Jogadores naturalizados denunciam discriminação na liga de rúgbi do Japão

2026/05/08 09:05
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Tóquio – Pelo menos 27 jogadores de rúgbi naturalizados japoneses apresentaram uma denúncia contra a Japan Rugby League One (JRLO), acusando a entidade de criar uma divisão discriminatória na liga. Isso porque, a partir da temporada 2026-27, a atual Categoria A será dividida entre a Categoria A-1, voltada a atletas com formação local, vínculos familiares com o Japão ou histórico relevante na seleção nacional, e a Categoria A-2, formada por jogadores naturalizados que se tornaram elegíveis por residência.

A denúncia, que inclui um pedido de liminar provisória, foi apresentada no dia 20 de abril à Comissão de Comércio Justo do Japão, tendo entre os 27 atletas nomes importantes dos Brave Blossoms, como Jiwon Gu e Timothy Lafaele, segundo o Rugby Republic.

Atletas como Jiwon Gu e Timothy Lafaele ajudaram o Japão a crescer mundialmente e participaram da ascensão dos Brave Blossoms após as Copas do Mundo recentes. Os atletas argumentam que o novo sistema viola a Lei Antimonopólio ao restringir oportunidades de trabalho para cidadãos japoneses com base em sua origem.

Até agora, todos os atletas aptos a defender a seleção japonesa ficavam na mesma categoria, chamada Categoria A, a qual incluía: japoneses natos, jogadores descendentes de japoneses, estrangeiros naturalizados que passaram a ter cidadania japonesa e atletas que se tornaram elegíveis por tempo de residência no país. Mas na temporada 2026-27, a liga decidiu dividir essa categoria em dois grupos distintos.

A nova Categoria A-1 terá prioridade. Ela reúne jogadores considerados formados dentro da cultura esportiva japonesa, atletas com ligação familiar direta com o país ou jogadores com histórico relevante pela seleção japonesa.

Na Categoria A-1 estão:

  • atletas que estudaram por pelo menos seis anos no sistema escolar japonês
  • jogadores nascidos no Japão
  • descendentes de japoneses
  • veteranos com mais de 30 jogos pela seleção japonesa

Já a Categoria A-2, na qual agora estão os reclamantes, reúne atletas que:

  • nasceram fora do Japão
  • chegaram ao país mais tarde
  • se tornaram elegíveis por residência e naturalização

Mesmo sendo cidadãos japoneses, esses jogadores naturalizados passarão a enfrentar mais limitações para serem inscritos nas partidas. Em entrevista no dia 30 de abril, o presidente Genichi Tamatsuka afirmou que, embora a liga reconheça o impacto sobre alguns jogadores, não há planos para revisar ou adiar a implementação da medida para a temporada 2026-27.

Tamatsuka sustenta que as mudanças foram elaboradas para incentivar jovens estudantes japoneses a seguir carreira no rugby profissional, criando mais vagas acessíveis nos elencos para talentos nacionais.

No rúgbi japonês existe um limite para quantos jogadores de determinadas categorias podem atuar em cada partida, o que afeta diretamente escalações, tempo de jogo, contratos, valor de mercado e chances de renovação. Ou seja, se um atleta ficar na Categoria A-2, ele pode perder espaço no elenco mesmo tendo cidadania japonesa e atuando pela seleção nacional.

Daí a razão de os 27 atletas terem recorrido à Comissão de Comércio Justo do Japão, alegando possível violação da Lei Antimonopólio.

A JRLO argumenta que o objetivo não é discriminar jogadores naturalizados, mas proteger o desenvolvimento do atleta japonês formado localmente.

Existe uma preocupação crescente no Japão de que clubes estejam contratando muitos estrangeiros experientes, fazendo com que jovens japoneses tenham menos espaço e prejudicando o desenvolvimento da base nacional.

Após a denúncia entregue à comissão, caso os jogadores vençam, isso poderá criar um precedente importante no esporte japonês sobre igualdade de tratamento para cidadãos naturalizados. Se a liga vencer, outras modalidades poderão copiar modelos parecidos de prioridade doméstica.

Foto: Aviso legal: Esta é uma imagem gerada por IA criada exclusivamente para fins ilustrativos. Não representa um evento ou pessoas reais

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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