Falências aumentam no Japão com falta de trabalhadores e alta dos custos

Tóquio – A falta de trabalhadores, o aumento dos custos com pessoal, a alta dos preços de matérias-primas e as dificuldades para repassar as despesas aos consumidores estão pressionando empresas japonesas de diferentes setores e contribuindo para o aumento das falências.
Dados divulgados pela Tokyo Shoko Research mostram que 240 empresas faliram entre abril e setembro deste ano por problemas relacionados à falta de mão de obra.
O número representa um aumento de 17% em relação ao mesmo período de 2025 e é o maior já registrado para um primeiro semestre fiscal desde o início da pesquisa, em 2013.
Do total, 130 falências estiveram relacionadas diretamente ao aumento dos custos com pessoal, um crescimento de 75,6% na comparação anual.
Isso mostra que o problema não se limita às empresas que não conseguem encontrar funcionários. Parte delas também enfrenta dificuldades para arcar com os salários necessários para contratar e manter trabalhadores.
Os setores de serviços lideraram os casos, com 91 falências, seguidos pela construção civil, com 55.
No conjunto da economia, o Japão registrou 5.373 falências empresariais entre abril e setembro, um aumento de 3,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Restaurantes sob pressão
O setor de alimentação está entre os mais afetados pelo aumento dos custos.
Entre abril e setembro, 514 empresas de restaurantes e outros estabelecimentos de alimentação entraram em processo de falência, um crescimento de 3,4% em relação ao mesmo período de 2025.
Foi o maior número registrado para um primeiro semestre fiscal desde 1997, quando começou a série considerada pelo levantamento.
A maior parte dos estabelecimentos era de pequeno porte. Das 514 empresas que faliram, 460 tinham capital inferior a 10 milhões de ienes, o equivalente a 89,4% do total.
Entre os principais fatores que pressionam o setor estão o aumento dos preços dos ingredientes, as despesas com energia e a elevação dos custos trabalhistas.
Pequenos restaurantes enfrentam ainda maior dificuldade para repassar essas despesas aos clientes, já que aumentos de preços podem provocar uma queda no movimento.
A elevação dos salários mínimos em diversas províncias a partir de outubro adiciona outro componente aos custos operacionais.
Assistência a idosos também registra recorde
As dificuldades também atingem empresas que prestam serviços de assistência a idosos.
Entre janeiro e setembro, 47 empresas de serviços de atendimento diurno e estadias temporárias para idosos faliram no Japão.
O número representa um crescimento de 34,2% em relação ao mesmo período de 2025 e é o maior registrado para os primeiros nove meses de um ano desde o início da série, em 2000.
Entre os fatores estão a falta de trabalhadores, o aumento dos custos e a concorrência no setor.
Em outro segmento, o de assistência domiciliar, foram registradas 64 falências no mesmo período. Apesar de o número representar uma queda de 11,1% em relação ao ano anterior, o nível continua elevado.
Impacto para trabalhadores
O avanço das falências chama a atenção especialmente em setores que empregam estrangeiros, como restaurantes, construção civil, serviços e assistência a idosos.
Para os trabalhadores brasileiros, a situação pode ter reflexos na oferta de vagas, nas condições de contratação e na estabilidade das empresas onde trabalham.
Também merece atenção a situação das pequenas empresas e dos estabelecimentos administrados por brasileiros, que enfrentam os mesmos problemas relacionados à mão de obra, energia, matérias-primas e salários.
Os levantamentos são nacionais e não permitem afirmar que Aichi e Shizuoka estejam apresentando exatamente o mesmo comportamento. No entanto, as duas províncias concentram atividades industriais, comerciais e de serviços que dependem fortemente de trabalhadores estrangeiros, o que torna o tema relevante para acompanhamento regional.
Foto: Canva








































