Empresa lança piso tátil que fala para pessoas com deficiência visual no Japão

Tóquio – No distrito de Setagaya, em Tóquio, as pessoas com deficiência visual contam com um novo recurso para facilitar seus deslocamentos: um piso tátil que fala, publicou o Tokyo Updates.
Basta que a pessoa aponte a câmera do smartphone para os blocos de piso tátil instalados no chão para receber informações em áudio sobre o ambiente ao redor, permitindo que ela se localize e se oriente melhor.
A tecnologia foi desenvolvida pela empresa W&M systems LLC, que pretende proporcionar às pessoas com deficiência visual maior liberdade para circular, passear e explorar diferentes lugares.
Os blocos de piso tátil surgiram na província de Okayama, em 1967, como uma forma de proporcionar maior acessibilidade às pessoas com deficiência visual.
Eles se dividem em blocos direcionais, com quatro linhas em relevo, e blocos de alerta, com pontos elevados, que ajudam as pessoas com deficiência visual a caminhar com mais segurança.
O presidente da W&M systems, Hiroyasu Takayama, percebeu um novo potencial nesse sistema a partir de um sensor em formato de caneta criado pelo engenheiro-chefe Kazuya Chiba, enquanto ele procurava uma maneira de se comunicar com sua mãe, que sofria de uma doença rara.
Ao tocar a caneta em um papel com códigos especiais impressos, o dispositivo reproduzia mensagens gravadas, como “estou com calor” ou “gostaria de um pouco de água”.
Foi essa experiência que inspirou Takayama a pensar na criação de um mecanismo semelhante para fornecer informações em áudio às pessoas com deficiência visual.
Tentativa e erro
Takayama contou que, inicialmente, a equipe da W&M systems tentou transformar as bengalas brancas utilizadas pelas pessoas com deficiência visual em uma espécie de caneta sensora.
Um sensor era colocado na ponta da bengala e reproduzia informações em áudio quando tocava os blocos de piso tátil.
O equipamento conseguiu ler os dados, mas a poeira e a sujeira acumuladas nos pisos externos faziam o sensor deixar de funcionar em apenas um dia. Além disso, os sensores instalados na ponta das bengalas quebravam ou se soltavam com facilidade.
Os pesquisadores então passaram a utilizar os próprios pontos em relevo dos blocos de alerta. Ao acrescentar marcações a 25 pontos dispostos em uma grade de 5 por 5, criaram códigos que podem ser lidos de maneira semelhante a um QR Code.
Dependendo da combinação dos pontos marcados em preto, é possível gerar mais de 30 milhões de códigos diferentes.
O primeiro protótipo, porém, continuava pouco prático. Era necessário instalar uma microcâmera na bengala, conectá-la por cabo a um computador e a uma bateria, carregados junto ao corpo, e utilizar fones de ouvido.
Durante os testes, os participantes avaliaram que os muitos cabos dificultavam a utilização do equipamento no dia a dia.
Foi então que Takayama conversou com Kunio Matsui, professor do Instituto de Tecnologia de Kanazawa, na província de Ishikawa. Matsui sugeriu resolver o problema utilizando um smartphone, aparelho que já reúne câmera, capacidade de processamento e recursos de comunicação.
A partir dessa ideia, começou o desenvolvimento conjunto do sistema e, em 2019, foi lançado o aplicativo para smartphones Walk and Mobile, capaz de reconhecer os blocos de piso tátil codificados.
Ao apontar a câmera para os blocos, o usuário recebe informações em áudio sobre sua localização e o ambiente ao redor.
Uma das características do sistema é fornecer orientações diferentes conforme a direção para a qual a pessoa está voltada.
Aplicativos de mapas que utilizam GPS podem não funcionar adequadamente em ambientes internos ou subterrâneos e, mesmo em áreas externas, apresentar diferenças de vários metros.
Como os blocos de piso tátil funcionam como pontos físicos fixos de referência, o sistema permite que o usuário confirme sua localização com precisão de centímetros sem perder a orientação.
As informações fornecidas são variadas e podem indicar a localização de bancos, máquinas de venda automática de bebidas, lojas de wagashi, os tradicionais doces japoneses, e banheiros, entre outros locais e instalações.
Até junho deste ano, os blocos de piso tátil codificados haviam sido instalados em 21 locais do Japão, principalmente em instalações de Tóquio, como as prefeituras dos distritos de Setagaya e Shinagawa.
O sistema também estava presente em Kanazawa, na província de Ishikawa; Shiojiri, em Nagano; Tottori; e Hiroshima.
A tecnologia pode auxiliar as pessoas tanto em ambientes internos quanto externos e inclui um modo de evacuação que funciona mesmo sem conexão com a internet, fornecendo orientações em áudio para ajudar os usuários a encontrar abrigos próximos durante desastres.
A W&M systems também está ampliando o uso da tecnologia para o turismo, com informações em vários idiomas.
Em Kanazawa, estava previsto para este ano um projeto-piloto do chamado “Tourism Mode”, que fornece informações sobre atrações turísticas e outros pontos de interesse, como machiya, as tradicionais casas urbanas japonesas, lojas de wagashi e locais próximos ao Parque do Castelo de Kanazawa.
Foto: Canva








































