Dados desmentem ideia de que estrangeiros pesam no sistema de saúde do Japão, diz TV

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Tóquio – O governo japonês quer estabelecer que estrangeiros residentes que não pagarem suas contas médicas poderão não ter o visto renovado. Mas a TV Asahi divulgou em um programa que as contas feitas pelo governo não batem.

O Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar divulgou que entre 2.890 hospitais que atenderam pacientes internacionais em setembro do ano passado, 470 possuíam débitos pendentes de pacientes estrangeiros.

O problema é que do total de débitos pendentes, de aproximadamente ¥88,1 bilhões no ano fiscal de 2023, os pacientes estrangeiros representavam apenas 1,5%, ou cerca de ¥1,3 bilhão, enquanto 98,5% eram referentes a pacientes japoneses, segundo o J-Cast News.

Nas contas feitas pelos participantes do programa “Hatori Shinichi Morning Show”, da TV Asahi, de 4 de dezembro, ficou claro que se os estrangeiros residentes chegam a apenas 3% da população do Japão, significa que proporcionalmente mais estrangeiros pagam suas contas médicas regularmente do que os japoneses.

Outra crítica de que os estrangeiros residentes frequentemente deixam de pagar seus prêmios do Seguro Saúde Nacional também se mostrou equivocada. Um levantamento feito com 150 governos locais confirmou que os estrangeiros representavam 4% de todos os segurados e que seus gastos médicos totalizavam ¥124 bilhões, ou 1,4%, de um total de ¥8,9 trilhões.

Em outras palavras, os estrangeiros não estão recebendo muitos cuidados de saúde e, de certa forma, os prêmios de seguro pagos por estrangeiros estão financiando as despesas médicas dos japoneses.

Débitos em hospitais

Quando uma pessoa é atendida em um hospital no Japão, a regra geral é que ela pague a sua parte no balcão, em torno de 30% do valor, sendo que o restante é arcado pelo sistema de seguro.

O que pode ocorrer é a pessoa não conseguir pagar no dia e voltar depois para completar o valor do atendimento. Isso pode ocorrer em emergências, internações entre outras situações, ou então quando o paciente fornece endereço ou telefone incorretos, muda de cidade, volta para seu país ou simplesmente não paga. Enquanto a conta não for quitada, constará como valor em aberto.

Outra situação que pode ocorrer é o hospital cobrar o atendimento como particular porque o paciente não tinha o cartão do seguro na hora, mas depois ele regulariza a situação. Até isso se acertar, pode constar como valor em aberto. Os hospitais às vezes aceitam pagamento posterior, parcelamento ou fazem cobrança administrativa.

Tratamento de alto custo

A discussão sobre o suposto uso exagerado do sistema de saúde japonês por estrangeiros ganhou força após declarações políticas que alegam que residentes de outros países estariam recebendo tratamentos médicos de alto custo quase de graça. Mas os números oficiais mostram outra realidade, ainda segundo o The Asahi.

O Japão desembolsa ¥960,9 bilhões por ano em auxílios de alto custo, dos quais apenas ¥11,1 bilhões, ou 1,15%, são utilizados por estrangeiros. Ao mesmo tempo, estima-se que os cerca de 2,43 milhões de residentes estrangeiros que pagam o seguro nacional contribuam aproximadamente ¥877,4 bilhões anuais para o sistema.

Mesmo com uma margem de erro de até 25%, essa contribuição supera amplamente os gastos ligados a estrangeiros, evidenciando que eles financiam muito mais do que recebem.

Foto: Canva

Antonio Carlos Bordin é jornalista há 40 anos. Iniciou na profissão em jornais diários no interior de São Paulo. Mora no Japão há mais de 20 anos, tempo em que trabalhou como editor de revistas e de sites da comunidade. Gosta de filmes de ação, de ficção científica e acredita em Astrologia. Tem bom humor e fé em Deus.

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