Filmagens clandestinas quase dobram em quatro anos no Japão

Tóquio – A Agência Nacional de Polícia registrou um aumento dos casos de filmagens clandestinas que resultaram em ações policiais. Os dados mostram que, em 2021, foram registradas 5.019 ocorrências, número que saltou para 9.237 em 2025, um aumento de aproximadamente 1,8 vez.
O crescimento é atribuído, em parte, à miniaturização das câmeras e ao aperfeiçoamento das técnicas usadas pelos criminosos para escondê-las, aponta uma reportagem do canal TBS News.
As chamadas "câmeras camaleão", que podem ser escondidas em objetos do cotidiano e, à primeira vista, são difíceis de identificar, estão se multiplicando. Além disso, são frequentes os casos em que crianças se tornam alvos dessas filmagens.
A criatividade dos criminosos para tornar imperceptíveis suas câmeras vai longe. Um exemplo ocorreu em 6 de outubro, quando a Prefeitura de Yokohama, na província de Kanagawa, anunciou que um funcionário de um clube de atividades infantis pode ter filmado clandestinamente cerca de 40 meninos em um banheiro.
Na cidade de Fukuoka, na província de mesmo nome, em 2 de outubro, um professor de uma escola de ensino fundamental II foi demitido por tentar filmar estudantes. Um aluno encontrou uma pequena câmera presa com fita adesiva ao suporte de papel higiênico.
Em outro caso, uma câmera foi encontrada dentro de um aromatizador colocado entre os mictórios de um banheiro masculino de um supermercado. O dispositivo foi descoberto por uma funcionária do estabelecimento durante sua atividade rotineira, depois que ela percebeu que o aromatizador estava em um local onde normalmente não havia nenhum item daquele tipo.
Ao pegar o objeto, ela percebeu que havia algo estranho e encontrou em seu interior uma câmera do tamanho aproximado da unha do polegar, presa com fita adesiva.
Câmeras camufladas
Para o professor associado Wataru Ohashi, da Universidade Médica de Aichi, o aumento desse tipo de ocorrência está relacionado ao avanço tecnológico das câmeras, que estão cada vez menores e mais compactas, além da sofisticação das formas utilizadas para escondê-las.
Ele alerta que esses dispositivos podem ser camuflados em relógios de mesa, isqueiros, chaves de automóveis e até calculadoras.
É Ohashi quem chama esses pequenos dispositivos de "câmeras camaleão", justamente porque se confundem com objetos comuns do cotidiano.
Itens dos ambientes
O especialista em investigações de filmagens clandestinas Tsuyoki Kawase, da empresa Everblue, disse que os envolvidos costumam instalar pequenas câmeras em determinado local e retornar posteriormente para recolhê-las.
Ele realizou uma demonstração instalando um desses dispositivos em uma cabine de banheiro para mostrar como pode ser difícil detectá-lo. A câmera foi colocada em uma placa de avisos fixada na parede, com a lente escondida dentro de um parafuso.
Kawase afirma que dispositivos semelhantes também podem ser escondidos em ganchos fixados nas paredes e em adaptadores de aparelhos elétricos. Segundo ele, praticamente qualquer objeto visível em determinados ambientes pode ser utilizado para camuflar uma câmera.
O professor Ohashi recomenda que as pessoas prestem atenção a qualquer detalhe que pareça fora do lugar ao entrar em um banheiro ou em outro ambiente onde exista risco de filmagem clandestina.
Segundo ele, alguns segundos de observação podem ser suficientes para verificar se há objetos incomuns ou pequenos orifícios que possam esconder lentes.
Caso exista suspeita de uma câmera utilizada para filmagem clandestina, a recomendação é chamar a polícia e não tocar no equipamento, para evitar apagar possíveis impressões digitais deixadas pelo responsável por sua instalação.
Foto: Canva






































