo conforme o clima de cada região. Iniciamos pelo sul do Brasil. Depois passamos por Uruguai, Argentina e Chile. Retornamos ao Brasil para trocar alguns equipamentos e, logo após, retomamos a viagem pela Alemanha”, relatam.

Antes de chegar ao Japão, Larissa e Jean passaram por Uruguai, Argentina, Chile, Alemanha, República Tcheca, Áustria, Eslováquia, Hungria, Croácia, Bósnia e Herzegovina, Albânia, Montenegro, Grécia, Turquia, Geórgia, Armênia, Irã, Tailândia, Camboja, Vietnã, Laos e Malásia.

O casal chegou ao arquipélago no dia 7 de agosto e não perdeu tempo. Eles pedalaram pelas províncias de Hokkaido, Akita, Yamagata, Niigata, Nagano, Yamanashi, Shizuoka, Aichi, Shiga, Kyoto, Osaka, Ehime, Hiroshima e Yamaguchi.

“Nossos vistos valem até 5 de novembro. Após esta data, seguiremos viagem para a Coreia do Sul. Mas não temos um dia definido para encerrar a viagem”, afirmam.

Sem plano de viagem

Jean e Larissa na Turquia

Larissa e Jean disseram que pesquisaram sobre os países que já visitaram e sobre outros que pretendem visitar, com seus pontos turísticos e paisagens marcantes. Mas, ao mesmo tempo, decidiram não seguir uma meta fixa. “Deixamos nosso plano de viagem bem aberto. A única coisa certa é que sempre temos um ponto inicial e um ponto final em cada país”, contam.

Durante a passagem pelo Japão, o casal iniciou o passeio por Hokkaido, no norte, e finalizou em Fukuoka, no sul, deixando que os imprevistos da vida determinassem as províncias visitadas no caminho.

A meta estabelecida é pedalar, em média, 50 quilômetros por dia, com variações para mais ou para menos. “Levamos em conta se os lugares têm subidas, se o trajeto é plano, o vento contra ou se encontramos um bom lugar para passar a noite”, explicam.

Larissa e Jean priorizam as paradas noturnas em locais seguros e tranquilos, mas já pernoitaram em hotéis e na casa de pessoas que conheceram pelo caminho.

“Com relação às refeições, preparamos a nossa própria, mas em alguns países é mais barato comer em restaurantes ou em barracas de rua. No Japão, estamos aproveitando as facilidades das comidas prontas em supermercados e nas lojas de conveniência”, relatam.

Dificuldades e boas experiências

Passagem durante o inverno na Armênia

No Japão, a maior dificuldade encontrada foi acampar em Hokkaido, por causa do risco de ursos na ilha. Ainda assim, as boas experiências superaram qualquer contratempo.

“Foram várias as situações especiais que vivemos, principalmente nas interações com os japoneses. Em uma delas, uma senhora nos convidou para descansar em sua casa. Ela nos levou à sua sala de oração e fizemos uma oração juntos, pedindo proteção para o nosso caminho. No final, ela nos presenteou com um omamori (amuleto) e uma bolsa feita à mão por ela”, contam.

O mesmo aconteceu em outros países. Muitos lugares têm paisagens impressionantes, mas o que mais marcou o casal foram as experiências com os moradores locais.

“Na Turquia, quando viajávamos com outro brasileiro, nós três fomos chamados aos gritos por uma família para entrar em sua casa. Eles nos deram comida, água fresca e ofereceram um lugar para dormir à noite. Ao perguntarmos por que receberiam três estranhos, a família respondeu que nos via como enviados de Deus, sem julgar cor, raça, cultura ou religião”, relatam.

Experiências vividas no Irã

Outra experiência aconteceu no Irã. O casal estava hospedado em um hotel de uma cidade sem estrutura turística, quando Jean passou mal e teve febre. Os chips de celular haviam expirado, o local não tinha wifi e ninguém falava inglês.

“Estávamos sem saber o que fazer, até que uma moça que havíamos conhecido na chegada ao hotel — ela estava lá para uma entrevista de emprego — bateu na porta do nosso quarto para perguntar se estávamos bem. Por sorte, ela falava um pouco de inglês. Ela nos ajudou a comprar um novo chip, pediu a um amigo taxista que nos levasse até uma loja e pediu à secretária do hotel para nos levar a um médico. Como num passe de mágica, tudo foi resolvido”, recordam.

Larissa e Jean confessam que essa viagem é a realização de um sonho: “Conhecer o mundo e outras culturas. Toda a nossa viagem até aqui está registrada como um diário de bordo, com vídeos no YouTube, para guardar memórias. Mas pode virar um livro no futuro.”

O casal segue a viagem sem planos para quando chegar ao final do caminho, se é que existe um final. “Saímos para uma longa viagem, e muitas coisas podem acontecer — mudança de hábitos ou até de país. Estamos abertos ao que o futuro trouxer: talvez uma nova profissão, transformar o YouTube em um trabalho ou, quem sabe, retornar à rotina de antes”, dizem.

Interessados em acompanhar Larissa e Jean podem seguir o perfil no Instagram e no YouTube, ambos com o mesmo nome: @lariejeanpelomundo.

Fotos: Jean e Larissa

Passagem pela Georgia

Pedalando pelo Vietnã

Apreciando a paisagem no Chile

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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