Japão bate recorde de estrangeiros, mas população brasileira diminui

Tóquio - O número de estrangeiros residentes no Japão alcançou 4.281.026 pessoas no final de junho de 2026, estabelecendo um novo recorde nacional. O resultado representa um crescimento de 155.631 residentes, equivalente a 3,8%, em relação a dezembro de 2025, segundo os últimos dados divulgados pela Agência de Serviços de Imigração.
Entretanto, o levantamento mostrou um contraste importante: enquanto as principais comunidades estrangeiras continuam crescendo, a população brasileira registrou uma pequena redução.
O Japão possuía 209.550 brasileiros no final de junho, contra 210.014 em dezembro de 2025. A diferença foi de 464 pessoas, uma redução de aproximadamente 0,2% em seis meses.
Entre as dez nacionalidades mais numerosas do país, o Brasil foi a única que apresentou diminuição no período.
População estrangeira cresceu 155 mil pessoas em seis meses
Segundo a Agência de Serviços de Imigração, o total de 4.281.026 estrangeiros inclui 4.017.321 residentes de médio e longo prazo e 263.705 residentes permanentes especiais.
O levantamento não inclui turistas de curta permanência.
A presença estrangeira continua crescendo diante das necessidades de mão de obra de diferentes setores da economia japonesa, incluindo indústria, construção, agricultura, alimentação e cuidados de idosos.
O total de residentes, porém, não representa exclusivamente trabalhadores. A estatística também inclui estudantes, familiares e pessoas com diferentes categorias de residência.
Chineses e vietnamitas continuam liderando
A China permanece como o país com maior número de cidadãos residentes no Japão. No final de junho, havia 941.031 chineses, aumento de 10.603 em relação a dezembro de 2025.
O Vietnã apareceu em segundo lugar, com 693.750 residentes, crescimento de 12.650 pessoas. A Coreia do Sul permaneceu na terceira posição, com 408.682 residentes. Em seguida apareceram as Filipinas, o Nepal e a Indonésia.
O crescimento foi particularmente expressivo entre as comunidades do Sudeste e do Sul da Ásia. A Indonésia registrou aumento de 41.387 pessoas em apenas seis meses, alcançando 307.456 residentes.
O Nepal apresentou acréscimo de 33.858 pessoas, chegando a 334.850. Já Mianmar registrou crescimento de 29.035 residentes, alcançando 211.602.
Com esse resultado, Mianmar ultrapassou o Brasil na classificação das nacionalidades estrangeiras mais numerosas do Japão.
Brasil caiu para a oitava posição
A população brasileira passou a ocupar a oitava posição nacional.
Os 209.550 residentes registrados em junho representam uma redução pequena em termos percentuais, mas o resultado chama a atenção porque contrasta com o crescimento das outras grandes comunidades.
O levantamento, porém, não identifica isoladamente os motivos da diminuição. A diferença pode envolver entradas e saídas do país, naturalizações e outros movimentos populacionais.
Portanto, não é correto concluir apenas com esses dados que os brasileiros estejam deixando o Japão em grande quantidade ou que determinada mudança nas regras migratórias tenha provocado a redução.
Para compreender as causas, seria necessário examinar estatísticas mais detalhadas sobre a movimentação da comunidade brasileira.
Aichi possui quase 370 mil estrangeiros
A província de Aichi continua sendo uma das principais regiões de residência da população estrangeira.
No final de junho, havia 369.849 estrangeiros registrados, aumento de 12.049 em relação a dezembro de 2025.
O total corresponde a aproximadamente 4,97% da população provincial.
Aichi permanece na terceira posição nacional, atrás de Tóquio e Osaka.
A capital japonesa lidera com 824.486 estrangeiros, enquanto Osaka aparece em segundo lugar, com 389.846.
Kanagawa ocupa a quarta posição, com 331.515, seguida por Saitama, com 305.867.
A concentração de estrangeiros em Aichi está relacionada, entre outros fatores, à presença de indústrias e empresas prestadoras de serviços.
Brasileiros representam a segunda maior comunidade em Aichi
Dados divulgados pelo governo de Aichi em 19 de outubro mostram que a província possuía 59.787 brasileiros no final de junho.
A comunidade brasileira permanece como a segunda nacionalidade estrangeira mais numerosa de Aichi, atrás apenas dos vietnamitas, que somavam 72.875 residentes.
Em terceiro lugar aparecem os chineses, com 49.500, seguidos pelos filipinos, com 49.334.
A população nepalesa alcançou 26.161 pessoas, enquanto a comunidade indonésia chegou a 23.833 residentes.
Os resultados mostram que a composição da população estrangeira de Aichi está se diversificando, com crescimento de comunidades que anteriormente possuíam presença menor na região.
Tokutei Ginō continua apresentando forte expansão
Outra informação importante está relacionada às categorias de residência. O número de estrangeiros com residência permanente chegou a 961.342, aumento de 14.217 pessoas em comparação com o final de 2025.
Na categoria de Engenharia, Humanidades e Serviços Internacionais, o total alcançou 516.184 residentes. Os estudantes estrangeiros somaram 479.626 pessoas.
Já o programa de treinamento técnico, conhecido como Ginō Jisshū, possuía 457.509 participantes.
O crescimento mais expressivo entre as principais categorias ocorreu no Tokutei Ginō, sistema destinado à contratação de trabalhadores estrangeiros em setores autorizados. O número de residentes com esse status chegou a 444.256, aumento de 53.960 pessoas em seis meses. O resultado inclui trabalhadores das categorias Tokutei Ginō 1 e 2.
O crescimento reforça a importância desse sistema para empresas que enfrentam dificuldades de contratação.
Mudança na composição da mão de obra estrangeira
A expansão das comunidades asiáticas está relacionada, em parte, aos diferentes sistemas de contratação de trabalhadores estrangeiros.
Entretanto, os dados gerais por nacionalidade não permitem determinar quantas pessoas de cada país chegaram especificamente para trabalhar em fábricas ou exercer outras atividades profissionais.
O Japão também recebe estudantes estrangeiros e familiares, além de pessoas com outras categorias de residência.
Ainda assim, a evolução dos números demonstra mudanças importantes na composição da população estrangeira.
A participação crescente de trabalhadores de países como Indonésia, Nepal, Vietnã e Mianmar pode influenciar as necessidades de atendimento multilíngue, educação e integração nas comunidades locais.
As dez maiores comunidades estrangeiras no Japão
| Nacionalidade | Residentes em junho de 2026 | Variação desde dezembro |
| China | 941.031 | +10.603 |
| Vietnã | 693.750 | +12.650 |
| Coreia do Sul | 408.682 | +1.341 |
| Filipinas | 362.761 | +6.182 |
| Nepal | 334.850 | +33.858 |
| Indonésia | 307.456 | +41.387 |
| Mianmar | 211.602 | +29.035 |
| Brasil | 209.550 | -464 |
| Sri Lanka | 85.415 | +6.287 |
| Taiwan | 73.628 | +372 |
A tabela corresponde aos dados oficiais de 30 de junho. O governo de Aichi também confirmou que os estrangeiros representam 4,97% da população provincial e que os brasileiros constituem a segunda maior comunidade estrangeira da província.
Fontes: Agência de Serviços de Imigração, Governo de Aichi
Foto: Canva







































