Grupo LGBT pede revisão de trecho sobre “interesse pelo sexo oposto” nas escolas

2026/07/10 10:32
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Tóquio – Representantes de um grupo formado por pessoas LGBTQ e integrantes de outras minorias sexuais entregaram ao Ministério da Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia do Japão um abaixo-assinado com 11.978 assinaturas, pedindo a revisão de trechos das diretrizes curriculares nacionais que, segundo a organização, partem do pressuposto da heterossexualidade.

O documento foi apresentado em 8 de julho e solicita a alteração de um trecho que trata das mudanças físicas e emocionais durante a puberdade. As atuais diretrizes afirmam que, nessa fase, “aumenta o interesse pelo sexo oposto”. O grupo pede que o texto deixe de especificar que esse interesse ocorre necessariamente em relação a pessoas do sexo oposto, noticiou a mídia local.

As diretrizes curriculares nacionais estabelecem os conteúdos que devem ser ensinados nas escolas japonesas. A expressão questionada aparece no conteúdo de educação física do ensino fundamental e de saúde e educação física do ensino ginasial. Nos dois casos, apenas pessoas do sexo oposto são mencionadas como alvo do crescente interesse associado ao desenvolvimento físico e emocional dos estudantes.

As 11.978 assinaturas foram coletadas pela internet desde abril pela organização voluntária “LGBT nos livros didáticos! Network”, com o apoio de outras entidades.

Durante uma entrevista coletiva, a representante do grupo, Maika Muroi, de 39 anos, contou que se apaixonou por uma pessoa do mesmo sexo quando cursava o ensino ginasial.

“Na aula, aprendi que, durante a puberdade, surge o interesse pelo sexo oposto. Passei a pensar que eu havia saído do que era considerado normal e que era uma pessoa errada”, relatou.

Segundo Maika, o abaixo-assinado busca evitar que mais crianças desenvolvam sentimentos negativos em relação a si mesmas por não se identificarem com a descrição apresentada nas aulas.

Para as próximas diretrizes curriculares, o grupo propõe, entre outras mudanças, que a expressão “sexo oposto” seja substituída por “outras pessoas”.

O Conselho Central de Educação, órgão consultivo do Ministério da Educação, está debatendo a revisão das diretrizes curriculares, processo realizado aproximadamente a cada dez anos. A previsão é de que as novas regras sejam implementadas integralmente a partir do ano fiscal de 2030, de forma gradual conforme o nível de ensino.

Foto: Canva

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