Queda de candidatos faz Japão reformular exigências na carreira policial

Tóquio – A Agência Nacional de Polícia elaborou um pacote de medidas para flexibilizar as regras nas academias de polícia. A decisão chega em meio a uma queda expressiva no interesse pela carreira. O cenário reflete a forte concorrência com o setor privado em um mercado de trabalho aquecido, o que tem levado autoridades a rever exigências tradicionais para tentar tornar a carreira policial mais atrativa.
Entre as mudanças aplicadas pela Agência estão o uso de smartphone, estilo de cabelo, saídas e pernoites dos alunos da academia. Consta que serão definidos mais detalhes ainda este ano, publicou a Jiji Press.
Os departamentos de polícia nas províncias também estão tendo de promover aulas sobre como combater crimes que ultrapassam as fronteiras regionais, como são os casos de golpes telefônicos e ataques cibernéticos.
Estão previstas ainda melhoras nas condições de vida dos candidatos com a renovação das instalações e considerar a redução do período entre o ingresso e a formatura nas academias.
A Agência planeja também inserir testes de aptidão e outros métodos já adotados por empresas privadas. Também pretende realizar provas com maior antecedência e frequência, além de contratar profissionais em meio de carreira para cargos acima do nível inicial, de acordo com sua experiência e histórico profissional.
Cai número de candidatos
As mudanças promovidas pela Agência visam, entre outros motivos, conter a queda no número de candidatos a policiais. Em Tóquio, por exemplo, o número de interessados nos exames da polícia caiu cerca de 40% em comparação com dez anos atrás, o que acendeu um alerta sobre o futuro do recrutamento.
O problema não é isolado à capital japonesa. Mais de 30 das 47 províncias japonesas não conseguiram atingir suas metas de contratação entre os anos fiscais de 2021 e 2023. Mesmo quando há candidatos aprovados, cerca de 30% acabam recusando as ofertas de emprego.
O mercado japonês sofre com a falta de trabalhadores em várias áreas e as carreiras públicas se tornaram menos atrativas para muitos jovens.
A Agência precisa manter nas províncias um grande contingente, numa base de 260 mil policiais em todo o país. Uma queda no recrutamento de novos policiais reflete diretamente na capacidade operacional no médio e longo prazo.
Papel da Agência
O papel da Agência é definir os padrões, políticas e diretrizes para todas as polícias provinciais do Japão. Ela também é responsável por áreas estruturais, como treinamento, comunicação e organização do sistema policial.
A formação policial e sua estrutura atual são tradicionalmente bastante rígidas e centralizadas. A Academia Nacional de Polícia e as escolas regionais oferecem cursos com foco em disciplina, liderança, habilidades operacionais e preparo físico, além de exigirem períodos de formação relativamente longos para diferentes níveis da carreira.
Esse modelo ajuda a entender por que regras como controle de comportamento, aparência e rotina sempre foram mais severas.
Foto: Canva








































