Japão recomenda estoque de água e alimentos para uma semana em caso de desastre

2026/11/06 07:35
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Tóquio – Água, comida, um meio para preparar refeições mesmo sem eletricidade ou gás, banheiros portáteis, lanternas, baterias e medicamentos. Em um país sujeito a terremotos, tufões, inundações e outros desastres naturais, as autoridades japonesas reforçam a necessidade de cada família estar preparada para sobreviver por conta própria durante os primeiros dias de uma emergência de grande escala.

A recomendação do governo é manter em casa alimentos, água e produtos essenciais suficientes para pelo menos três dias. Sempre que possível, porém, o estoque deve permitir que todos os moradores da residência permaneçam por uma semana sem depender de supermercados, lojas de conveniência ou da distribuição de mantimentos pelas autoridades.

A precaução ganha importância diante da possibilidade de ocorrência de terremotos de grandes proporções, como um eventual megaterremoto na Fossa de Nankai, o chamado Nankai Trough, além de um terremoto diretamente sob a região metropolitana de Tóquio.

No caso do Nankai, os danos podem atingir simultaneamente uma área extremamente extensa do Japão. Por isso, documentos de prevenção do governo ressaltam que uma reserva para uma semana ou mais é especialmente importante.

O problema não se limita ao momento do terremoto. Depois de um grande desastre, redes de água, eletricidade e gás podem permanecer interrompidas. Estradas podem ficar bloqueadas, centros de distribuição podem parar e supermercados e konbinis podem não receber mercadorias.

O Ministério da Agricultura, Florestas e Pesca (MAFF) lembra que experiências anteriores mostram casos em que a recuperação da infraestrutura levou mais de uma semana. Há ainda situações em que os suprimentos de emergência levam mais de três dias para chegar aos moradores. Dependendo da interrupção do sistema logístico, alimentos podem ficar indisponíveis nas lojas por uma semana.

Água é prioridade

Entre todos os produtos, a água é um dos mais importantes. O governo recomenda considerar aproximadamente 3 litros por pessoa por dia, incluindo água para beber e para preparar alimentos. Isso representa cerca de 21 litros para uma pessoa durante uma semana. Uma família de quatro pessoas, portanto, precisaria considerar algo próximo de 84 litros para sete dias.

Naturalmente, armazenar essa quantidade exige espaço. Por isso, é possível começar com uma reserva menor e aumentá-la gradativamente.

Além das garrafas de água mineral, recipientes próprios para água são úteis caso as autoridades estabeleçam pontos de distribuição depois de um desastre.

Comida para pelo menos três dias, preferencialmente uma semana

Não é necessário encher um armário exclusivamente com alimentos especiais de emergência. O governo incentiva o chamado rolling stock, ou estoque rotativo.

A ideia é simples: comprar um pouco mais dos alimentos que a família normalmente consome, usar primeiro os produtos mais antigos e repor aquilo que foi consumido. Dessa forma, existe permanentemente uma reserva em casa sem que os alimentos fiquem esquecidos até perder a validade.

Entre os alimentos que podem formar um estoque doméstico no Japão estão:

• arroz comum, desde que haja água e meio para cozinhá-lo;
• arroz instantâneo do tipo alpha-mai (アルファ米), preparado geralmente com água quente ou, dependendo do produto, água em temperatura ambiente;
• pacotes de arroz pronto, do tipo pack gohan (パックご飯);
• cup lámen e outros tipos de macarrão instantâneo;
• lámen ensacado;
• soba, udon, sōmen e massas secas;
• cereais matinais;
• barras de cereais e barras energéticas;
• biscoitos, crackers e kanpan (乾パン), biscoito seco tradicionalmente usado como alimento de emergência;
• conservas de peixe, como atum, sardinha, saba e salmão;
• carnes e outros alimentos enlatados;
• curry, gyūdon, molho para massas e outros produtos em embalagem retort;
• sopas instantâneas e missoshiru;
• algas nori e wakame;
• legumes secos;
• vegetais que resistam algum tempo fora da geladeira, como batata e cebola;
• sucos de frutas e vegetais de longa duração;
• frutas secas;
• castanhas e outros tipos de nuts;
• chocolate;
• balas;
• yōkan, doce japonês à base de feijão, que possui versões com longa validade;
• leite de longa duração, quando disponível;
• temperos básicos, como sal, açúcar, shoyu e mentsuyu.

