Suécia substitui tablets por livros de papel após queda no aprendizado

Suécia – As crianças em idade escolar na Suécia voltaram a utilizar livros impressos após decisão do governo do país. A preocupação das autoridades é que o uso intenso de telas possa estar prejudicando o aprendizado e a concentração dos alunos.
A Suécia ficou conhecida por introduzir laptops e tablets nas salas de aula em 2010. Os efeitos dessa mudança só foram percebidos mais tarde, entre 2018 e 2022, quando os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mostraram quedas acentuadas nas pontuações de leitura e matemática.
Agora, estudantes de uma escola em Estocolmo carregam livros de papel. Uma aluna do estabelecimento disse que, quando lê em um dispositivo eletrônico, costuma ficar com dor de cabeça. Com os livros físicos, ela consegue se concentrar mais, publicou a Kyodo.
A revisão do sistema foi solicitada pelo governo a neurocientistas e pediatras, que concluíram que o uso intensivo de dispositivos digitais pode afetar a concentração e a atenção dos alunos, enquanto os materiais impressos podem ser mais eficazes para o aprendizado esperado.
A mudança começou em 2023, quando o país passou a orientar a retomada do ensino baseado em papel para alunos mais jovens, com orçamento de até US$ 80 milhões por ano até 2025 para a compra de livros didáticos e outros materiais impressos em pré-escolas e outros níveis de ensino.
A decisão coloca a Suécia no caminho oposto ao de outros países, que seguem digitalizando os materiais usados na educação. É o caso do Japão, onde uma lei revisada e aprovada recentemente libera o uso de livros didáticos digitais nas escolas.
Enquanto na Suécia alguns associam a queda no desempenho escolar ao uso de dispositivos digitais, pesquisadores e educadores apontam também para outros fatores, como mudanças demográficas e desafios enfrentados por estudantes de famílias de imigrantes. Desde 2015, a Suécia abriga imigrantes e refugiados da Síria, do Afeganistão e de países da África.
Foto: Canva








































