Pesquisa: japoneses acham longos até anúncios em vídeo de 30 segundos

Tóquio – Uma pesquisa feita pela Citizen Watch Co. revelou que mais de 80% dos japoneses consideram longos os anúncios em vídeo de 30 segundos ou menos. Mas existem outros estudos que apontam falta de paciência das pessoas até quando clicam em páginas da internet e estas demoram para abrir.
A empresa fez a pesquisa via online entre 3 e 6 de abril com 400 pessoas de 20 anos de idade ou mais em todo o país. A todas elas foi perguntado qual duração de anúncio consideram longa demais.
Pelo menos 39,5% dos entrevistados citaram os de 30 segundos, enquanto 22,3% disseram que são os de 15 segundos. Outros 14,3% responderam os vídeos de 10 segundos, e 5,3% não perdoaram nem os anúncios de 5 segundos.
A pesquisa analisou também como as pessoas lidam com o tempo em suas vidas e no trabalho no uso do aplicativo de mensagens Line. Neste caso, 30,3% dos entrevistados disseram que uma resposta é demorada demais se não for dada até o dia seguinte. Já 27,3% citaram que deve ser dada mais tarde, mas no mesmo dia, apontando que as pessoas nem sempre esperam por respostas imediatas.
Falta de paciência
Existem outros estudos sobre o aproveitamento do tempo no ambiente digital, o que no Japão é chamado de “taipa”, termo utilizado por 80% dos internautas na faixa dos 20 aos 50 anos de idade.
Um deles, realizado pela empresa de marketing digital Repro, mostrou como anda a paciência dos usuários japoneses em relação ao carregamento de sites e consumo de conteúdo.
A pesquisa revelou que o consumidor de conteúdo digital tolera cada vez menos o tempo de espera de carregamento de telas. Caso estas demorem mais de 2 a 3 segundos para abrir, o internauta as abandona.
Outro ponto é que 65,7% dos entrevistados afirmaram que assistem aos vídeos no YouTube ou streamings praticando o "nagara-mi", que é assistir enquanto fazem outra atividade simultaneamente. Mostrou também que 61,6% usam sites de resumo para não perder tempo.
Entre os jovens de 10 a 20 anos, o hábito de pular introduções de músicas ou buscar o "spoiler", isto é, saber o final antes de assistir, é uma realidade consolidada, embora gerações mais velhas ainda resistam a isso.
Curiosamente, 70% dos japoneses entrevistados relataram uma sensação de "exaustão do tempo", expressando o desejo de viver uma vida na qual não precisem se preocupar tanto com a eficiência dos minutos.
Percepção do tempo
Outro estudo é o Livro Branco do Tempo, da corporação Seiko, sobre a percepção temporal. E a pesquisa descobriu situações importantes.
Mais de 55% das pessoas se sentem convictas de que as 24 horas do dia "não são suficientes" para dar conta de tudo.
Quase metade dos entrevistados (49,2%) relatou que a sensação de estar "sendo perseguido pelo tempo" ou de que o tempo está passando rápido demais aumentou consideravelmente nos últimos anos. Esse fenômeno está diretamente ligado ao uso de smartphones e à necessidade de responder a mensagens instantaneamente.
Horas que desaparecem
O terceiro estudo intitulado “O Fenômeno das Horas Que Desaparecem" foi feito em seis países europeus e investigou a Imersão na Vida Digital (IDL) e a percepção do tempo.
O estudo quantificou que quanto mais imersa a pessoa está no ecossistema digital (redes sociais, aplicativos de mensagens instantâneas), mais acelerada é a sua percepção subjetiva da passagem do tempo no dia a dia.
A pesquisa foca no estresse da "disponibilidade constante". Ambientes digitais criaram a expectativa de respostas em tempo real, onde um vácuo de poucos minutos em aplicativos de mensagens é interpretado psicologicamente como rejeição ou atraso, gerando ansiedade crônica nos usuários.
Foto: Canva







