O MAFF sugere combinar fontes de carboidratos, proteínas e outros nutrientes. Para uma pessoa durante uma semana, um exemplo oficial inclui um pacote de 2 quilos de arroz, três refeições de cup lámen, massas secas, três pacotes de arroz pronto, nove porções de alimentos retort, três molhos para massa e nove latas de alimentos, além de outros complementos.

O que comprar também depende de quem vive na residência. Famílias com crianças pequenas, idosos, pessoas com alergias, doenças crônicas ou restrições alimentares precisam manter produtos específicos. Fórmula infantil, alimentos para bebês e comida para animais de estimação também devem entrar no planejamento.

Fogareiro pode fazer grande diferença

Um equipamento relativamente simples pode aumentar significativamente as opções durante um desastre: o fogareiro portátil a gás, conhecido no Japão como cassette konro (カセットコンロ).

Se eletricidade e gás encanado forem interrompidos, ele permite ferver água, aquecer alimentos retort e preparar arroz, macarrão, sopas e outras refeições.

O MAFF considera o fogareiro uma parte importante do estoque doméstico. Como referência, recomenda aproximadamente seis cartuchos de gás por pessoa para uma semana.

Também é importante manter panela, chaleira ou recipiente apropriado para aquecer água.

Há, porém, um cuidado fundamental. Fogareiros e qualquer aparelho que produza combustão devem ser utilizados conforme as instruções do fabricante e em ambiente adequadamente ventilado. Equipamentos de camping destinados somente ao uso externo não devem ser improvisados dentro de ambientes fechados devido ao risco de incêndio e intoxicação por monóxido de carbono.

Banheiro pode se tornar um problema antes da comida

Um item frequentemente esquecido é o banheiro. Depois de um terremoto, mesmo que o vaso sanitário esteja aparentemente intacto, a interrupção do fornecimento de água ou danos nas tubulações e na rede de esgoto podem impedir seu uso normal.

Por isso, o governo recomenda manter banheiros portáteis ou sacos sanitários de emergência, chamados em japonês de keitai toilet (携帯トイレ) ou kantan toilet (簡易トイレ).

Alguns modelos consistem em sacos resistentes colocados diretamente sobre o vaso sanitário. Depois do uso, um agente coagulante transforma os líquidos em material sólido ou gelatinoso, facilitando o armazenamento temporário e posterior descarte.

A recomendação divulgada pelo governo é calcular aproximadamente cinco a seis utilizações por pessoa por dia, durante sete dias. Isso significa que uma família de quatro pessoas pode precisar de cerca de 140 a 168 unidades para uma semana.

Também são importantes sacos plásticos resistentes, papel higiênico, lenços umedecidos, álcool ou produto para higienizar as mãos, produtos para limpeza e desodorizante.

Outros itens que podem fazer falta

A preparação não termina na água e na alimentação. Uma família deve imaginar como seria permanecer vários dias em casa sem eletricidade, água corrente, gás, internet e, eventualmente, telefone.

Entre os produtos considerados úteis estão lanternas, lanternas do tipo lampião, pilhas, rádio portátil a pilha ou manivela, power banks carregados, cabos para celular, medicamentos de uso contínuo, kit de primeiros socorros, óculos de reserva, máscaras, toalhas, lenços umedecidos, produtos de higiene feminina, fraldas infantis ou geriátricas, sacos de lixo, filme plástico para alimentos, luvas de trabalho, roupas, cobertores e aquecedores descartáveis kairo durante o inverno.

Também é recomendável manter algum dinheiro em espécie. Em uma queda prolongada de energia e das redes de comunicação, caixas eletrônicos, sistemas de cartões e pagamentos por smartphone podem deixar de funcionar.

Uma mochila para sair rapidamente

O estoque destinado a permanecer dentro da residência é diferente da chamada mochila de emergência.

Caso seja necessário abandonar rapidamente a casa por risco de incêndio, tsunami, deslizamento ou desabamento, não será possível carregar dezenas de litros de água ou uma semana inteira de mantimentos.

Por isso, o governo recomenda deixar uma mochila preparada em local de acesso fácil, contendo apenas os itens essenciais para uma evacuação: água, alimentos leves, lanterna, rádio, pilhas, medicamentos, documentos importantes, dinheiro, roupas, toalhas, máscara, luvas, produtos de higiene e outros artigos indispensáveis para cada pessoa.

Famílias que vivem em regiões costeiras também devem conhecer antecipadamente a rota até áreas elevadas ou locais de evacuação em caso de tsunami.

