Japão permitirá que taxistas exijam desembarque de passageiros abusivos antes do destino

Tóquio - Motoristas de táxi e de ônibus no Japão poderão solicitar o desembarque de passageiros que continuem apresentando condutas abusivas, como agressões verbais e exigências injustificadas, mesmo após serem advertidos. A mudança tem entrada em vigor prevista para 1º de dezembro de 2026, segundo o cronograma divulgado pelo Ministério da Terra, Infraestrutura, Transporte e Turismo.
O ministério prepara uma revisão dos Termos Padrão de Transporte, que estabelecem as condições básicas para a prestação desses serviços. A proposta explicita que as operadoras poderão recusar o embarque ou interromper o transporte quando o passageiro não atender ao pedido para cessar o comportamento abusivo. A consulta pública sobre a mudança está aberta até 3 de novembro.
Atualmente, os taxistas já podem recusar ou interromper uma viagem em situações específicas, como nos casos de passageiros que se tornam fisicamente violentos, transportam objetos proibidos ou perigosos ou estão tão embriagados que não conseguem informar claramente o destino, publicou o SoraNews24.
A ampliação das possibilidades de recusa está relacionada às novas obrigações de prevenção ao assédio cometido por clientes, conhecido no Japão como kasuhara (カスハラ), que entraram em vigor em 1º de outubro. As regras exigem que as empresas, incluindo as operadoras de táxis e ônibus, adotem medidas para proteger seus funcionários. A revisão das condições de transporte busca deixar explícito aos passageiros que esse tipo de comportamento não será tolerado.
A recusa de um passageiro em desembarcar, porém, continuará exigindo procedimentos de segurança, que ainda deverão ser definidos.
Passageiro tentou chutar taxista em Saitama
Casos registrados recentemente mostram algumas das situações enfrentadas por motoristas profissionais no Japão.
No dia 30 de setembro deste ano, na província de Saitama, um homem embriagado entrou em um táxi, mas se recusou a informar o destino. Quando o motorista perguntou como deveriam proceder, o passageiro tentou atingi-lo com um chute. O taxista conseguiu se desviar, mas a divisória de proteção do veículo foi quebrada, publicou a FNN.
O homem acabou detido pela polícia. Mais tarde, após ser liberado, foi até a empresa para pedir desculpas e pagou pelo conserto.
Na ocasião, a operadora Heiwa Jidosha tinha cinco de seus 120 motoristas afastados do trabalho em razão do sofrimento psicológico provocado pelo assédio de clientes.
Ameaças e celular arrancado das mãos em Kochi
Na província de Kochi, também foram registrados vários casos envolvendo passageiros de táxis neste mês de outubro. Em um deles, um passageiro insatisfeito com a condução do veículo insultou o motorista e fez ameaças de morte, publicou a Kochi Sansan TV.
Em outra ocorrência, um homem aparentemente muito embriagado discutiu com o taxista sobre o destino e exigiu que ele retornasse. Quando o motorista telefonou para a polícia, o passageiro arrancou o celular de suas mãos e tentou arremessá-lo.
Profissionais ouvidos pela emissora também relataram casos de passageiros que chutaram o banco do motorista e as portas dos veículos, além de provocarem danos aos retrovisores.
Tumulto em ônibus de Nagoya interrompeu viagem
Os taxistas não são os únicos profissionais que enfrentam problemas provocados por passageiros. Na cidade de Nagoya, na província de Aichi, em outubro de 2024, um homem que estava em um ônibus municipal passou a gritar com o motorista e a acusá-lo de fazer advertências frequentes a pessoas que corriam para tentar embarcar no veículo. O profissional afirmou não reconhecer a situação descrita pelo passageiro, segundo reportagem da CBC TV publicada em dezembro daquele ano.
O homem se aproximou do motorista e começou a exigir que ele descesse do ônibus. Outros passageiros tentaram intervir, dizendo que o comportamento estava prejudicando a todos.
O motorista acabou desembarcando, seguido pelos demais passageiros, que precisaram esperar cerca de dez minutos no ponto para prosseguir a viagem em outro ônibus, publicou a TBS News.
Na ocasião, um representante do Departamento de Transportes de Nagoya destacou o estresse psicológico provocado no motorista e a dificuldade de impedir imediatamente o embarque de uma pessoa por se tratar de um serviço de transporte público.
Foto: Canva








































