Universidade de Nagoya descobre como o cérebro ativa a motivação

2026/07/31 14:29
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Aichi – Um grupo específico de neurônios pode estar relacionado a comportamentos comuns no cotidiano, como a dificuldade de iniciar uma tarefa, manter o esforço ou encontrar motivação. O mecanismo de atuação dos chamados neurônios de orexina, que participam da regulação de diferentes comportamentos instintivos, foi estudado por uma equipe do Hospital da Universidade de Nagoya.

O estudo, liderado pelo professor associado Hiroyuki Mizoguchi, foi publicado online em 29 de junho, na revista científica norte-americana Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). Os pesquisadores constataram que os neurônios de orexina são ativados diante da expectativa de receber uma recompensa.

A constatação pode ajudar a esclarecer os mecanismos cerebrais relacionados à motivação para iniciar uma ação e manter o esforço necessário para alcançar determinado objetivo, informou o Sankei News.

Localizados no hipotálamo, os neurônios de orexina participam da regulação de funções como sono, estado de vigília, alimentação e equilíbrio energético. Conhecidos há cerca de 30 anos, eles também têm sido associados à atividade física, à resistência ao estresse, à atenção e à empatia pelas emoções de outras pessoas.

Embora algumas funções desses neurônios já fossem sabidas, ainda não estava claro como eles atuavam durante comportamentos motivados, especialmente quando um indivíduo espera receber uma recompensa e precisa se esforçar para obtê-la.

Resultados em laboratório

Durante o experimento, ratos recebiam comida como recompensa depois de tocar um determinado número de vezes em um botão. Enquanto os animais realizavam a tarefa, os pesquisadores registravam a atividade dos neurônios de orexina em tempo real.

Os dados mostraram que a atividade desses neurônios aumentava antes de os ratos receberem a comida, período em que os animais já esperavam pela recompensa. Depois que o alimento era entregue, a atividade diminuía.

Quando a recompensa esperada não aparecia, porém, a atividade dos neurônios permanecia elevada. Os pesquisadores também observaram que essa atividade se tornava mais intensa à medida que aumentava o esforço necessário para conseguir o alimento.

Os resultados indicam que os neurônios de orexina podem estar envolvidos tanto na previsão de uma recompensa quanto no ajuste do esforço necessário para alcançá-la. Dessa forma, funcionariam como um elo entre a expectativa de obter algo e a ação necessária para consegui-lo.

O experimento foi repetido com diferentes quantidades de toques exigidas. Em condições normais, os ratos desistiam depois de tocar o botão cerca de 50 vezes, em média. Quando os pesquisadores administravam uma substância específica para ativar os neurônios de orexina, os animais continuavam a tarefa por até 100 toques, em média.

Por outro lado, o número de toques diminuía quando a atividade desses neurônios era inibida. Os resultados mostram que o aumento da atividade dos neurônios de orexina fortaleceu o comportamento motivado dos animais, enquanto sua redução teve o efeito contrário.

Orexina e motivação

Com base na pesquisa, Mizoguchi afirmou que, para haver motivação e continuidade em determinada atividade, é necessário que a orexina funcione adequadamente. Segundo ele, ainda será preciso identificar os circuitos cerebrais que enviam sinais aos neurônios de orexina e aqueles que recebem informações deles.

O pesquisador também explicou que esses neurônios estão relacionados ao estado de vigília, responsável por manter as pessoas acordadas. Por isso, a manutenção de uma rotina regular pode contribuir para estabilizar seu funcionamento e favorecer uma resposta adequada em situações que exijam motivação.

Como o estudo foi realizado com ratos, ainda serão necessárias novas pesquisas para determinar em que medida os resultados podem ser aplicados aos seres humanos.

Foto: Canva

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