Saiba o que fazer quando visitar templos e santuários no Japão

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Tóquio – Muitos estrangeiros devem ficar em dúvida sobre como agir ao visitar um templo budista ou um santuário xintoísta. Estes locais são ricos em história e muito importantes para as comunidades onde estão localizados. Veja alguns pontos que se deve considerar quando visitar estes locais, segundo o Aichi Now, Japan Travel e Japan Guide.

Mesmo não sendo budista (tera) ou xintoísta (jinja), ao visitar um templo ou santuário em qualquer parte do país, existem alguns pontos em comum, como curvar-se, unir as mãos em forma de prece, entre outros, como formas de demonstrar respeito. Estes gestos e atitudes não tornarão ninguém crente em Buda ou nos deuses kami do xintoísmo. São apenas atitudes de respeito.

Vestimenta: Muitos templos e santuários são também pontos turísticos. Mas mesmo assim são locais sagrados, e é recomendado ir vestido de forma discreta. Obviamente que não é proibido ir de bermuda ou outra roupa.

Outro ponto é retirar chapéu ou boné ao prestar homenagens ou ao entrar em ambientes fechados. Não são itens proibidos, mas é um gesto muito apreciado pelos locais.

Entrada: Os portais existentes na entrada tanto do templo quanto do santuário representam a entrada no solo sagrado.

No santuário xintoísta você passará por um portal de madeira ou pedra chamado Torii. Curve-se levemente antes de atravessá-lo. Evite passar exatamente no centro do caminho reservado aos deuses kami. Em vez disso, prefira as laterais.

Pode haver diferenças regionais. No santuário Izumo Taisha, em Izumo (Shimane), exigem 4 palmas e não apenas 2. Na dúvida, é melhor observar os locais antes de agir.

Já no templo budista, o grande portal é chamado de Sanmon. É preciso se curvar levemente também. Mas evite pisar na soleira elevada, que tem em torno de 20 cm acima do piso, passando por cima dela.

Purificar as mãos: Em seguida, o procedimento é o mesmo para ambos os casos. Ir até temizuya, local com tanque com água, para se purificar, antes de seguir no terreno sagrado. Os passos são simples:

  1. Segure a concha (hishaku) com a mão direita e lave a mão esquerda.
  2. Troque de mão e lave a mão direita.
  3. Troque novamente, coloque um pouco de água na palma da mão esquerda e use-a para enxaguar a boca. Não beba diretamente da concha e não engula a água.
  4. Lave a mão esquerda novamente.
  5. Incline a concha verticalmente para que a água restante escorra pelo cabo, limpando-o para o próximo visitante.

Essa fonte de água geralmente é coberta e pode também haver uma estátua de dragão, um bastão de bambu ou outro dispositivo por onde brota a água fresca.

Diante do altar: Existem diferentes formas de agir diante do Salão Principal de um templo budista e de um santuário xintoísta.

No santuário xintoísta, doe uma moeda na caixa (saisen bako). Toque o sino (se houver) duas ou três vezes. Então curve-se duas vezes, bata palma (kashiwade) duas vezes, curve-se uma vez, mais profundamente.

No templo budista, doe a moeda na caixa para este fim, toque o sino (se houver) apenas uma vez. Em seguida, basta curvar-se levemente, juntar as mãos em silêncio, em prece, e finalmente curve-se levemente.

No caso de estar em um templo budista, não é preciso bater palmas. Ali o silêncio é a regra.

Doar dinheiro: Os japoneses costumam doar moeda de 5 ienes, que é furada, por ser considerada de sorte (go en, na pronúncia em japonês).

A moeda de 5 ienes é preferida por ser considerada sorte (go-en). Na verdade, a semelhança é com a palavra go-en (御縁 ouご縁), que significa conexão espiritual, destino ou vínculo auspicioso. Ao oferecer 5 ienes, você não está apenas dando dinheiro, mas expressando o desejo de que o destino ou as divindades criem uma conexão benéfica entre você e seus objetivos, pessoas ou o sagrado.

Para os japoneses, a sorte relacionada a 5 ienes está ligada a encontrar um par amoroso, conseguir um bom emprego, fortalecer amizades, ter uma relação próxima com a divindade do templo ou santuário.

