Japão enfrenta urgência no apoio psicológico a equipes de desastres

2026/06/26 14:47
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Tóquio – Quando ocorrem terremotos ou tsunamis no Japão, equipes de trabalhadores entram em ação para auxiliar os sobreviventes e ajudar na reconstrução das áreas afetadas. Embora pareçam realizar apenas um trabalho braçal, na verdade esses profissionais enfrentam forte pressão psicológica, segundo especialistas.

Como os desastres naturais são frequentes no Japão, o apoio à saúde mental das equipes de resgate se tornou uma questão urgente. Já foram registrados casos de depressão e suicídio em desastres de grande escala, enquanto algumas províncias ainda não contam com medidas específicas para lidar com a situação, noticiou a Kyodo.

Em setembro (2025), o Tribunal Superior de Tóquio reconheceu o caso de um ex-funcionário do governo metropolitano de Tóquio que passou a sofrer de depressão após auxiliar nos trabalhos de recuperação depois do Grande Terremoto do Leste do Japão, em (2011).

A alta corte reconheceu o caso como relacionado ao trabalho, provocado pelas condições enfrentadas enquanto ele atuava na equipe de apoio em Iwaki, na província de Fukushima, uma das mais atingidas pelo terremoto e pelo tsunami naquele ano.

O ex-funcionário trabalhava em Shibuya, Tóquio, e, na época, foi constatado que ele havia feito 100 horas extras no mês anterior ao diagnóstico de depressão. O tribunal também citou o estresse psicológico causado pelo suicídio de um colega durante os trabalhos de resgate.

Há outros casos. Um funcionário de Takarazuka (Hyogo) foi enviado para uma missão em Otsuchi (Iwate) e acabou se suicidando.

Após as ocorrências, o Ministério de Assuntos Internos e Comunicações solicitou que províncias e municípios ampliem o atendimento com especialistas em saúde mental e os serviços de aconselhamento para esses profissionais.

Um levantamento feito pela Kyodo mostrou que, das 47 províncias japonesas, 39, ou mais de 80%, informaram ter implantado medidas próprias. Outras oito, como Aomori, Niigata e Kumamoto, não introduziram iniciativas específicas.

Há casos como os de Akita e Chiba, que enviam funcionários aos locais para verificar as condições de trabalho daqueles que atuam em desastres. A província de Ibaraki afirmou ter reduzido os períodos de envio de um ano para seis meses, a fim de diminuir a pressão sobre os funcionários.

Existem também municípios que pagam o transporte para que os funcionários possam retornar para casa periodicamente durante suas missões.

Em janeiro (2024), cerca de 100 profissionais foram enviados de outras partes do Japão para auxiliar na recuperação da região afetada pelo terremoto na Península de Noto. Em resposta, Ishikawa realizou oficinas de saúde mental para esses trabalhadores.

O professor emérito de Psicologia Social da Universidade de Tsukuba, Yutaka Matsui, explicou que esses trabalhadores muitas vezes sentem culpa quando precisam tirar folga ou voltar para casa mais cedo, enquanto outros permanecem nos esforços de recuperação.

Matsui pediu que as autoridades favoreçam a criação de oportunidades para que esses trabalhadores compartilhem suas preocupações e frustrações, além de sistemas que permitam o retorno regular para casa para cuidados de saúde.

Foto: Canva

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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