
Tóquio – O número anual de nascimentos no Japão caiu para 705.809 em 2025, marcando um recorde preliminar de baixa pelo décimo ano consecutivo, segundo dados preliminares do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar divulgados na quinta-feira (26).
O total representa uma queda de 2,1%, ou 15.179 nascimentos, em relação a 2024. O dado preocupa as autoridades, que não conseguem reverter a tendência num período em que o país sofre com o envelhecimento da população e uma apreensão maior quanto à criação de filhos diante do aumento do custo de vida, publicou a Kyodo.
Especialistas no assunto citam que, além da insegurança com a economia, mais casais estão escolhendo casar e ter filhos mais tarde, ou optar por não casar.
A queda na taxa de natalidade continua sem parar. A redução da população, resultado da diferença entre nascimentos e mortes, atingiu o maior nível já registrado, com 899.845, segundo dados preliminares do Ministério.
O Instituto Nacional de Pesquisa sobre População e Seguridade Social estimava que o número de nascimentos, incluindo filhos de residentes estrangeiros, não ficaria abaixo de 710 mil antes de 2042.
Dados divulgados pelo Ministério em junho de 2025 mostraram que o número de bebês nascidos de cidadãos japoneses em 2024 caiu para 680 mil, ficando abaixo de 700 mil pela primeira vez.
A queda de 2,1% em 2025, diante dos 5% de 2024, reflete provavelmente o segundo ano consecutivo de aumento de casamentos no ano passado, que subiram 1,1%, para o total de 505.656, continuando abaixo dos mais de 600 mil matrimônios registrados em 2019, antes de a pandemia de coronavírus alterar os padrões normais de interação social.
Por província, Tóquio e Ishikawa registraram aumento no número de nascimentos. Em Tóquio subiu 1,3%, que é a primeira alta em nove anos, e em Ishikawa o avanço é visto como uma recuperação após a queda esperada na sequência do terremoto em janeiro de 2024.
As demais 45 províncias registraram queda nos nascimentos, sendo que a mais acentuada, de 8,7%, foi anotada em Shimane, seguida por Yamagata, Aomori e Nagano, regiões rurais onde os moradores se mudam em busca de melhores oportunidades de estudo e de trabalho.
Nos dados populacionais divulgados pelo governo, 2025 teve 1,61 milhão de mortes, 13.030 a menos que em 2024.
Em 1973, cerca de 2,09 milhões de crianças nasceram no Japão. O número caiu abaixo de 1 milhão em 2016.
No passado
O Japão teve sua maior população total por volta de 2010, quando chegou a cerca de 128,5 milhões de habitantes. A partir desse ponto, a população começou a diminuir de forma consistente.
A partir daquele ano a população começou a cair ano após ano. Em 2025 e 2026 a estimativa era de cerca de 123 milhões de habitantes, inferior ao pico anterior.
História recente dos nascimentos no Japão indica que:
- Até a década de 1970 havia um nível bem mais alto de nascimentos. Depois de um segundo baby boom no começo dos anos 1970, o número de nascimentos começou a cair.
- Em 2023 foram registrados 727.277 nascimentos, o menor número desde o início da série histórica em 1899 até então.
Essas quedas representam uma tendência de declínio nos nascimentos ano após ano, sem recuperação significativa nas últimas décadas.
A taxa de fecundidade total (número médio de filhos por mulher ao longo da vida reprodutiva) também segue um forte declínio:
- Nos anos 1960 o valor estava bem mais alto e decaiu nas décadas seguintes.
- Em 2023 a taxa de fecundidade foi estimada em cerca de 1,20 filho por mulher, muito abaixo do nível de reposição populacional, que é de aproximadamente 2,1.
- Dados oficiais de 2024 mostram nova queda para 1,15 filho por mulher, o nível mais baixo desde que os registros começaram em 1947.
Foto: Canva








