Se a casa estiver segura, permanecer nela pode ser melhor

Outra orientação importante é que nem todo morador precisa necessariamente ir para um abrigo depois de um terremoto.

Se a residência continuar estruturalmente segura e não estiver em uma área que exija evacuação, permanecer em casa pode ser a melhor alternativa. É a chamada zaitaku hinan (在宅避難), ou evacuação domiciliar.

As autoridades consideram essa possibilidade especialmente importante em regiões densamente povoadas, pois os abrigos podem ficar lotados rapidamente. Entretanto, permanecer em casa exige justamente a existência de água, comida, banheiro de emergência e outros produtos básicos.

Preparação começa antes do estoque

Ter alimentos guardados não resolve todos os problemas. O governo também recomenda fixar móveis para impedir tombamentos, evitar objetos pesados em locais elevados, impedir que armários possam bloquear portas e corredores e verificar previamente os locais e rotas de evacuação.

Outro equipamento recomendado é o kanchi breaker (感震ブレーカー), disjuntor sensível a terremotos que interrompe automaticamente a eletricidade quando detecta uma forte movimentação.

Isso reduz o risco de incêndios provocados por equipamentos e instalações elétricas, inclusive quando o fornecimento de energia é restabelecido depois do terremoto.

No caso de uma Informação Extraordinária sobre o Terremoto da Fossa de Nankai, Nankai Torafu Jishin Rinji Jōhō (南海トラフ地震臨時情報), a população também pode ser orientada a rever imediatamente seus preparativos e permanecer em condições de evacuar rapidamente.

Quando é emitida a classificação “Megaterremoto: Atenção”, a orientação especial é mantida basicamente durante uma semana. No caso de “Megaterremoto: Alerta”, moradores de determinadas áreas podem ser orientados a realizar evacuação preventiva durante sete dias.

Outros países também estão pedindo que famílias se preparem

O movimento não ocorre apenas no Japão. Em março de 2025, a União Europeia apresentou uma estratégia de preparação para crises que prevê incentivar os cidadãos dos países do bloco a manter condições de subsistir por pelo menos 72 horas sem assistência externa.

No caso europeu, entretanto, o cenário considerado é mais amplo. Além de desastres naturais e interrupções de serviços essenciais, as autoridades citam pandemias, ataques cibernéticos, sabotagem da infraestrutura, ameaças híbridas, tensões geopolíticas e consequências da guerra da Rússia contra a Ucrânia.

Alguns países adotam recomendações ainda mais extensas.

Na Alemanha, o Escritório Federal de Proteção Civil e Assistência em Desastres recomenda que, quando possível, a população consiga se manter durante dez dias. A autoridade afirma que mesmo uma reserva para três dias já representa um importante primeiro passo. Entre os cenários considerados estão apagões, enchentes, nevascas, interrupções no abastecimento e situações relacionadas a crises e conflitos.

Na Suécia, onde a preparação civil também leva explicitamente em conta a possibilidade de crises ou guerra, a população é incentivada a conseguir enfrentar cerca de uma semana sem o funcionamento normal da sociedade. A lista inclui água, comida para sete dias, rádio a pilha, lanternas, baterias, power bank, dinheiro, medicamentos e até um fogareiro de camping.

No Reino Unido, campanhas oficiais recentes também recomendam que as famílias mantenham pelo menos três dias de água e alimentos não perecíveis, além de lanterna, rádio, medicamentos e meios alternativos para carregar o telefone.

A lógica é semelhante em todos esses países: nas primeiras horas ou dias depois de uma crise de grandes proporções, equipes de emergência precisam concentrar seus recursos principalmente nas pessoas em maior risco.

No Japão, onde terremotos de grande intensidade podem ocorrer praticamente sem aviso, a preparação doméstica tem ainda uma característica particular: não se trata de comprar grandes quantidades de produtos somente quando surge um alerta.

A recomendação é preparar-se antes. Manter permanentemente água, alimentos e produtos essenciais em casa, consumindo e repondo os estoques, pode permitir que uma família atravesse os primeiros dias de um grande terremoto sem depender imediatamente de lojas, centros de distribuição ou abrigos.

Em um desastre de grande escala, três dias de autonomia são considerados o mínimo. Uma semana é a meta recomendada sempre que houver condições para isso.

Foto: Esta é uma imagem gerada por IA criada exclusivamente para fins ilustrativos. Não representa um evento ou pessoa real

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