Perdeu a página do Facebook? Fale com Fernanda Moribayashi

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Aichi – Muitas empresas perdem suas páginas profissionais no Facebook por erros. Na maioria das vezes, os empresários não sabem por que isso acontece. Mas a especialista Fernanda Moribayashi sabe, como ninguém, como resolver o problema, que ela chama carinhosamente de B.O. (Boletim de Ocorrência). “Tem acontecido muito na comunidade”, enfatiza.

Formada em Análise de Sistemas pela Associação Internacional de Educação Continuada (AIEC) em 2017 e pós-graduanda em Ciência de Dados, no Master of Business Administration (MBA) pela Universidade de São Paulo, Fernanda se especializou em lidar com empresários desesperados por terem suas páginas banidas ou bloqueadas no Facebook. Ela lembra que página é para empresas, pois tem caráter profissional e envolve uma estrutura própria, enquanto o perfil é para pessoas.

Segundo Fernanda, as páginas de empresas estão sujeitas a uma série de regras da rede social e o risco de serem bloqueadas, roubadas ou invadidas é menor, desde que o criador tenha assegurado a propriedade sobre elas. “Seguindo os procedimentos corretos, que se faz apenas uma vez, não tem erro. Mas poucos sabem como proceder. Caso cometa algum erro, o Facebook envia notificações sobre o que está acontecendo — normalmente sobre violação de políticas — antes de tomar uma providência mais drástica”, explica.

Ela exemplifica: supondo que uma empresa crie uma página sobre pesca em geral, mas comece a publicar conteúdos sobre esportes radicais, o Facebook vai detectar a incongruência e notificar. Outro caso seria uma empresa abrir uma página de notícias, mas começar a publicar conteúdos sobre recrutamento. “Esse é um outro tema amplo, que envolve política trabalhista, direitos dos trabalhadores e outras leis regulamentadoras. O Facebook pode notificar, porque a empresa está usando as notícias como atrativo para falar de outros temas aos seguidores, o que é uma violação da política”, esclarece.

Propriedade digital

Um aspecto que poucos percebem é que, ao abrir um perfil em uma rede social, a pessoa adquire uma “propriedade digital”. Normalmente, pessoas têm perfis e empresas, páginas. Porém, toda página precisa pertencer a um perfil, que é do empresário que a criou. Fernanda compara a plataforma à qual pertence essa propriedade, no caso o Facebook, a um terreno. A casa a ser construída ali é a presença social (conteúdos), e o nome de usuário é como o número da casa, que identifica páginas ou perfis. No caso de uma página profissional, é preciso adotar cuidados, como mantê-la dentro de um portfólio. “Fazendo bom uso dessa estrutura, não há risco de violar a política da rede nem de perder a página. Você fica protegido, pode investir na sua rede social e trabalhar tranquilo para ter retorno”, garante.

Um erro comum é delegar a terceiros a criação da página ou da conta de anúncios, quando o certo é o dono da empresa criar a página e, depois, conceder acesso ao terceiro.

Fernanda explica que a Meta dispõe de um painel que assegura a propriedade da página a um perfil. A pessoa que criou deve reivindicar essa propriedade no local certo. Caso contrário, corre o risco de perder a página em algum momento. É o que Fernanda chama de BO, documento registrado em delegacias por vítimas de crimes. “Já resolvi vários BOs de pessoas da comunidade que estavam perdendo suas páginas, seja por violar a política do Facebook ou por delegar a criação da página a outra pessoa”, relata.

Quando uma empresa viola a política do Facebook, a página “cai”, segundo o jargão do setor, resultando na perda de seguidores. “Essa é uma área da minha profissão que gosto muito de atuar, que é resolver BO’s. Uma vez, peguei o caso de um proprietário de página que foi excluído por outro administrador. Fui chamada, resolvi toda a bagunça e o orientei sobre como manter a propriedade de sua página. Esse é um cuidado que principalmente marcas grandes precisam ter”, lembra.

Tráfego pago

Outro aspecto do trabalho de Fernanda é o “tráfego pago”. Ela explica que muitas pessoas usam apenas o botão “turbinar” do Facebook, sem direcionar o destino do anúncio. Sem especificar detalhes essenciais sobre o público-alvo, o anunciante perde dinheiro. “É por isso que algumas pessoas acham que o tráfego pago não funciona. Funciona sim, mas tem que ser feito da maneira correta”, afirma.

Como profissional de Ciência de Dados, Fernanda tem acesso, no tráfego pago, a informações importantes, como perfis dos seguidores da página, dados demográficos e de comportamento. “Uso esses dados para elaborar estratégias e atingir perfis interessantes para a empresa. É o caso, por exemplo, de uma loja de carros que quer encontrar o perfil certo de clientes”, explica. Ela garante que não há invasão de privacidade, pois não se acessam dados como endereço, telefone ou e-mail. As informações são consolidadas por preferências em conjunto, sem identificar pessoas específicas.

Para exemplificar, Fernanda cita o caso de um anúncio para todo o Japão. Nos relatórios a que tem acesso, aparece grande número de cliques vindos de uma região específica. Ela alerta o cliente e o auxilia a decidir se deve aumentar o orçamento naquela área, onde há mais perfis potenciais. “Isso ajuda o cliente a equilibrar o orçamento, investindo mais onde há interesse no produto. Com base nesses dados, consigo otimizar o gasto e aumentar o retorno”, afirma.

Fernanda atua no Facebook, Instagram e Threads, todos da Meta, além do Google Ads e do Line Business, as mídias mais usadas por seus clientes. “Quando o TikTok foi lançado, anunciar lá era caro. Depois o valor caiu um pouco. Mas o problema é que, apesar de algum engajamento, havia pouca conversão, ou seja, vendas. No passado, a rede criou um esquema para monetizar quem assistisse às campanhas, mas muitas pessoas deixavam os anúncios rodando sem assistir. Para o cliente, isso era péssimo, pois estava pagando sem gerar vendas. Somente em junho deste ano foi lançado o TikTok Shop, que aí sim começou a converter”, observa.

Seus clientes atuam em áreas como automóveis, roupas, utensílios, alimentos, confeitaria, contabilidade e eventos. “Trabalho em várias frentes: a parte consultiva, em que indico, recomendo e estruturo; na execução envolve o tráfego pago, campanhas e a parte criativa, como artes e vídeos; e ainda o desenvolvimento de sites e formatação de cursos, tanto online quanto presenciais. Recentemente, estruturamos um workshop sobre Gestão Empresarial, cuidando de toda a infraestrutura física e da campanha para atrair o público, permitindo que o especialista ministrasse o curso sem preocupações”, relata.

Para Fernanda, se as empresas entendessem o valor dos dados e mantivessem essas informações internamente, isso faria grande diferença na inteligência empresarial. Quando um funcionário treinado sai da empresa, perde-se conhecimento. “Muitas empresas ainda não implementaram a prática de manter sob controle seus registros e ativos digitais, e isso representa perda de dinheiro. Não é o dinheiro físico que sai do bolso, mas ativos digitais que se perdem”, afirma.

Uma empresa que perde uma página é obrigada a patrocinar ações para recuperar o que tinha antes. “A perda de uma página, com a consequente queda de seguidores, pode afetar contratos com clientes e, nesse caso, é perda de dinheiro físico mesmo. Em resumo, a falta de uma boa estrutura digital resulta em perda de inteligência empresarial e de dinheiro”, finaliza.

Foto: Cedida

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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