A moeda de 5 ienes, assim como a de 50 ienes, tem um furo no meio. Culturalmente, diz-se que esse furo representa uma visão clara do futuro ou que a sorte pode passar através dela sem obstáculos. Caso não tenha estas moedas, podem ser outras.

Muitos templos têm incenso (osenko). Dá para comprar um pacote colocando uma moeda na caixa de oferenda. Acenda os incensos e, após extinguir a chama, coloque-o no lugar devido e faça um gesto como que pegando a fumaça derramando-a em sua cabeça e no corpo.

Cobrança de taxa: Alguns templos cobram taxa de entrada, como é o caso de muitos deles em Kyoto. Em geral também têm panfleto explicativo. No santuário Heian Jingu, em Kyoto, é possível visitar o jardim com lago, para quem busca um momento de paz.

Outras dicas: Hoje é muito fácil tirar fotos de tudo com o celular. Mas é recomendado não fotografar rituais com monges e convidados, nem em frente à caixa de ofertas ou enquanto as pessoas fazem suas preces em silêncio.

E também é bom evitar cruzar a linha entre uma pessoa que está orando e o altar dentro do Salão Principal. Algumas pessoas acreditam que este ato corta a conexão entre o fiel que reza e Deus ou Buda.

Quando for se afastar para sair do templo, ao passar pelo portal novamente, faça uma nova reverência em direção ao Salão Principal, juntando as mãos e curvando-se mais uma vez.

Omamoris: Nestes locais há venda de amuletos abençoados e há uma grande variedade disponível, como flechas (hamaya), tabuletas de madeira (ofuda), ancinhos de bambu (kumade) entre outros.

Já os Omamori, uma espécie de pergaminho em miniatura dentro de sacolinhas coloridas, são os mais comuns e existem de variados tipos.

Saiba mais sobre os omamori:

  • Segurança no Trânsito - Kotsu Anzen - Proteção para o carro ou outro veículo dirigido ou utilizado pelo usuário.
  • Segurança da Família - Kanai Anzen - Mantém a família do usuário a salvo da má sorte.
  • Sucesso nos Negócios - Shobai Hanjo - Para que metas de trabalho ou negócios se concretizem.
  • Sucesso na Educação - Gakugyo Joju - Para a melhora acadêmica de estudantes.
  • Parto Seguro - Anzan - Para mulheres grávidas ou que pretendem engravidar em breve.
  • Realização Amorosa - En Musubi - Para uma vida romântica com final feliz.
  • Boa Fortuna - Kai Un - Aumenta a sorte do usuário.
  • Felicidade - Shiawase - Para estar em paz com a vida.
  • Proteção contra Má Sorte - Yaku Yoke - Proteção contra o azar.
  • Saúde - Kenko - Procurado por aqueles preocupados com a saúde.
  • Sucesso em Exames - Gokaku Kigan - Ao se preparar para um teste ou exame.

O omamori em geral tem um período de validade de um ano ou até que o objetivo seja alcançado. Depois disso, o usuário deve devolvê-lo ao santuário ou templo, que, por sua vez, o queimará. Então, outro poderá ser adquirido. Uma dica: o omamori não deve ser aberto, pois acredita-se que, ao fazê-lo, seus poderes são perdidos e, no pior dos casos, consequências graves podem recair sobre a pessoa.

Termos mais usados

  • Chozuya (ou temizuya): Local em um santuário ou templo onde os visitantes lavam e limpam as mãos e a boca.
  • Ichirei: Curvar-se uma vez.
  • Hishaku: Concha para pegar água e outros líquidos, consiste em um recipiente em forma de tigela ou cilíndrico (go) com um cabo longo acoplado.
  • Kenko: O ato de acender incenso e oferecê-lo a um deus ou Buda.
  • Kento: O ato de oferecer uma vela a um deus ou Buda.
  • Rosoku: Vela.
  • Senko: Incenso endurecido em bastão. Usado em oferendas ao Buda.
  • Shokudai: Suporte de vela usado em tempos antigos para fornecer iluminação interna. Frequentemente portátil.
  • Waniguchi: Gongo que fica pendurado em frente a um salão ou templo e é batido com uma corda suspensa.

Fotos: Canva

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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