É verdade que o professor no Japão não se curva diante do imperador?

2025/10/24 07:34
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Tóquio – A história de que no Japão o professor seria o único profissional isento de se curvar diante do imperador é um mito. A informação, amplamente divulgada na internet, não tem base em fatos reais.

A Agência da Casa Imperial (Kunaicho) informa em seu site oficial que o imperador e a imperatriz recebem cientistas, educadores, artistas, diplomatas e outras personalidades, sem qualquer exceção de categoria que “não precise se curvar”.

A reverência, chamada “ojigi”, é parte essencial da etiqueta social japonesa. Embora não exista uma obrigação legal, o gesto é realizado como demonstração de respeito.

Nas escolas japonesas, é comum que, ao entrar em sala de aula, o professor seja recebido de pé pelos alunos. Um estudante designado anuncia “Rei!”, e todos fazem a reverência — inclusive o professor. O termo “rei” significa “fazer reverência”, e muitas instituições mantêm essa prática tradicional.

Originalmente, o gesto de baixar a cabeça diante de alguém de posição superior representava submissão simbólica e ausência de intenção hostil, segundo o portal Nippon. O ato de reverenciar chegou ao Japão vindo da China há mais de mil anos e foi incorporado como parte do código de etiqueta dos samurais na Idade Média, símbolo de respeito e honra.

Em contextos formais, utiliza-se o “saikeirei”, uma inclinação mais profunda, destinada a figuras de altíssima importância — como o próprio imperador —, exatamente o tipo de situação em que o gesto é apropriado.

O órgão oficial de turismo do Japão reforça que visitantes estrangeiros não são obrigados a conhecer todas as regras de reverência. Trata-se de um costume social, não de uma norma legal, o que desmonta a crença de que exista uma profissão “isenta por lei” dessa prática.

Naturalmente, o valor do professor é inquestionável. Sem professores, não haveria imperadores, bombeiros, policiais, médicos, pedreiros ou motoristas.

O boato sobre essa suposta exceção circula desde 2010 e costuma ressurgir próximo ao Dia dos Professores, celebrado em 15 de outubro, segundo o site e-Farsas.

Quanto à reverência, há diferentes formas de se curvar:

Eshaku – forma simples usada para expressar cordialidade em situações cotidianas, com inclinação de cerca de 15°.

Keirei – gesto comum entre amigos e familiares, realizado com inclinação de 30°.

Saikeirei – reverência profunda reservada a autoridades e pessoas de altíssima posição social, feita com inclinação de 45°.

Na dúvida sobre qual usar, a inclinação de 30° é sempre adequada.

Foto: Canva

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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