Japão vence Copa do Mundo de recolhimento de lixo em Tóquio

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Tóquio – O distrito de Shibuya, em Tóquio, recebeu uma competição singular: a final da Copa do Mundo de SpoGomi 2025, voltada ao recolhimento de lixo. O evento reuniu equipes de 33 países e teve como campeã a equipe japonesa “Smile Story”.

A equipe do Japão venceu a final realizada em 29 de outubro, com 74,76 kg de lixo recolhido e 7.210 pontos. O segundo lugar ficou com o time da Alemanha, com 74,56 kg e 6.213,5 pontos, enquanto o Marrocos alcançou o terceiro lugar, com 79,89 kg e 6.070,3 pontos.

A expressão “SpoGomi” combina as palavras em inglês sport (esporte) e em japonês gomi (lixo). O esporte foi criado por Kenichi Mamitsuka e é organizado pela The Nippon Foundation SPOGOMI Federation com sede em Tóquio.

A disputa contou com 33 equipes formadas por três integrantes cada, somando 99 participantes. Ao todo, na final, foram recolhidos 878,98 kg de lixo, o que representa, segundo a The Nippon Foundation SPOGOMI Federation, um “marco importante no avanço global para a redução do lixo marinho”.

Entenda a competição

A SpoGomi World Cup define o melhor no “esporte de coleta de lixo” do mundo, ao mesmo tempo em que promove um movimento global de redução de resíduos marinhos com origem no Japão.

A primeira edição, em 2023, teve como vencedora a equipe do Reino Unido. A competição de 2025 marca a segunda edição da Copa do Mundo.

Antes da final em Tóquio, 2.834 equipes e 8.502 participantes competiram nas seletivas nacionais, recolhendo o total de 22.516,2 kg de resíduos. Entre os competidores estavam estudantes, grupos comunitários, equipes corporativas, aventureiros que coletavam lixo durante viagens e grupos que promoviam conscientização ambiental por meio da arte e da educação.

Os participantes representavam diversas profissões, de produtores musicais a guias de trilhas em montanhas, unidos pelo objetivo de transformar o simples ato de recolher lixo em um esporte competitivo e acessível.

Durante a final

A disputa contou com cosplayers representando personagens de animes, mangás e jogos, que acompanharam as delegações no palco da cerimônia de abertura, tendo como cenário o cruzamento de Shibuya.

Durante a competição, as equipes se dividiram por áreas, recolhendo latas, garrafas PET, bitucas de cigarro e embalagens plásticas. O regulamento impedia a coleta de sacos de lixo já deixados pelos moradores nas lixeiras.

A vitória do Japão foi determinada com base em dois critérios: quantidade e tipo de resíduo recolhido. Apenas na final, as equipes retiraram 878,98 kg de lixo.

Os integrantes da “Smile Story” celebraram o título com entusiasmo: “Esses 45 minutos de competição foram intensos, mas as regras do SPOGOMI (versão Copa do Mundo) são tão únicas e empolgantes que eu realmente senti que isto é um esporte de verdade! Muito obrigado a todos!”, declararam.

O ex-nadador olímpico Takeshi Matsuda, embaixador do evento, afirmou: “Foi maravilhoso ver a equipe japonesa, vice-campeã em 2023, conquistar o título este ano. Embora esta seja apenas a segunda edição da Copa do Mundo, é evidente que a paixão e o comprometimento de todos cresceram. Acredito que o SPOGOMI continuará se expandindo como um esporte ambiental que inspira pessoas no mundo inteiro.”

Aki Taguchi comentou: “Fiquei muito feliz pela vitória do Japão, mas, acima de tudo, por ver todos retornarem para casa com segurança e sentimento de realização. Mesmo sendo uma competição com pontuação, o mais marcante foi o espírito esportivo, todos se elogiaram e celebraram juntos.”

Asuka Terada, também embaixadora, destacou: “O que mais me impressionou foi a alegria de todos os participantes. Cada pessoa aqui tem uma forte consciência ambiental, e espero que continuem esse trabalho em seus países. Eles devem se orgulhar por terem competido neste palco final.”

Comentários finais

O diretor da The Nippon Foundation SPOGOMI Federation, Masanori Tamazawa, comemorou o resultado: “Esta segunda edição contou com a participação de 34 países, um aumento significativo. Durante as seletivas, o SPOGOMI inspirou diversas histórias e revelou diferenças entre sistemas de coleta e consciência pública em cada nação.”

Tamazawa acrescentou: “O apelo desse esporte, nascido no Japão, está crescendo pelo mundo. É uma forma divertida e eficaz de promover mudança de comportamento e conscientização ambiental. Ficamos especialmente felizes com a estreia de vários países africanos. Nosso objetivo é reduzir o lixo marinho por meio do SPOGOMI e seguir estimulando ações sustentáveis em todo o planeta.”

A Copa do Mundo de SpoGomi contou com o apoio da The Nippon Foundation, do Ministério do Meio Ambiente, da Agência de Esportes do Japão e da Prefeitura de Shibuya.

Os países participantes foram: Austrália, Bangladesh, Brasil, Bolívia, Bulgária, Canadá, China, República Dominicana, El Salvador, Estônia, França, Alemanha, Honduras, Índia, Indonésia, Japão, Malásia, Marrocos, Namíbia, Filipinas, Senegal, Ilhas Salomão, África do Sul, Coreia do Sul, Espanha, Sri Lanka, Suécia, Tailândia, Tunísia, Reino Unido, Estados Unidos e Vietnã.

O Paquistão participou das seletivas, mas não pôde comparecer à final.

Lixo da terra vai parar no mar

Grande parte do lixo produzido em terra acaba chegando ao mar, proveniente de cidades, indústrias e áreas agrícolas. O descarte incorreto de plásticos e outros resíduos, somado à falta de coleta seletiva e destinação adequada, faz com que o material seja levado por rios, canais e drenagens urbanas até os oceanos. Estimativas da ONU e da Ocean Conservancy indicam que entre 8 e 12 milhões de toneladas de plástico chegam aos mares todos os anos, o equivalente a um caminhão de lixo plástico despejado a cada minuto.

Ao alcançar o oceano, o lixo se acumula no fundo ou é carregado pelas correntes marinhas. Como o plástico não se degrada completamente, ele se fragmenta em partículas menores que 5 milímetros, conhecidas como microplásticos, que acabam sendo ingeridas por peixes, aves e outros animais marinhos. Mais de 700 espécies já foram afetadas pela poluição dos mares, seja por ingestão, emaranhamento ou contaminação química.

O impacto não é apenas ambiental. O lixo marinho traz prejuízos ao turismo, à pesca e à navegação, além de afetar a saúde pública. Segundo a The Nippon Foundation SPOGOMI Federation, o problema é social, econômico e ambiental, e só pode ser combatido com ações conjuntas de prevenção em terra, educação ambiental e políticas eficazes de redução, coleta e reciclagem de resíduos.

Foto: Reprodução/SpoGomi

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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