Takaichi, em capanha, promete renunciar se PLD não obtiver maioria no Parlamento

Tóquio – Uma das grandes moedas de troca na eleição antecipada para a Câmara Baixa do Parlamento japonês é o imposto sobre consumo, ou shōhizei (消費税). Os partidos do governo e da oposição já estão em campanha há quase uma semana e devem usar o argumento de suspender ou de zerar definitivamente esse imposto para ganhar a atenção dos eleitores japoneses e, claro, os seus preciosos votos.
Em sua luta para buscar os votos dos eleitores, a primeira-ministra Sanae Takaichi falou no distrito Chiyoda, em Tóquio: “O crescimento econômico é essencial para tornar o Japão forte e próspero. A chave para isso são finanças públicas responsáveis e proativas. Como nossas principais políticas e o arcabouço da nossa administração mudaram, buscamos a confiança do povo.”
Mas a surpresa do comentário da premiê veio em seguida: “Se não conseguirmos garantir a maioria, renunciarei ao cargo de primeira-ministra”, segundo noticiou o jornal Yomiuri.
Depois que ela assumiu o posto em outubro do ano passado, ascendeu rapidamente, ganhando a opinião pública criticando estrangeiros que não respeitam as leis e ao mesmo tempo prometendo muito trabalho.
Quando Takaichi dissolveu a Câmara dos Representantes, a poderosa Câmara Baixa do Parlamento, no dia 23 de janeiro, ela visava retomar a maioria folgada que seu Partido Liberal Democrático (PLD) tinha em sua antiga coalizão com o Komeito.
Pouco tempo passou e o Komeito abandonou o governo e assumiu com um partido de oposição a criação da Aliança Reformista Centrista. Ao passo que o PLD se aliou ao Partido da Inovação do Japão, para garantir ao menos uma maioria apertada na Câmara Baixa. Mas Takaichi quer mais.
Imposto sobre consumo em jogo
Até o momento existem 1.219 candidatos em campanha nas ruas para disputar 465 cadeiras no Parlamento, sendo 289 em distritos uninominais e 176 por representação proporcional. Há uma semana, os líderes dos partidos participaram de um debate no Clube da Imprensa, em Tóquio, para apresentarem as suas plataformas, tendo como prato principal a suspensão ou o fim do imposto sobre consumo para alimentos, segundo a Kyodo.
Takaichi, por exemplo, defende a isenção do imposto sobre consumo para alimentos por dois anos. Porém, não informou como pretende cobrir a perda da arrecadação do imposto, afirmando que os pontos devem ser definidos no conselho nacional.
Yoshihiko Noda, da recém-formada Aliança de Reforma Centrista, afirmou que executará o plano de alívio tributário usando lucros de um fundo apoiado pelo governo, sem recorrer à emissão de títulos para cobrir déficits. Ele acrescentou que planeja tornar zero o imposto sobre consumo para alimentos ainda no outono deste ano, para conter o aumento do custo de vida.
O campo da diplomacia também rendeu debates entre os líderes partidários, com os oposicionistas questionando a postura de Takaichi sobre as ações do governo dos Estados Unidos, incluindo a intervenção na Venezuela e a pressão sobre a Dinamarca em relação à Groenlândia. Takaichi se defendeu dizendo que construiu uma relação com Donald Trump e que o Japão é seu aliado na Ásia.
Em relação à China, a premiê do Japão disse que quer conversar com o presidente Xi Jinping, para que ele entenda a posição do Japão. Mas Takaichi gerou polêmica quando disse que o Japão poderia agir em caso de contingência envolvendo a invasão de Taiwan, que a China considera como uma província rebelde, mas parte do continente.
Decisão criticada
A decisão de dissolver a Câmara Baixa em tão pouco tempo de governo rendeu críticas a Takaichi, com um orçamento para o ano fiscal de 2026 ainda para ser aprovado, o qual prevê apoio às famílias afetadas pelo alto custo de vida.
O colíder da Aliança Reformista Centrista, Yoshihiko Noda, criticou o momento da dissolução da Câmara dos Representantes em um discurso de rua em Hirosaki, na província de Aomori. Ele disse: “Nós queríamos trabalhar, trabalhar ainda mais pelo povo. Por que dissolver neste momento? Vocês escolherão uma política que deixa a vida das pessoas em segundo plano?”
A decisão de Takaichi também foi criticada pela líder do Partido Comunista Japonês, Tomoko Tamura: “Não há uma causa justa para a dissolução”.
Hirofumi Yoshimura, líder do Partido da Inovação do Japão, procurou defender as falas de Takaichi, afirmando: “Seremos o acelerador dentro [da coalizão governista] para impulsionar reformas que estagnaram sob o PLD”.
Os jornais japoneses registraram as falas de outros líderes partidários, como de Yuichiro Tamaki, do Partido Democrático para o Povo, que falou: “Vamos mudar da velha política focada em eleições para uma nova política orientada por propostas”, disse.
Foto: Reprodução/TBS News
Líderes partidários em primeiro debate antes da campanha eleitoral visando a Câmara Baixa no Parlamento







































