Queda na aprovação de Sanae Takaichi acende alerta no governo japonês

2026/07/23 09:33
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Tóquio – A coalizão governista está alarmada com a queda nos índices de aprovação do Gabinete da primeira-ministra Sanae Takaichi, apontada pelas pesquisas de opinião mais recentes divulgadas por diferentes veículos de comunicação.

Parte do descontentamento dos eleitores japoneses é atribuída à revisão da Lei da Casa Imperial e à forma como a coalizão governista tem conduzido os trabalhos no Parlamento. Um ministro do governo afirmou que esses dois fatores estariam por trás da queda da aprovação, enquanto um dirigente do Partido Liberal Democrata (PLD), de Takaichi, comentou que “a maré pode ter mudado”, segundo a Jiji Press.

A proposta de revisão da Lei da Casa Imperial prevê permitir que descendentes homens, pela linha paterna, de antigos ramos da Família Imperial sejam adotados por integrantes da Casa Imperial. A medida busca preservar a sucessão pelo ramo masculino, tradição mantida há séculos no Japão.

No entanto, dentro do próprio PLD há quem avalie que a proposta não conquistou a compreensão da população. Um parlamentar do partido foi ainda mais direto: “A queda na taxa de aprovação ocorre porque o governo não aceita uma imperatriz reinante, que é o que a população espera”.

Outro ponto citado é a pouca disposição demonstrada por Takaichi para comparecer às sessões da Comissão de Orçamento do Parlamento. Durante o debate entre líderes partidários realizado em 15 de julho, segundo a Jiji Press, foram frequentes os momentos em que a primeira-ministra não respondeu diretamente às perguntas da oposição.

Um fator que também tem pressionado o governo Takaichi é a demora na adoção de medidas para conter a alta dos preços, enquanto o poder de compra dos salários é corroído a cada ida ao supermercado. As críticas partem inclusive de dentro do PLD.

Um ex-ministro do partido afirmou que o Gabinete prioriza iniciativas de apelo político, como a criação do crime de dano à bandeira nacional, em vez de políticas necessárias à vida da população.

O líder do Partido Democrático para o Povo, Yuichiro Tamaki, também declarou em entrevista coletiva que “o que se esperava do governo Takaichi eram medidas rápidas contra a alta dos preços, mas elas estão demorando”.

Takaichi deverá decidir em breve sobre a redução do imposto sobre o consumo incidente sobre alimentos. Durante a campanha para a eleição da Câmara dos Representantes, a coalizão governista prometeu zerar a alíquota por dois anos.

Posteriormente, passou a ser discutida uma proposta para reduzir o imposto sobre alimentos dos atuais 8% para 1%. O plano prevê ainda a criação de um benefício vinculado à renda, equivalente ao valor pago com essa alíquota, o que tornaria a tributação efetivamente próxima de zero. A proposta apresentada pelo PLD estabelece a redução para 1% a partir de abril de 2027 e a introdução do benefício por volta do outono do mesmo ano.

A indefinição, porém, pode representar mais um golpe para o governo. Um integrante do PLD advertiu que “uma resposta incompleta, como reduzir o imposto sobre o consumo para 1%, fará a taxa de aprovação cair ainda mais”.

Quando Takaichi assumiu o posto de primeira-ministra, em outubro do ano passado, alcançou altos índices de aprovação popular, dando novo fôlego ao PLD.

Aproveitando o período de bonança, ela dissolveu a Câmara dos Representantes em 23 de janeiro e convocou uma eleição antecipada para 8 de fevereiro. Na ocasião, Takaichi afirmou que desejava submeter aos eleitores a decisão sobre a continuidade de seu governo.

O PLD conquistou 316 das 465 cadeiras da Câmara dos Representantes, ultrapassando sozinho a maioria absoluta e garantindo, com o Partido da Inovação do Japão, mais de dois terços das vagas da câmara baixa.

Mas o período inicial de entusiasmo começa a perder força. Agora, o PLD e o Partido da Inovação do Japão, que formam a coalizão governista, estão alarmados com uma realidade bem diferente batendo à porta.

Uma pesquisa de opinião pública da Jiji Press referente a julho mostrou que o índice de aprovação do Gabinete Takaichi caiu para 49,0%, o nível mais baixo desde o início do governo, em outubro do ano passado.

Outro levantamento, realizado pelo jornal Mainichi Shimbun, mostrou que a aprovação caiu 10 pontos percentuais em relação à pesquisa anterior, chegando a 41%. O índice de desaprovação ficou em 44%, superando pela primeira vez a aprovação.

Foto: Reprodução
Primeira-ministra Sanae Takaichi

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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