População japonesa volta a cair, enquanto número de estrangeiros cresce

2025/08/18 07:01
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Tóquio – O governo do Japão divulgou, neste mês, que a população total do país caiu mais de 500 mil, numa sequência preocupante de declínio de longo prazo. Mais que isso, o número de cidadãos japoneses encolheu mais de 900 mil — uma queda recorde que aprofunda a crise demográfica da nação.

Segundo o Ministério de Assuntos Internos, em 1º de janeiro deste ano o país somava 124.330.690 habitantes, incluindo estrangeiros residentes. A queda no total populacional chegou a 554.485 pessoas, ou 0,44%, em relação ao ano anterior, segundo a NHK.

A redução mais acentuada, porém, ocorreu entre os japoneses, cujo número caiu para 120.653.227 — uma diminuição de 908.574 pessoas, ou 0,75%, em relação ao ano anterior.

Os dados mostram que esta é a maior queda já registrada pelo governo desde 1968 e representa o 16º ano consecutivo de declínio, após o pico registrado em 2009, quando havia mais de 127 milhões de japoneses.

Os números são consequência de baixíssimas taxas de natalidade.

O economista sênior do Instituto de Pesquisa do Japão, Takumi Fujinami, afirma que o governo precisa reverter essa queda, mas evitando uma abordagem fragmentada e excessivamente local.

“Não é uma boa ideia deixar que cada governo local crie suas próprias políticas e concorra para atrair moradores. Precisamos de medidas amplas que considerem o quadro geral”, disse.

Fujinami lista como atrativos oportunidades de emprego, salários mais altos, perspectivas de crescimento profissional e apoio à criação dos filhos — fatores que hoje se concentram em grandes cidades e capitais de província. Para ele, é preciso criar políticas voltadas para gerar empregos em outras regiões.

Províncias

Tóquio lidera a lista de províncias mais populosas, com mais de 14 milhões de habitantes, seguida pela vizinha Kanagawa, com 9,2 milhões, e por Osaka, que tem 8,77 milhões de pessoas.

Já em províncias rurais, os números mal chegam a meio milhão de habitantes: Tottori tem 534 mil residentes, seguida por Shimane e Kochi, ambas entre 640 mil e 670 mil.

Tóquio e Chiba são as duas únicas províncias, entre as 47, que tiveram aumento populacional em relação ao ano anterior. Apenas em Tóquio, a população cresceu cerca de 90 mil.

Na capital japonesa, o distrito de Chuo registrou o maior aumento, com 10.569 novos residentes. Especialistas acreditam que parte desse crescimento se deve à Vila Olímpica e Paralímpica construída na região, que, após os Jogos, foi convertida em habitação permanente.

A qualidade das construções e toda a história ligada ao local atraíram famílias jovens, o que aumentou o número de crianças na área. Tanto é que foi aberta ali uma escola de inglês para crianças, atualmente com cerca de 120 alunos. A procura é tão grande que a fila de espera para novas matrículas chega a dois anos.

Por que Tóquio?

O economista Takumi Fujinami acredita que o apelo de Tóquio para atrair famílias jovens não se deve apenas às ofertas de emprego: a infraestrutura também é um fator decisivo. O forte apoio à educação e ao cuidado infantil faz com que as pessoas queiram criar filhos na capital.

Fujinami comentou: “No passado, quando apenas um dos cônjuges trabalhava, viver no centro de Tóquio era financeiramente difícil. Agora, como é mais comum que ambos trabalhem, tornou-se viável. E eles preferem viver perto dos locais de trabalho, o que faz com que bairros como Chuo atraiam mais famílias.”

Aumento de estrangeiros

Para irritação de políticos nacionalistas, ao contrário da queda populacional japonesa, o número de estrangeiros está crescendo — e não apenas nas grandes cidades. Segundo dados do governo, todas as 47 províncias registraram aumento de residentes estrangeiros no último ano.

Tóquio abriga 721.223 estrangeiros. Em seguida vêm Osaka, Aichi, Kanagawa e Saitama, que juntas concentram mais da metade da população estrangeira do país. Enquanto isso, na outra ponta, Akita, Tottori e Kochi têm menos de 7 mil estrangeiros cada.

Tóquio continua sendo a primeira escolha de estrangeiros, ganhando quase 74 mil novos residentes. Osaka ficou em segundo lugar, com 31.549, seguida por Saitama, com 27.422.

Para Minoru Makise, professor da Universidade Kanto Gakuin e especialista em questões populacionais, o crescimento da população estrangeira está superando as políticas públicas. Segundo ele, o Japão é um lugar confortável para viver, o que atrai estrangeiros.

“Mas o governo não está criando medidas para lidar com essas mudanças”, alerta.

A preocupação de Makise é que outras economias avançadas estão competindo fortemente para atrair mão de obra estrangeira. O professor afirma que o Japão precisa agir rápido, buscando melhorar salários — atualmente baixos — para não ficar para trás nessa disputa.

Foto: Canva

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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