Japão testa remédio que pode regenerar dentes perdidos

Osaka – Pesquisadores japoneses da farmacêutica Toregem Biopharma desenvolveram um medicamento que poderá regenerar dentes em pessoas que os perderam devido a fatores genéticos, lesões, cáries ou envelhecimento. Os testes em humanos começaram em setembro de 2024, e a expectativa é de que o remédio esteja disponível para diferentes formas de ausência dentária por volta de 2030.
Além da Toregem Biopharma, a pesquisa vem sendo liderada por Katsu Takahashi e sua equipe no Instituto de Pesquisa Médica do Hospital Kitano, em Osaka, em colaboração com a Universidade de Kyoto, publicou o Japan Daily.
A descoberta pode permitir o crescimento de novos dentes para substituir os danificados ou ausentes, algo que hoje é tratado principalmente com dentaduras ou implantes. O presidente da Toregem, Honoka Kiso, disse em comunicado que o objetivo é oferecer uma solução clínica avançada e comprovada para o crescimento de dentes a partir dos próprios tecidos do paciente, publicou o Futurist.
Um estudo de 2021 mostrou que um anticorpo neutralizante pode suprimir a proteína USAG-1, que inibe o crescimento dos germes dentários. Com base nessa abordagem, a farmacêutica afirmou ter restaurado dentes em ratos que nasceram sem eles devido a uma deficiência no gene Runx2, que tem papel fundamental no desenvolvimento dentário.
Em 2024, a empresa iniciou um ensaio clínico com homens adultos para testar a segurança da técnica, mas os resultados finais ainda estão pendentes.
A descoberta, porém, não foi recebida com entusiasmo por todos os cientistas. Mary MacDougall, reitora da Faculdade de Odontologia da Universidade da Colúmbia Britânica, disse à revista New Scientist que a abordagem japonesa pode funcionar em crianças, que ainda têm células epiteliais dentárias necessárias para o desenvolvimento dos dentes. No caso dos adultos, essas células existem em menor quantidade.
Como o funcionamento do tratamento ainda não está totalmente claro, MacDougall afirma que não se sabe se é possível aplicar o medicamento em um dente específico sem desencadear o crescimento indesejado de outros dentes próximos.
Para entender melhor o objetivo da farmacêutica, é preciso lembrar que o corpo humano tem 206 ossos, formados por uma mistura endurecida de cálcio, minerais e colágeno. Eles são resistentes e, quando quebram, podem se regenerar, publicou o Popular Mechanics.
Já os dentes não são ossos, embora sejam compostos por alguns dos mesmos materiais e sejam a estrutura mais dura do corpo humano. Diferentemente dos ossos, eles não têm capacidade natural de regeneração. É nesse ponto que entra a pesquisa da Toregem Biopharma, que busca reverter esse quadro.
Nos testes em humanos, 30 homens entre 30 e 64 anos, cada um com um dente ausente, receberão o medicamento por via intravenosa para avaliar sua segurança e eficácia. Nos testes realizados em animais, não foram observados efeitos colaterais.
Se tudo correr bem, o plano dos pesquisadores é oferecer o tratamento inicialmente a crianças de 2 a 7 anos que perderam pelo menos quatro dentes. Embora o foco principal seja atender pacientes com deficiência dentária congênita, a expectativa é de que, no futuro, o tratamento também se torne acessível a pessoas que perderam dentes por outras causas.
Foto: Canva







































