Japão reduzirá subsídios da gasolina a partir de dezembro

Tóquio – O governo japonês começará a reduzir gradualmente, a partir de dezembro, os subsídios utilizados para conter os preços da gasolina e de outros combustíveis, anunciou na quinta-feira (29) a primeira-ministra Sanae Takaichi.
A medida poderá provocar aumento nos preços pagos pelos consumidores nos postos, embora o impacto efetivo dependa também da cotação internacional do petróleo, do valor do iene e de outras condições do mercado.
Segundo Takaichi, o governo pretende elevar, em princípio, em aproximadamente 5 ienes por litro a cada mês o preço de referência utilizado no programa, avançando gradualmente até a primavera de 2027.
Atualmente, os subsídios são utilizados para manter o preço médio nacional da gasolina comum em aproximadamente 170 ienes por litro.
O governo acompanhará a evolução dos preços internacionais do petróleo antes de realizar cada ajuste.
Subsídio ultrapassa 50 ienes por litro
Takaichi informou que o subsídio atualmente concedido à gasolina ultrapassa 50 ienes por litro. Porém, o custo para os cofres públicos já supera 10 bilhões de ienes por dia. Mantido esse ritmo, o gasto seria superior a 300 bilhões de ienes em apenas um mês.
Segundo a primeira-ministra, desde que assumiu o cargo, em outubro de 2025, o governo já gastou aproximadamente 1,4 trilhão de ienes para financiar a medida de contenção dos preços dos combustíveis.
A preocupação com o custo levou partidos da situação e da oposição a defender uma revisão gradual do programa e a elaboração de uma estratégia para reduzir a dependência dos subsídios.
Takaichi afirmou que a ajuda deve ser considerada uma medida de transição e que o sistema precisa se tornar sustentável.
Redução começa em dezembro
Desde março, o governo utiliza o programa para limitar o preço médio da gasolina comum a aproximadamente 170 ienes por litro. A partir de dezembro, esse mecanismo começará a ser reduzido.
Em princípio, o preço de referência deverá aumentar cerca de 5 ienes por litro a cada mês até a primavera.
Isso não significa, entretanto, que o preço nos postos necessariamente subirá exatamente 5 ienes todos os meses.
O valor final também será influenciado pela cotação internacional do petróleo, pela taxa de câmbio, pelos custos de importação, pela distribuição e pela concorrência entre os postos.
Caso todas essas condições permanecessem inalteradas, uma redução de 5 ienes no subsídio poderia produzir um aumento semelhante no preço pago pelo consumidor. Mas esse cenário não pode ser considerado uma previsão.
Quanto o motorista poderá gastar a mais?
O impacto dependerá principalmente da quantidade de combustível consumida.
Supondo que um motorista utilize 100 litros de gasolina por mês, ele teria uma despesa adicional de aproximadamente 500 ienes caso o preço efetivamente aumentasse 5 ienes por litro. Se o aumento acumulado chegasse a 10 ienes, a diferença seria de cerca de mil ienes por mês.
Para uma família que utilize 200 litros mensais, um aumento acumulado de 15 ienes por litro representaria uma despesa adicional de aproximadamente 3 mil ienes mensais.
Esses valores são apenas exemplos matemáticos e não constituem previsões oficiais sobre os preços futuros.
Diesel poderá afetar transporte e produtos
A redução dos subsídios não deverá afetar somente os motoristas de automóveis particulares.
O diesel é amplamente utilizado no transporte rodoviário de cargas, incluindo caminhões responsáveis pela distribuição de alimentos, produtos industriais e mercadorias entre fábricas, centros de distribuição e estabelecimentos comerciais.
Caso o custo do combustível aumente, empresas de transporte poderão enfrentar despesas maiores.
Dependendo dos contratos e das condições do mercado, parte desses custos poderá ser repassada aos clientes e, posteriormente, aos preços de produtos e serviços.
Por isso, a redução dos subsídios aos combustíveis também poderá produzir efeitos indiretos sobre o custo de vida.
Governo pagará subsídios de eletricidade e gás no inverno
Ao mesmo tempo em que reduzirá gradualmente os subsídios aos combustíveis, o governo japonês retomará durante o inverno a ajuda destinada às contas de eletricidade e gás.
Segundo Takaichi, uma família considerada padrão deverá economizar aproximadamente 7 mil ienes durante os três meses de aplicação da medida, a partir de dezembro.
O governo adotou mecanismo semelhante no inverno anterior para reduzir o impacto das despesas com energia durante os meses mais frios.
A medida deverá compensar parcialmente o aumento das despesas domésticas provocado pelos preços elevados de energia.
Petróleo subiu após agravamento da crise no Oriente Médio
O programa de subsídios ganhou novamente importância depois da forte elevação dos preços internacionais do petróleo provocada pelo agravamento da situação no Oriente Médio.
Os preços do petróleo dispararam após o fechamento efetivo do Estreito de Hormuz, consequência do início da guerra envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã no final de fevereiro.
O Estreito de Hormuz é uma das principais rotas mundiais para o transporte de petróleo.
O impacto é particularmente importante para o Japão, que possui poucos recursos energéticos próprios e depende fortemente das importações de petróleo do Oriente Médio.
Por esse motivo, mudanças no fornecimento internacional ou no preço do petróleo podem rapidamente influenciar os custos de combustíveis, eletricidade, transporte e diversos produtos no país.
Fonte: Kyodo News
Foto: Canva







































